Macho alfa

Estou trazendo este tema neste blog porque ele faz parte de minha nova teoria chamada “sociopata alfa”, um legítimo representante de nossos líderes mundiais em toda a história da humanidade. Vamos desenvolver esta ideia em 3 partes: o “macho alfa”, o “sociopata” e o “sociopata alfa”. Vamos começar:

 O macho-alfa1

Na natureza onde os animais vivem em bandos, normalmente surge a figura do assim chamado “macho alfa”, que é o macho mais forte e geneticamente mais adaptado que dá proteção ao grupo e transmite seus genes às fêmeas do clã.

Em animais sociais, o alfa é o indivíduo na comunidade com o posto mais alto. Quando um macho e uma fêmea cumprem esse papel, eles são referidos como o par alfa (o termo varia quando várias fêmeas cumprem esse papel – é extremamente raro entre os mamíferos que vários machos cumpram esse papel com uma fêmea). Outros animais do mesmo grupo social podem apresentar deferência ou outros sinais simbólicos de respeito em particular ao alfa de suas espécies.

Aos animais alfa é dada a preferência para serem os primeiros a comer e os primeiros a acasalar. Entre algumas espécies eles são os únicos animais que têm permissão para acasalar. Outros animais na comunidade costumam ser mortos ou expulsos se violarem esta regra. Os animais tendem a viver em grupos com uma ordem social específica devido à sua tendência natural. O líder do grupo é chamado de “macho alfa”, e também pode haver uma fêmea alfa, dependendo das espécies. Em lobos, o animal alfa tende a ser o mais forte e mantém sua posição como o macho alfa, derrotando outros desafiantes em combate.

O status de macho alfa geralmente é conseguido por meio de força física superior, embora possa também ser determinado por esforços sociais e alianças construídas.

O macho é acompanhado pela fêmea alfa e, juntos, demonstram sua autoridade, jamais permitindo que os outros animais se insurjam contra eles. É o primeiro a se alimentar e possui primazia na cópula e escolha das fêmeas. O macho alfa frequentemente demonstra seu domínio rosnando, mordendo, perseguindo, dilacerando, ou descansando sobre outros animais, até que sua superioridade seja posta a prova por algum outro integrante do grupo que, se vencê-lo no embate, passa a assumir sua posição.

 O indivíduo na posição alfa geralmente muda quando outro o desafia para uma luta e ganha o desafio; em algumas espécies esta luta pode ir até a morte. Consequentemente, os machos alfas podem ter que lutar várias vezes em seu próprio grupo para manter a sua posição ao longo de suas vidas. Em espécies em que a luta é até a morte, os alfas raramente chegam à velhice. Em algumas espécies um indivíduo nômade pode aproximar-se do alfa e vencê-lo num combate, tornando-se assim o novo alfa. Quando isso ocorre em alcateias de leões, o novo alfa geralmente mata os filhotes do alfa anterior. Além disso, vários leões podem compartilhar privilégios alfa no que é normalmente chamado de “coalizão”.

O grupo social normalmente segue o alfa para a caça e à criação de novas áreas de procriação e repouso. O alfa é por isso às vezes visto como quem decide o destino do grupo. Se dois grupos da mesma espécie se encontram competindo pelo mesmo espaço, eles podem deixar os alfas lutarem, deixando o resultado decidir qual grupo permanecerá no local. 

Beta e ômega

Os animais sociais têm certo nível na hierarquia da comunidade. Seis destes graus atraíram uma atenção especial em etologia e foram dados a eles os seguintes nomes: alfa, beta, gama, delta, épsilon e ômega.

Um animal beta é o segundo animal no comando do alfa reinante e vai agir como um animal alfa novo se o alfa antigo falecer. Em algumas espécies de aves, os machos emparelharam-se aos pares quando namoram, com o macho beta auxiliando o macho alfa. O macho beta não costuma chegar a acasalar com as aves do sexo feminino, mas se o alfa morre, ele assume a fêmea alfa, tornando-se o novo alfa.

O animal ômega (normalmente identificado como ω-macho) é um antônimo utilizado para se referir à casta mais baixa da sociedade hierárquica. Um ômega está subordinado a todos os outros indivíduos daquela comunidade. Os ômegas podem ser usados ​​como bodes expiatórios e geralmente são os últimos a poderem comer. 

Primatas

Os chimpanzés mostram deferência para com o alfa da comunidade por meio de gestos ritualizados como se curvar, permitir que o alfa caminhe na frente em uma procissão, ou ficar ao seu lado quando o alfa é desafiado.

Os gorilas usam a intimidação para estabelecer e manter sua posição alfa.

Os machos alfas de macacos prego (Cebus apella nigritus) são os parceiros preferidos do sexo masculino para as fêmeas adultas da comunidade.

Entretanto, apenas as fêmeas fortes têm uma interação forte com o macho alfa porque um grau de domínio feminino permite que só as fêmeas mais dominantes e fortes interajam com o macho. 

Caninos

Os caninos (como lobos, cães, chacais e raposas) mostram deferência para com o casal alfa no seu par, permitindo-lhes serem os primeiros a comer e, geralmente, o único par que pode acasalar. Os caninos usam o contato visual para manter sua posição alfa, mas a fim de estabelecer a sua posição muitas vezes eles têm que mostrar sua superioridade física através de jogos ou lutas. No caso de canídeos selvagens o macho alfa podem não ter acesso exclusivo à fêmea alfa; além disso, outros membros do grupo podem guardar a maternidade usada pela fêmea alfa; tal é o caso do Cachorro Selvagem Africano, Lycaon pictus.

Os lobos vivem, geralmente, em alcateias, que são suas famílias. Nesses grupos há um casal dominante chamado de alfa, outro casal, chamado beta, que fica com o “comando” secundário do grupo e um lobo ômega – que ganha esse nome por ocupar a posição mais baixa na hierarquia da alcateia.

O macho alfa é quem toma as decisões na alcateia. Ele tem a força e habilidade de caça superiores às dos outros lobos. Sua companheira, que é seu par por toda a vida, comanda as fêmeas do grupo, e é a vice-líder, isso é, na ausência do alfa é ela quem toma as decisões do grupo. A sobrevivência da alcateia depende da sabedoria e liderança do casal alfa.

Os lobos alfa ganham o respeito do grupo através de demonstrações de força, rosnados e ranger de dentes. É o macho alfa quem decide aonde a alcateia vai dormir e caçar e determina quem vai comer (depois dele, é claro). Se houver filhotes na alcateia, todos os lobos são responsáveis pelo bem estar dos infantes, e a fêmea beta exerce o papel de babá.

O lobo ômega é sempre o último a comer, e é tratado como bode expiatório da alcateia. Apesar disso, ele é também protegido pelo grupo, afinal ele é da família. O tamanho da alcateia varia muito, mas tem em média de cinco a dez lobos, como informa a International Wolf Center.

Em termos de preservação dos animais, o macho alfa de todas as espécies é altamente eficaz e necessário porque o macho alfa tem força, habilidade para caça, facilidade para tomar decisões, personalidade marcante e bravura.

Também encontramos a figura do macho alfa entre a espécie humana, que são justamente os nossos representantes legalmente qualificados ou auto impostos à sociedade. O conceito de “macho alfa” tem sido muito enfatizado em nossa cultura capitalista, onde as pessoas são classificadas como “vencedoras” (os machos e fêmeas alfa) e “perdedoras” (os betas e ômegas): 

O ‘vencedor’ é aquele que se destaca, que foi ou parece ter ido além dos demais, e cujo sucesso vem acompanhado de marcas que o tornam visível aos olhos de todos. O ‘vencedor’ não é apenas quem se dá bem na vida, mas que se dá melhor que os outros.  E quem são os ‘perdedores’? Ora, são justamente esses outros e, evidentemente, aqueles que estão excluídos do mundo do trabalho, ou que nele ocupam a parte inferior da hierarquia, que vegetam sem possibilidades de ascensão e de visibilidade social.2

 O conceito da “livre iniciativa” consolidou no ocidente a ideia do alfa vencedor:

 “Um dos aspectos mais marcantes do atual contexto social é a exacerbada competição que aparece impregnada nas relações humanas. Embora essa tenha sido uma característica também de outros tempos, podemos notar que a sua presença é tão forte em muitos espaços da nossa vida como nos parece ser a intenção de desenvolvê-la na consciência das pessoas.

A competitividade ou livre concorrência é um dos princípios da economia liberal e teve como principais defensores Adam Smith e David Ricardo. Segundo Smith, procurando apenas um ganho pessoal, a pessoa trabalha, coincidentemente, para elevar ao máximo possível a renda anual da sociedade.

Por uma mão invisível a pessoa estaria sendo misteriosamente levada a executar um objetivo que jamais fez parte das suas intenções. E, buscando apenas seu interesse exclusivo, a pessoa muitas vezes trabalharia de modo bem mais eficaz pelo interesse da sociedade do que se tivesse de fato esta intenção. Podemos notar que a ideia básica da livre concorrência é a fé depositada na ideia de que as pessoas, uma vez competindo entre si, automaticamente estariam contribuindo para o progresso geral da sociedade.

 Nesse sentido, podemos afirmar que existe uma intenção clara, a nível de ideologia política, de promover a ideia da competição como intrinsecamente positiva para a humanidade, que deixa de ser apenas um conceito na economia para fazer parte do imaginário social das pessoas.

Muitas são as manifestações da ideia de competição em nosso meio social. Ela está presente desde a “preparação” das crianças, pelos pais, para “vencer na vida”; nas brincadeiras e jogos competitivos onde “o importante é competir” para que haja “graça”; em festivais, gincanas, concursos, programas de televisão (Big Brother) e em todas as atividades que pressupõem a seleção de alguns para a necessária exclusão de outros; chegando, finalmente, ao mundo competitivo do trabalho e ao conjunto das relações sociais onde o que importa é ser um “vencedor”, para demonstrar “competência” e afirmação diante dos outros. 3

Muito usada pela mídia, a ideia da competição fica reforçada nestas frases: “Na África, todas as manhãs, o veadinho acorda sabendo que deverá conseguir correr mais do que o leão, se quiser se manter vivo. Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deverá correr mais do que o veadinho, se não quiser morrer de fome. Conclusão: Não faz diferença se você é veadinho ou leão, quando o sol nascer, você tem que começar a correr…”. Um outdoor em Curitiba certa vez mudou o final do pensamento dizendo: “Afinal, quem você será hoje: o leão ou o veado?”, incitando o leitor a correr atrás do papel do vencedor. 

Ou seja, só o “alfa vencedor” é valorizado em uma sociedade competitiva; mas como fica, então, toda a maioria da humanidade composta de “betas perdedores”? Simples: cria-se o conceito do “macho beta feliz”:

“A vingança do macho beta: Ele era apenas um perdedor. Agora, o homem sensível – que cuida da casa, discute a relação e aceita até ganhar menos que a mulher – é o mais cobiçado. … O termo, da biologia, significa exatamente o oposto do macho alfa, o líder de um grupo de animais. O alfa exibe sua força, valentia, coragem e é responsável por garantir a caça. São eles que costumam conquistar as melhores fêmeas do bando. O beta é o subordinado, segue os demais e não faz questão de participar das disputas masculinas.”4

Com seu orgulho ferido, por não conseguir ser o vencedor, o macho beta fica com os louros da conquista das mulheres alfa: “A novidade é que, agora, as mulheres parecem mais encantadas com homens beta que com os alfa. Dantas personifica à perfeição os novos homens beta que têm feito mais sucesso entre as mulheres que os tradicionais machos protetores-provedores. … Como é esse novo homem beta? Ele não teme assumir suas fraquezas, não liga para poder ou aparência e é responsável pela casa. “Esse negócio de ser líder da espécie é coisa para os fortões, senhores da guerra, os mister ego. Que os alfa fiquem com o poder, e nós com as mulheres”, diz o roteirista de televisão paulistano André Rodrigues, de 33 anos.” 4

Seguindo na mesma ideia, e aproveitando o impulso consumista da sociedade capitalista, o marketing criou a noção do “metrossexual” como “um competente estrategista na arte de pegar mulher”. Essa definição, no entanto, traz um erro conceitual. Metrossexual não é necessariamente heterossexual. Em entrevista a VEJA, o criador do termo, o escritor inglês Mark Simpson, de 38 anos, diz que, nesse caso, o que menos importa é a orientação sexual do homem. Metrossexual é simplesmente o homem vaidoso ao extremo. É o narcisista dos tempos modernos, que, graças às facilidades dos serviços existentes nas grandes cidades, pode dar-se ao luxo de se esmerar muito – além do habitual – nos cuidados com a aparência. O termo metrossexual surgiu em 1994, num artigo de Simpson para o jornal inglês The Independent. Em 2002, foi resgatado pela revista eletrônica Salon.5

Confirmando a questão do marketing, Mark Simpson diz: “O metrossexual pode ser gay, bissexual ou heterossexual, mas isso é absolutamente desimportante, já que ele tem a si mesmo como seu objeto de amor. Ele é o narcisista dos novos tempos. A idéia de que o metrossexual é sempre hétero e que seu cuidado com a aparência tem o objetivo de atrair as mulheres é uma invenção da publicidade.  … A masculinidade narcisista e egocêntrica tem origem numa característica típica de sociedades como a nossa: o hiperconsumismo. Os heróis dos metrossexuais são, em geral, homens famosos por seu visual e seu estilo – mais do que por suas conquistas políticas ou intelectuais.”5

Seguindo este mesmo raciocínio, a Editora Abril lançou uma revista com o nome “Alfa”6, para representar este homem vencedor em todos os níveis sociais. Mas na verdade é uma revista para incentivar a ideia do atual homem metrossexual, em vez do ultrapassado heterossexual alfa:

“Nós já ficamos sensíveis. Ligamos para a mãe dela no aniversário. Assistiremos, com ela, a Comer, Rezar, Amar. Nós trocamos a fralda do bebê e não caímos no sono (imediatamente) depois do sexo. Nós somos bons de sexo oral.  Nós queremos que elas gozem. Nós colocamos as crianças para dormir. Nós apoiamos e respeitamos os avanços que elas fizeram em casa, no trabalho, na cama. Nós admiramos as mulheres. Nós amamos as mulheres. Tudo isso sem deixar o papel de guerreiros, protetores e provedores.”7

Em outra teoria minha8, as mulheres das últimas três décadas também acreditaram e enfatizaram demasiadamente o desejo de serem “alfa vencedoras”, gerando graves problemas para suas saúdes, por questões de adaptação histórico-biológica.  Agora estas mesmas mulheres estão apoiando o aparecimento deste “homem beta bem-sucedido”, disfarçados de alfa vencedores:

“Os lobos alfa da alcateia demonstram sua autoridade, jamais permitem que os outros lobos invadam seu lugar, ou seja, um alfa não permite um beta querer mandar nele. Se for preciso, rosna, morde, persegue o outro para demonstrar domínio. É como se ele soubesse quem ele é e não deixa nenhum outro “dizer” o contrário. Ele é quem manda, mas ele manda para o bem da alcateia, é ele o lobo que protege, que mata se for preciso. Tem habilidade para caça, facilidade para tomar decisão, personalidade marcante e muita bravura. Forte e corajoso, líder de si mesmo e responsável por todos, a sobrevivência do grupo depende da sabedoria, julgamento e liderança dele (junto com a loba-alfa, claro).

Os machos da sociedade se auto denominam líderes, alfa… E quem são esses? São os caras autoritários, acham que mandam nas mulheres, machistas, descompassados… e ainda se parecem com um triângulo (na minha opinião… feios. sorry). Esses são os ômegas, na verdade, mas são mascarados e fortemente encorajados pelas massas como o ser humano aceitável, como homem-líder, porcos capitalistas e de cérebros duvidosos. 

Enquanto os verdadeiros machos alfa da sociedade são verdadeiros lobos. São os que mandam na mulher mesmo… a loba se sente tão admirada por esse ser que deixa ser levada por ele. Os homens alfa de verdade sabem quem são, se parecem mesmo com o lobo líder, é forte (não por sua aparência física), mas por sua postura de dominador, protetor e decidido. Ao meu ponto de vista, o alfa não é o cara rico com um super carro, mas é aquele que sustenta não só com dinheiro, mas com parceria, humildade e na decisão de permanecer ao seu lado, liderando a própria vida e a dos outros ao redor.”9

Mark Simpson concorda com este processo feminino de adaptação social:

“Eu arrisco dizer que a crescente autossuficiência das mulheres tem estimulado o avanço da metrossexualidade masculina. Atualmente, muitos homens se veem obrigados a cuidar de si próprios, pois já não contam com uma coadjuvante feminina sempre pronta para atender a suas necessidades. A metrossexualidade faz, finalmente, com que o homem seja menos dependente da mulher, da família, embora mais dependente das revistas de beleza.”5

A Revolução Industrial e o surgimento do Capitalismo com sua noção de vencedores e perdedores, associados ao surgimento da pílula anticoncepcional e do feminismo fez com que as mulheres desejassem um marido companheiro, sensível e inteligente, que auxiliasse nas tarefas do lar, desde a faxina até o cuidado com os filhos. Este homem faria o que a mulher não estava mais conseguindo fazer, por também estar no mercado de trabalho e por não ter mais o tempo no lar que suas mães e avós tinham.

A reportagem da revista Época, descreve melhor este processo:

“Por que as representantes do sexo feminino estão deixando de lado o provedor, o protetor, para optar pelos mais sensíveis – muitas vezes profissionalmente abaixo delas? Resposta: elas não precisam mais dessas qualidades masculinas. Três décadas de emancipação foram suficientes para que elas construíssem os próprios pilares. “Uma mulher bem resolvida, profissional competente, não deseja um homem que quer mandar, competir, discutir com ela”, diz a antropóloga Mirian Goldenberg, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “O que ela quer é um companheiro que a compreenda e a apóie.” Para Mirian, quanto mais independentes forem as mulheres, mais elas poderão libertar o homem desse tipo de masculinidade competitiva que o coloca à prova o tempo inteiro.”4

Mas no Brasil, um país de cultura latina, o investimento do marketing na ideia do metrossexual não pegou muito bem, ficando o conceito pejorativo que este homem seria apenas “um gay que ainda não havia saído do armário”… As jornalistas Ticiana Azevedo e Consuelo Dieguez chegaram a publicar um livro intitulado “Cuidado! Seu príncipe pode ser uma Cinderela”, um guia prático que pretende ajudar o público feminino a identificar se o “homem dos sonhos” que tem ao lado é, na verdade, um gay sem coragem de sair do armário. 10

Originalmente, as mulheres buscavam “homens altos, com costas largas, queixo quadrado, sobrancelhas fortes e braços mais ainda”. E isto remonta ao tempo pré-histórico das cavernas, onde um ancestral fortão tinha mais chances de se defender de predadores e conseguir comida do que um franzino. “Os filhos das mulheres que se sentiam atraídas por homens fortes sobreviviam mais, graças à proteção dele, e essa característica de gostar de homem forte perseverou”, explica Soto. “Os indivíduos que sentiam desejo sexual por características que ajudavam a propagação da espécie de fato se disseminaram e hoje suas preferências em relação ao sexo oposto predominam.” 11

“Na prática, quanto mais cara de macho um homem tem, mais atraente ele é aos olhos de uma mulher — especialmente se ela está ovulando — e vice-versa. Níveis mais altos de testosterona — o chamado hormônio masculino — deixam o cara com um queixo mais quadrado e maior facilidade para desenvolver músculos. Essas características não coincidem com as do estereótipo de um galã por causa do cinema ou das revistas femininas. O fato é que homens com esse tipão têm mais chance de engravidar uma mulher — já que a testosterona também estimula a libido e a produção de espermatozoides — e de tomar conta da família, como vimos antes.”11

Mas nestas questões estão apenas relacionados os padrões instintivos, que têm sofrido modificações com a transformação do papel feminino na sociedade. Um estudo que mostra isto está na mesma reportagem citada acima:

“Outros exemplos de como a cultura influencia o desejo vêm de comparações entre países. Uma pesquisa da Universidade de Aberdeen, na Escócia, mostrou a mulheres de 30 países fotos de homens, e elas tinham que dar notas para a beleza de cada um. As cobaias recebiam os retratos em pares: o mesmo homem era representado em ambos, mas em um deles o rosto era modificado em computador para ter traços mais afeminados — sobrancelhas mais finas, maxilares menores e lábios mais carnudos, por exemplo. Depois, eles cruzaram os resultados com índices da Organização Mundial da Saúde e… Eureca! Quanto mais “saudável” a localidade — baixa mortalidade infantil, longa expectativa de vida etc. —, maior a preferência das mulheres por homens com feições femininas. Os machões estão totalmente em baixa na Suécia, por exemplo, nação com o melhor sistema de saúde entre o universo pesquisado — lá, apenas 32% das mulheres são adeptas dos rostos mais viris. Já no Brasil, 55% delas escolheram esse tipo. A antropóloga e professora da UFRJ Mirian Goldenberg, que realizou um estudo comparativo entre o comportamento das brasileiras e o das alemãs, faz coro com o resultado da pesquisa escocesa. “No Brasil, as mulheres ainda se sentem atraídas por homens altos, fortes, de tórax grande. Gostam deste tipo que parece ser fisicamente capaz de protegê-las, mas isso pode mudar com a mudança social e o enriquecimento do país.”11

Ou seja, quanto mais independente economicamente é uma mulher, mais ela vai se interessar por um homem do tipo “metrossexual” ou “beta bem sucedido”.

Um artigo interessante desenvolve este tema a partir da invenção da pílula anticoncepcional:

“Então se a mulher era atraída por machos-alfa fisicamente dominantes, então como o nerd fisicamente fraco se desenvolveu? O desenvolvimento do provedor veio com o desenvolvimento da inteligência entre nossos ancestrais. À medida que a inteligência aumentava, bebes humanos se tornavam menos maduros e o tempo requerido para criá-los amentava precisando de mais recursos. O bebe humano é muito mais frágil que os das outras espécies.

A medida que o bebe humano precisava de mais tempo pra crescer e cuidados, as fêmeas se viram na situação de não poder prover mais os recursos necessário para dar suporte as crianças até crescer. Elas precisavam de ajuda. 

Os macho-Beta que não era fisicamente fortes para dominar os outros machos descobriram que provendo comida e outros recursos para as fêmeas do grupo poderiam barganhar por sexo.

Interessantemente, os mesmo macho-alfa com alta testosterona e força física superior e agressividade natural, tiveram esses atributos como fatores negativos como provedores. Estudos mostraram que o homem com alta testosterona tem menor inteligência e menor habilidade de se concentrar em atividades mentais. 

Homens com alta testosterona tem menos chance de ter cargos executivos de topo e mais chances de ficar com trabalhos que requeiram trabalho manual e cometer crimes. Assim tinha-se de um a lado o homem forte, agressivo dominador e do outro lado o homem inteligente, legal e cooperativo.

Eventualmente a civilização se desenvolveu e inteligência e sucesso financeiro se tornaram mais importantes que força física, as fêmeas preferiram escolher o provedor pois isso resultava em proles mais bem sucedidas. Com o tempo o macho de alta testosterona teve sua proporção reduzida e o sistema social-religioso aumentava também a proporção de machos provedores. 

As mulheres procurando compromissos de longo prazo e querendo evitar uma vida de infelicidade no casamento colocaram mais prioridade em companhias com personalidades concordantes e recursos financeiros e baixa prioridade em aparência e masculinidade-alfa.”12

Concluindo esta parte da teoria, sempre houve machos e fêmeas alfa, beta e ômegas, mas o capitalismo criou a noção de que só os alfas são saudáveis, felizes e bem-sucedidos… E na impossibilidade de todos os seres humanos serem alfa, os intelectuais criaram a teoria de que é melhor ser um homem beta feliz e adaptado à uma mulher alfa, do que ser um ômega desqualificado…

Resta agora apenas perguntar: homem ou mulher, aonde você se encaixa?

Fontes: 

  1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfa_(biologia); http://es.wikipedia.org/wiki/Macho_alfa http://en.wikipedia.org/wiki/Alpha_(ethology) e http://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/lobos-lobos-alfa-e-beta-linguagem-corporal-dos-lobos-e-sua-alimentacao.htm
  2. LA TAILLE, Yves de. Formação ética: do tédio ao respeito de si. Porto Alegre: Artmed, 2009, citado em http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/viewFile/1709/922
  3. http://www.espacoacademico.com.br/023/23and.htm
  4. http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG78271-6014,00.html
  5. http://veja.abril.com.br/especiais/homem_2004/p_022.html
  6. http://revistaalfa.abril.com.br/
  7. http://revistaalfa.abril.com.br/entretenimento/sociedade/o-que-e-ser-homem/
  8. http://drpaulomaciel.com.br/as-doencas/mulheres-fibromialgia-e-outras-doencas/
  9. http://deseleganciasdiscretas.blogspot.com.br/2012/08/88a-deselegancia-macho-beta-ou-alfa-uma.html
  10. http://livraria.folha.com.br/catalogo/1145707/cuidado-seu-principe-pode-ser-uma-cinderela
  11. http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI303617-17773,00-A+EVOLUCAO+SEGUNDO+O+TESAO.html
  12. http://depaspalhoarealista.blogspot.com.br/2012/07/anticoncepcional-e-ascensao-do-macho.html

1 Comentário (+add yours?)

  1. Robson Rodrigues
    fev 12, 2014 @ 10:29:03

    O livro DAF: A Essência Perdida de I. di Renzo, aponta a provável causa desse retrocesso humano, que fez e continua a fazer com que alguns sejam alfa, beta, gama…
    O livro está em ebook na Amazom.

    Responder

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