O poder corrompe? 1ª parte

O poder corrompe?

 

É famosa a frase de que “todo poder corrompe” e também a que diz que “se quiser pôr à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”; mas será que isto é uma verdade absoluta? O poder pode corromper qualquer pessoa? Vamos examinar esta questão sob a visão da existência dos sociopatas.

Ao construir o conceito do sociopata-alfa analisei a história de pessoas conhecidas minhas que incluíam parentes, pacientes e amigos que chegaram ao poder e dele abdicaram por não concordarem com o que estavam vendo. Um deles, vereador extensamente votado em Curitiba, foi convidado a “ficar no partido até o final do mandato”, para “não manchar a campanha que o elegeu e para não levantar questionamentos éticos e legais sobre a Câmara e os processos políticos internos”.

Recentemente passamos por avalanches de reportagens sobre a corrupção na Câmara Municipal de Curitiba, sendo que uma das reportagens pode ser vista neste vídeo1:

http://www.fabiocampana.com.br/2012/06/o-caminho-da-corrupcao-da-camara-de-curitiba/

Recentemente (25/09/2011), o cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, no ano em que completou 75 anos de idade e 50 de ordenação sacerdotal, falou da necessidade dos portugueses ajudarem o Governo a encontrar soluções para ultrapassar a crise e afirmou ainda que a Igreja não devia praticar política direta, porque “O nosso ministério é de uma natureza e de uma ordem que pode ficar prejudicado se nós nos metermos na política direta como ela é feita hoje. Ninguém sai de lá com as mãos limpas. E, portanto, nós fugimos disso”.2

E ele estava coberto de razão, haja vista os escândalos que envolveram o Papa Bento XVI a partir da publicação em 2012 do livro “Sua Santidade, as cartas secretas de Bento XVI”, do jornalista italiano Gianluigi Nuzzi. O livro é baseado em cartas confidenciais destinadas ao papa Bento XVI e ao seu secretário pessoal, Gerog Gaenswein, e descreve diversas manobras internas da liderança maior da Igreja Católica:

“Jamais havia acontecido. Jamais alguém havia tido acesso aos Aposentos do Papa e à sua correspondência privada. Centenas de documentos que revelam a precariedade cotidiana da Igreja. Neste livro que tanto tem dado que falar em todo o mundo, Gianluigi Nuzzi, revela, graças a documentos fornecidos por uma fonte secreta, as histórias, as personagens e os assuntos que atualmente dividem a Igreja e estabelecem poderosas ligações entre esta e os centros de poder político. São várias as descobertas que deixam a claro as lavagens de dinheiro operadas pelos negócios da Igreja com o banco do Vaticano, que dão a conhecer a real influência que a Igreja tem na política italiana, que falam das intrigas que ocorrem no Vaticano por causa das guerras de poder internas, que revelam o dinheiro que a Igreja ganha com a pornografia, que confirmam a existência de serviços secretos no Vaticano, entre outros… A vontade de quem disponibilizou esses documentos, quebrando sigilos e colocando em risco as pessoas da sua confiança, é dar força e coragem a todos aqueles que, dentro da Igreja, não se reconhecem numa instituição que, sobretudo, gerencia benefícios, negócios e poder, e lutam para que a Igreja esteja mais próxima aos corações dos homens e reencontre o abraço solidário de todos os fiéis espalhados pelo mundo.”3

Como se não bastassem aqueles escândalos das cartas do papa Bento XVI, o núncia da Santa Sé nos EUA e ex-secretário geral do Governatorato da Cidade do Vaticano, o arcebispo Carlo Maria Viganò, denunciou em uma carta a Bento XVI a “corrupção e má gestão” na administração vaticana, informou a imprensa italiana no dia 25 de janeiro de 2012.

Os jornais Corriere della Sera e Libero Quotidiano publicaram trechos dessa carta, divulgada pelo apresentador do programa Gli Intoccabili (Os Intocáveis), do canal de televisão pago La7, Gianluigi Nuzzi, que dedicou o espaço ao assunto.

Segundo Nuzzi, citado pelo Libero Quotidiano, o arcebispo italiano, de 70 anos, enviou uma carta a Bento 16 no dia 27 de março de 2011, em que se lamentava das “corruptelas e privilégios” que tinha visto depois de assumir o cargo de secretário geral do Governatorato em julho de 2009: “Beatíssimo Padre, uma transferência minha provocaria desorientação naqueles que acreditaram que era possível sanar tantas situações de corrupção e de prevaricação há muito tempo enraizadas na gestão das diversas direções” do governo vaticano, escreveu Viganò ao papa.

Em outra carta, segundo o Corriere della Sera, Viganò escreve: “Jamais pensaria em me encontrar diante de uma situação tão desastrosa”, que, apesar de ser “inimaginável”, era “conhecida por toda a Cúria”.

O arcebispo denunciou, segundo o jornal de Milão, que, no Vaticano, “trabalham sempre as mesmas empresas, com custos dobrados em relação a outras, até porque não existe nenhuma transparência na gestão dos contratos de construção e de engenharia”.

Ele também denunciou, dentre outras coisas, que a Fábrica de São Pedro, que se encarrega da manutenção dos edifícios vaticanos, apresentou uma conta “astronômica” de 550 mil euros para a construção do tradicional presépio, que foi colocado na Praça de São Pedro em 2009.

Viganò também denunciou que os banqueiros que integram o chamado “Comitê de Finanças e Gestão” se preocupam mais com os seus interesses “do que com os nossos” e que, em dezembro de 2009, em uma operação financeira “queimaram (perderam) 2,5 milhões de dólares”.

Segundo Nuzzi, Viganò, com a sua política de rigor, fez muitos inimigos e, por isso, foi retirado do Governatorato e enviado como núncio (embaixador) aos EUA, cargo ao qual foi nomeado no último dia 19 de outubro.4

Provavelmente inimigos como os que Viganò se referiu também os teve o papa Bento XVI, já que em 10/02/2012 um jornal italiano revelou um suposto complô para matar o papa dentro de 12 meses, cujo plano de assassinato foi entregue para ele num documento escrito em alemão pelo cardeal colombiano Dario Castrillón Hoyos.  O jornal italiano “Il Fatto Quotidiano” informou que Castrillón escreveu sobre o que disse o cardeal e arcebispo de Palermo, Paolo Romeo, durante algumas conversas na China em novembro: “Seguro de si mesmo, como se soubesse com precisão, o cardeal Romeo anunciou que ao Santo Padre restam apenas 12 meses de vida”, diz a tradução do documento. Durante estas conversas, Romeo assegurou que Bento XVI estava também preparando sua sucessão e que tinha indicado o nome do cardeal e arcebispo de Milão, Angelo Scola (que estava cotado como um dos favoritos, ao lado do brasileiro Dom Odilo Scherer).

Castrillón se inteirou destas conversas e decidiu escrever ao papa no dia 30 de dezembro de 2011, e Bento XVI recebeu a mensagem alguns dias depois.

O porta-voz do escritório de imprensa do Vaticano, o jesuíta Federico Lombardi, questionado pelo jornal afirmou que a informação estava “tão fora da realidade e tão pouco séria que não podia ser levada em consideração”.

“Parece incrível e não quero nem comentar”, acrescentou Lombardi, segundo o jornal.5

À parte das teorias da conspiração e apenas alegando a sua idade avançada, o papa Bento XVI anunciou sua renúncia ao papado na manhã do dia 11 de fevereiro de 2013 (exatamente um ano após o aviso do complô para seu assassinato), quando o Vaticano confirmou que ele renunciaria ao papado em 28 de fevereiro, às 20h. E, ainda mais estranho, em vez dos cardeais mais cotados (Angelo Scola e Odilo Scherer), o Vaticano escolheu um padre jesuíta (o primeiro da história), como o Federico Lombardi que não quis “nem comentar” o assunto do complô.

Confirmando a profecia de D. José Policarpo, voltemos à questão da “sujeira” na política, por ele citada na entrevista.

Um dos exemplos mais recentes e marcantes de denúncia política no Brasil é do comediante Tiririca, Francisco Everardo Oliveira Silva, filiado ao Partido da República, que foi eleito em 2010 como deputado federal por São Paulo, tendo sido o segundo deputado mais votado em toda a história do Brasil, com 1,350 milhão de votos válidos (o primeiro lugar cabe a Enéas Carneiro do Prona, que em 2002 recebeu 1,571 milhão de votos). Na metade do seu mandato, Tiririca começou a ameaçar entregar o seu cargo, afirmando ter aprendido muito durante seus 2 anos na Câmara dos Deputados e dizendo: “Aqui é uma escola. Se aprende tanto ir para o caminho legal quanto ir para o outro caminho”. Ao se eleger, uma das suas promessas era descobrir o que fazia um deputado, mas segundo ele mesmo, percebeu que “não dá para fazer muita coisa”: ”Eu pensei que chegando à condição que eu cheguei, ia lá e ia aprovar projetos que iam beneficiar a população e essas coisas todas, mas não é assim. Há outros interesses”, disse.6

Mas bem recentemente, em maio de 2013, Tiririca mudou de ideia e agora diz que vai continuar na ‘vida política’. “Ele estava pensando em não concorrer mais porque ficou desanimado com a dificuldade de aprovar seus projetos na Câmara, foi uma decepção para ele. Mas o líder Anthony Garotinho explicou para ele a questão das medidas provisórias, que ocupam os trabalhos da Câmara”, disse o presidente do PR-SP, Tadeu Candelária; “mas dissemos que vamos continuar trabalhando, que ele vai conseguir colocar as propostas em evidência e em prioridade”, completou. O presidente do PR-SP admite que o partido se esforçou para manter Tiririca na política. “É um grande puxador de votos, isso também interessa ao partido. O partido também pensa nisso, é um interesse comum”, afirmou Tadeu Candelária, ressaltando que ainda está em aberto à definição sobre qual cargo Tiririca poderá disputar no futuro.7

Eis a mesma história contada por meu paciente…

Mas porque o cardeal português afirmou que “ninguém sai da política com as mãos limpas”?

Vejamos: se uma pessoa honesta está dentro de um sistema maculado e corrupto, ela pode tomar uma das seguintes atitudes:

  1. Denunciar os mecanismos da corrupção e entregar os seus agentes para o conhecimento público;
  2. Sair do lugar que está ocupando para não se corromper e ficar calado, alegando “motivos pessoais” ou “motivos maiores”;
  3. Ficar e permanecer calado, para não denunciar e nem manchar o nome dos seus correligionários corruptos;
  4. Ficar e entrar no esquema da corrupção.

 A maioria das pessoas que citei acima preferiu a segunda opção, saindo e permanecendo em silêncio e contando apenas para pessoas confiáveis o que viram e vivenciaram…

A primeira opção costuma acontecer apenas quando um acusado de corrupção se protege e se defende, acusando outras pessoas do mesmo crime para receber proteção ou benefícios. São os casos muito conhecidos no Brasil de Roberto Jefferson Monteiro Francisco8, advogado e político brasileiro, e presidente nacional do PTB e de Marcos Valério Fernandes de Souza9, empresário brasileiro da área publicitária, tornado nacionalmente conhecido em 2005 por seu envolvimento no chamado escândalo do mensalão.

Com base em dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral10 divulgou um balanço, em 4 de outubro de 2007, com os partidos com maior número de parlamentares cassados por corrupção desde o ano 2000, sendo os 10 primeiros da lista: 1º – Democratas      DEM = 69 (20,4%); 2º – Partido do Movimento Democrático Brasileiro PMDB = 66 (19,5%); 3º – Partido da Social Democracia Brasileira PSDB  = 58     (17,1%); 4º – Partido Progressista PP =  26 (7,7%); 5º – Partido Trabalhista Brasileiro PTB = 24 (7,1%); 6º – Partido Democrático  Trabalhista PDT = 23 (6,8%); 7º – Partido da República PR = 17 (5%); 8º – Partido Popular Socialista PPS = 14 (4,1%); 9º – Partido dos Trabalhadores PT = 10 (2,9%); 10º – Partido Progressista Brasileiro PPB = 8 (2,4%).11

A terceira opção descrita recai sob o crime de “Corrupção passiva”, que no direito penal brasileiro, é um dos crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral. Definida no Código Penal Brasileiro em seu artigo 317, como o crime de “solicitar ou receber, para si ou para outros, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem.”12

E a quarta opção enquadra-se no crime definido como “Corrupção ativa” no artigo 333 do Código Penal: “Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício”.13

Os que denunciam correm o risco de serem condenados ou mesmo assassinados, como “queima de arquivos”. Os que se calam, normalmente levam suas vidas atormentados pela crise de consciência, que os sociopatas não possuem!

Então minha conclusão é a de que o poder não corrompe qualquer pessoa, mas sim os que são corruptíveis, ou seja, os sociopatas!

As frases citadas no início da página são creditadas a dois personagens da história, Lord Acton e Abraham Lincoln:

E, lembre-se, quando se tem uma concentração de poder em poucas mãos, frequentemente homens com mentalidade de gangsters detêm o controle. A história provou isso. Todo o poder corrompe: o poder absoluto corrompe absolutamente.” Lord Acton, 1887. 14

“Quase todos os homens são capazes de suportar adversidade, mas se quiser pôr à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder.” Abraham Lincoln. 15

Lord Acton percebe isto, afirmando: “quando se tem uma concentração de poder em poucas mãos, frequentemente homens com mentalidade de gangsters detêm o controle.

Quanto à frase, de Lincoln, outro pensador famoso, o russo Mikhail Aleksandrovitch Bakunin, escreveu: “Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana.” 16

Afinal, qual é a “natureza humana” e quem são aqueles “homens com mentalidade de gangsters” citados por Lord Acton?

Em seu texto “Corrupção: Fator de Progresso?”, Antenor Batista afirma que: “O homem é por natureza egoísta e ambicioso, portanto, extremamente competitivo, fruto do processo de seleção das espécies, por isso, sujeito à lei do mais forte ou ao princípio de comer ou ser comido, num mecanismo inteligente que alimenta a ambição, sem o qual as coisas não se transformariam dinamicamente, pois na natureza ou no universo, tudo é dinâmico, nada é estático.” E também: “A corrupção ou inclinação para ser corrupto ou corruptor, é um dos ingredientes da natureza humana, acionado pelo egoísmo que por sua vez, aciona a ambição, ambos são muito dinâmicos. Logo, a corrupção e seus terríveis efeitos também o são.” 17

Poderíamos, como este autor, concordar com a frase de Sigmund Freud: “O homem é mau, violento, sovina ou invejoso, não por sua própria escolha, e sim levado a esses estados por forças além de seu controle”. 18

Acreditava Freud que a felicidade não se tratasse de um valor cultural e que o homem social fosse essencialmente alguém triste, infeliz. “O Mal-Estar na Civilização” (Freud, 1930) ou (“A Infelicidade na Cultura”, – título sugerido anteriormente por Freud) conta-nos que a ‘vida alheia’ é fundamentalmente, para o indivíduo social, motivo de angústia, resignação e sofrimento. De fato Freud responsabiliza a civilização pela infelicidade humana, e, ao mesmo tempo, culpa o homem, individualmente, por suas mazelas. Segundo ele, cada ser humano é, por natureza, destrutivo e egoísta e como tal, responsável pelas infelicidades da civilização da qual é parte inerente: “Homo homini lupus” [O homem é o lobo do homem], conclui ele. Freud pensava ainda que a civilização “restritiva, vingativa e cruel” é um mal necessário para a contenção da destrutividade humana. (Marcuse,1966). Cada indivíduo tem a civilização que merece. Pensando assim, a teoria freudiana concebeu um sujeito originalmente destrutivo, egoísta e desesperançado. Seria a constatação da maldade intrínseca, do primário egoísmo humano, a razção da desesperança do sujeito freudiano, ou, ao contrário, desesperançado, o sujeito freudiano ter-se-ia enclausurado no reino da autossatisfação pulsional, numa busca desesperada de felicidade, e daí surgido a ideia do “princípio do prazer”, como motivação maior para a sua conduta?

Existem semelhanças entre as teorias sociais de Freud e Hobbes (Hanly, 1995). O ‘homo homini lupus’ tal qual ‘Leviatã’, (o monstro integrado por seres humanos) é essencialmente egoísta, destrutivo e igualmente precisa ser domado em prol da civilização, Segundo Hobbes, a primeira lei fundamental da natureza humana ordena que: “cada homem deve esforçar-se pela paz, enquanto tiver esperança de alcançá-la: e quando não puder obtê-la, deve buscar todas as ajudas e vantagens da guerra”. (Hobbes, 1651, p.107). 19

Esta tendência natural do homem para o “mal” e para o “egoísmo” já deu muito trabalho para as religiões que dizem que fomos criados por Deus: E disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Gênesis 1:26

Mas, se somos criados de conformidade com Deus, porque tendemos para o mal?

A questão do pecado aparece no cristianismo principalmente em Agostinho de Hipona (Santo Agostinho), que associa o pecado à culpa herdada por todo o gênero humano depois que Adão e Eva sucumbiram à tentação do Diabo e, devido ao seu orgulho e egoísmo, rejeitaram o amor e a obediência devida a Deus. Assim sendo, o pecado original tem para Agostinho um caráter congênito e hereditário, pois em Adão toda a humanidade pecou, abrindo as portas para a entrada do mal, da morte física e espiritual e de todas as suas consequências.

Surge então a questão do Pelagianismo. Pelágio (360 a 435 d.C.) vê no pecado uma espécie de exemplo a não ser seguido, o que faria com que a salvação dependesse exclusivamente do ser humano. Segundo Pelágio o pecado não seria congênito nem transmitido, mas seria adquirido por imitação. Para Pelágio, o homem nasceria bom e inocente. Agostinho discorda dessa tese e vê nas doutrinas pelagianas a manifestação da presunção humana que erroneamente levaria a supor que a salvação depende apenas de nossa vontade, de nossos próprio atos, escolhas e obras, negando o caráter salvador e redentor de Jesus Cristo. A visão agostiniana do pecado original foi herdada por todo o cristianismo ocidental e está presente em todas as denominações cristãs históricas católicas ou protestantes.

Para o Judaísmo e o Islamismo, não há pecado original. Judeus e muçulmanos adotam a doutrina pelagiana, embora segundo a doutrina muçulmana todos os seres humanos (exceto a Virgem Maria) ao nascerem sejam tocados pelo Diabo. 20

Poderíamos ir até por um caminho perigoso em termos de questionamento teológico, mas inovador, na busca de uma resposta do porque o homem tende para o mal e para o egoísmo, sendo criado “à imagem e semelhança de Deus”. Se formos prestar atenção às falas de Yahweh, encontraremos muitas semelhanças ao padrão que estamos estudando:

Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. E disse o SENHOR: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito. Gênesis 6:6-7

Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim.  Êxodo 20:1-3

Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. Êxodo 20:5

E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o SENHOR. Êxodo 12:12

Afinal, voltando a nós, pobres mortais, somos todos naturalmente egoístas, maus e corruptos?

Em seu livro sobre psicopatia “Homens maus fazem o que homens bons sonham”, Robert Simon diz que sim: “A diferença básica entre o que a sociedade considera como boas ou más as pessoas não é uma questão de tipo, mas sim de grau, e envolve a habilidade do mal para traduzir impulsos obscuros em ações obscuras”. Qualquer pessoa pode se tornar violenta, ou mesmo assassina, em determinadas circunstâncias. 21

Mas ele também escreve em sua introdução: “O que nos faz essencialmente humanos é nossa capacidade de voltar nossa mente para nós mesmos, iluminando nossos demônios e, assim, dominando-os e fazendo com que trabalhem em nosso favor. Os homens “maus” não conseguem fazer isso. Seu fracasso em termos de autorreflexão e autocontrole é bombástico. 22

Ele cita, por exemplo: “No século XX assistimos ao genocídio de armênios por turcos, estimado em um milhão de pessoas e à matança de 2 milhões de cambojanos pelo Khmer Vermelho. Em 1994, mais de 500 mil pessoas foram massacradas no genocídio de Ruanda. Mas Stalin não puxou o gatilho de cada arma, nem foi Hitler quem abriu a torneira de gás das câmaras de extermínio. Será que todos os que participaram e viabilizaram esses assassinatos eram doentes mentais? Muitos carrascos nazistas, após terem passado o dia exterminando mulheres, crianças e idosos, voltavam para casa e retomavam sua rotina confortável e normal no seio da família. Comiam bem, ouviam música erudita, liam bons livros, faziam amor com suas mulheres, abraçavam e brincavam com seus filhos. Como era possível que a mente desses carrascos conseguisse justapor, às atrocidades cometidas durante o dia, esse final de noite de paz no ambiente doméstico?” 23

Será que os perpetradores de atos tão terríveis são psicopatas sádicos? Com certeza, alguns o são, mas também é certo que seus atos foram facilitados e tiveram respaldo em um infraestrutura de cúmplices colaboradores, cuja avaliação psiquiátrica, provavelmente, seria normal. Para cada homicida ou torturador que participava desses assassinatos em massa, havia “administradores” que participavam atendendo ao telefone, cuidando dos registros, dirigindo os carros e realizando outras tarefas diárias, de modo que o “negócio” da tortura e do assassinato pudesse seguir seu caminho – apenas um trabalho de rotina para um administrador em um escritório. 24

Mesmo Simom afirmando que estas pessoas “provavelmente eram normais” e não sociopatas, como saber se isto não é apenas um romantismo do pesquisador? Devemos nos lembrar de que se 4% da população mundial é sociopata e a Alemanha em 1939 tinha aproximadamente 80 milhões de alemães, isso daria uma média de 3.200.000 sociopatas distribuídos por todo o país. Quantos destes milhões estavam atendendo telefones e carimbando envio de judeus para os campos de concentração e depois iam para suas casas “fazer amos com suas mulheres”? 25

A suspensão da empatia é necessária para que alguém possa prejudicar intencionalmente outras pessoas e, na maioria das vezes, isso é acompanhado de mecanismos psicológicos de desvalorização e projeção de imagens. Os indivíduos que têm a intenção de cometer o mal, em primeiro lugar, desumanizam suas vítimas e, em seguida, projetam nelas seus próprios traços rejeitados e inaceitáveis e seus conflitos internos. Esses mesmos mecanismos estão envolvidos nos preconceitos e no uso do chamado bode expiatório. 26

A questão é que, em todos os casos de extermínio em massa e atos sádicos, deve haver falha de empatia e cuidado para com os outros; e um grande excesso de projeção de pensamentos e de sentimentos inaceitáveis deve ocorrer para permitir que os executores enxerguem suas vítimas como um “lixo humano detestável”. 27

Além dessas considerações, o restante do livro do Dr. Simon é uma descrição dos psicopatas e suas atitudes ao longo da história humana: chefes assediadores, traidores e manipuladores, líderes messiânicos e estupradores em série.

Mas vamos então tentar identificar quais são as pessoas dessas histórias que se classificam como sociopatas e quais são as “normais”, ou neuróticas tradicionais.

Simon cita que em 1941, em seu livro clássico The Mask os Sanity, o Dr. Hervey Cleckley apresentou uma definição clínica da personalidade psicopática. Ele descreveu o psicopata como alguém que mostra sinais de ausência de sentimento de culpa, charme superficial, egocentrismo (egoísmo extremo), incapacidade para amar, ausência de vergonha ou remorso, falta de percepção psicológica e incapacidade para aprender com as experiências passadas.” 28

O DSM-II, publicado em 1968, mudou o termo psicopata para sociopata e o definiu mais claramente:

O termo deve ser reservado para indivíduos que sejam, basicamente, não socializáveis e cujo padrão de comportamento os coloque, repetidas vezes, em situação de conflito com a sociedade. Esses indivíduos são incapazes de demonstrar lealdade significativa por indivíduos, por grupos ou por valores sociais. São acentuadamente egoístas, insensíveis, irresponsáveis, impulsivos e incapazes de sentir culpa ou aprender pela experiência ou pela punição. Sua tolerância à frustração é baixa. Eles tendem a culpar os outros ou apresentar razões plausíveis para o seu comportamento. O simples fato de ter um histórico de ofensas sociais ou legais repetitivas não é suficiente para justificar esse diagnóstico. 29

O psicopata manifesta, tipicamente, um excesso patológico de autovalorização, ou narcisismo, que se traduz em egocentrismo excessivo. Outros traços característicos são a megalomania (que se manifesta por exibicionismo não sexual), a falta de responsabilidade, o excesso de ambição, uma atitude de superioridade, uma dependência exagerada de admiração e, alternando com esses traços, surtos de insegurança e superficialidade emocional. 30

Este é o motivo pelo qual lemos que ministros desviaram 5, 100 e até 200 milhões de Reais dos cofres públicos e parece não haver limite para sua corrupção a não ser que haja denúncias e afastamento do acusado:

“A corrupção no Brasil é cultural, é sistêmica… de 5.500 municípios do País, 1.041 já foram investigados. Ou seja, cerca de 20% do total… o que posso dizer é que o percentual de casos em que encontramos corrupção está na faixa de 70%, 80%. Em alguns casos chega a 85%… foram investigados de forma direta cerca de R$ 6 bilhões das transferências federais aos municípios… O modus operandi é extremamente diversificado. A criatividade nacional, a imaginação brasileira, é insuperável… rouba-se muito no Brasil, do Oiapoque ao Chuí.”

Estas frases são de Jorge Hage Sobrinho, que era ministro interino da Controladoria Geral da União em 2006 e atual ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU). E completa, dizendo: “Temos 500 anos de cultura de corrupção e de impunidade no Brasil. Isso começou com a chegada dos descobridores, não é novidade para ninguém. Tudo que está sendo revelado agora sempre existiu nesse País”.

Estes sociopatas roubam até merenda escolar e vão para casa “dormir o sono dos justos”:

Quer dizer, roubam na merenda das crianças?: Roubam as merendas das crianças. Descobriu-se o seguinte: uma empresa sediada em São Paulo, através de sua representação no estado, articulava com as prefeituras um kit corrupção. Eles orientavam o prefeito desde a forma como fazer o edital direcionado para que só aquela empresa vencesse, a forma de atestar o recebimento dos gêneros alimentícios, atestando que foi recebida quantidade maior, às vezes o dobro do que efetivamente foi entregue. Para depois dividirem o lucro entre o empresário e o prefeito.

Um tema que é importante ser esmiuçado: quanto se rouba no Brasil? E como se rouba o dinheiro público?: O modus operandi é extremamente diversificado. A criatividade nacional, a imaginação brasileira, é insuperável… A cada dia a gente sempre vai descobrindo as novas formas criadas.

São incontáveis as modalidades de roubo?: Muito variadas, e algumas áreas merecem destaque. As áreas dos contratos de publicidade, as áreas dos contratos de consultoria, além das tradicionais empreiteiras. As empreiteiras sempre foram um foco principal… Bem, por isso tudo aí muita falcatrua estava passando. Desde quando? Desde a década de 90, pelo menos. Não é de agora.” 31

Agora voltamos à questão da primeira página sobre a “percepção da corrupção”:

“Por que essa percepção de que estaríamos vivendo um período de corrupção avassaladora?: O que aumentou foi o combate e a visibilidade da corrupção. Por isso aumenta a percepção da corrupção. E todo mundo sabe que o que está sendo descoberto agora vem de longe. Sempre esteve aí, só que encoberto. A lama estava encoberta, o que estamos fazendo é trazê-la para a superfície. A população respondeu isso numa pesquisa do Ibope. Foi perguntado a ela se estava aumentando a corrupção ou aumentando o combate à corrupção. Resposta: está aumentando o combate e por isso se vê mais corrupção.

Mas o senhor concordaria com a afirmação, depois de toda essa experiência aqui e depois desse relato, que rouba-se muito dinheiro público no Brasil, do Oiapoque ao Chuí?: Sem a menor dúvida. E quando se rouba do Iapoque ao Chuí nas esferas mais próximas do cidadão, na administração local, na administração municipal e estadual, aí é que a coisa é mais doída. Porque atinge de forma mais direta o cidadão. O roubo do dinheiro da saúde, do posto médico, a falta do remédio, a falta da merenda escolar atinge mais diretamente o cidadão.

E olhe como Jorge Hage Sobrinho, no lugar de ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, finaliza a entrevista sobre a corrupção:

É possível quantificar uma taxa média brasileira de corrupção?: Se você se refere à taxa média de propina, não… o que posso dizer é aquela taxa de percentual de casos em que encontramos corrupção, que é nessa faixa de 70%, 80%, no caso das administrações municipais. Isso no sentido amplo, atos de improbidade. Em apenas 20%, 30% há apenas despreparo, falta de condições técnicas.” 32

Será que o Brasil realmente está atualmente no 69º lugar entre os 176 países observados? Para ver isto com clareza, teríamos que estudar quais ONGs brasileiras foram as responsáveis pela avaliação da “percepção da corrupção” nestes últimos anos, já que muitas ONGs estiveram, elas mesmas, envolvidas em muitos escândalos de corrupção:

“As Organizações Não Governamentais (ONGs) voltaram a ter destaque nos noticiários devido às denúncias de corrupção. O caso mais recente envolveu o Ministério do Esporte e o programa Segundo Tempo, no entanto este não é um caso isolado de mau uso do dinheiro público. Segundo informações do G1, em 2010 o governo federal destinou R$ 3,5 bilhões às ONGs. No entanto, os especialistas alertam que a fiscalização, em relação à forma como esse dinheiro é empregado, ainda é muito precária. Dessa maneira, o desvio de verbas é muito comum. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), R$ 800 milhões do dinheiro investido em ONGs foi distribuído entre 15 organizações apenas! 33

“O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso afirmou que organizações não-governamentais (ONGs) para obter dinheiro para a corrupção estão em moda no país e que falta fiscalização do trabalho das entidades.

Em congresso sobre fundações e entidades de interesse social, promovido pelo Ministério Público Estadual de São Paulo nesta segunda-feira, FH criticou a relação das organizações-não governamentais com os partidos políticos.

– As ONGs nasceram como uma coisa espontânea, fora dos partidos. Quando existe uma cooptação das ONGs pelos partidos ou quando os partidos criam uma ONG para obter contratos, isso não é ONG, isso é um braço do partido disfarçado para poder obter um fundo que não é legítimo. Um (braço do) partido ou ministério ou quem quer que seja. Tem que separar o joio do trigo – disse.

O ex-presidente disse que a própria Controladoria Geral da União (CGU) tem reclamado da falta de controle do governo sobre as ONGs.” 34

 

Fontes: 

  1. O caminho da corrupção da Câmara de Curitiba, 22 de Junho de 2012 – http://www.fabiocampana.com.br/2012/06/o-caminho-da-corrupcao-da-camara-de-curitiba/
  2. Ninguém sai da política “com as mãos limpas”, 25/09/2011http://www.jn.pt/multimedia/video.aspx?content_id=2017502
  3. Gianluigi Nuzzi, Sua Santidade, as cartas secretas de Bento VXI, Ed. Leya, 2012.
  4. Ex-administrador afirma ter visto ‘privilégios’ nas finanças do Vaticano, 28/01/2012, do site Religion Digital, http://www.paulopes.com.br/2012/01/ex-administrador-afirma-ter-visto.html#.UbPCbfnVC3E.
  5. Jornal italiano revela suposto complô para matar o Papa Bento XVI, 10/02/2012 – http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/02/jornal-italiano-revela-suposto-complo-para-matar-o-papa-bento-xvi.html
  6. Tiririca pode deixar a política e voltar a ser palhaço, 05/02/2012 –  http://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?codigo=353765.
  7. Tiririca muda de ideia e agora diz que vai continuar na ‘vida política’, 28/02/2012 – http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/05/tiririca-muda-de-ideia-e-agora-diz-que-vai-continuar-na-vida-politica.html.
  8. Roberto Jefferson – Wikipédia, a enciclopédia livre – http://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Jefferson
  9. Marcos Valério Fernandes de Souza – Wikipédia, a enciclopédia livre –http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcos_Val%C3%A9rio_Fernandes_de_Souza
  10. Partido Trabalhista Brasileiro – Wikipédia, a enciclopédia livre –http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Trabalhista_Brasileiro#Ranking_da_corrup.C3.A7.C3.A3o.
  11. Dossiê do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – Wikipédia, a enciclopédia livre –http://pt.wikipedia.org/wiki/Dossi%C3%AA_do_Movimento_de_Combate_%C3%A0_Corrup%C3%A7%C3%A3o_Eleitoral.
  12. Corrupção passivaWikipédia, a enciclopédia livre –http://pt.wikipedia.org/wiki/Corrup%C3%A7%C3%A3o_passiva.
  13. Art. 333 do Código Penal – Decreto Lei 2848/40 – http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2319490/art-333-do-codigo-penal-decreto-lei-2848-40.
  14. Lord Acton, em carta ao Bispo M.Creighton, 1887, citado em Lord Acton e a marcha da liberdade – http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2002/07/31/001.htm.
  15. Abraham Lincoln – Wikipédia, a enciclopédia livre –http://pt.wikiquote.org/wiki/Abraham_Lincoln.
  16. Mikhail BakuninWikipédia, a enciclopédia livre –http://pt.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Bakunin.
  17. Antenor Batista, Corrupção: Fator de Progresso? http://www.dnit.gov.br/institucional/comissao-de-etica/artigos-e-publicacoes/publicacoes/Corrupcao%20no%20Brasil.pdf.
  18. Ibidem.
  19. Anna Luiza Kauffmann, Ética; cada um alguém: sobre as possibilidades de uma ética altruísta  http://www.academia.edu/285215/Etica_cada_um_alguem_sobre_as_pssibilidades_de_uma_etica_altruista.
  20. Pecado original – Wikipédia, a enciclopédia livre – http://pt.wikipedia.org/wiki/Pecado_original.
  21. Robert Simon, “Homens maus fazem o que homens bons sonham”, Ed. Armed, 2009, p.21.
  22. Ibidem, pp. 17-18]
  23. Ibidem, pp.28-29]
  24. Ibidem, p.42]
  25. Invasão da Polónia, II Guerra Mundial / Frente Leste – http://www.areamilitar.net/HISTbcr.aspx?N=75.
  26. Robert Simon, “Homens maus fazem o que homens bons sonham”, Ed. Armed, 2009, pp.40-41.
  27. Ibidem, 2009, p.42.
  28. Ibidem, p.53.
  29. Ibidem, p.53.
  30. Ibidem, p.55.
  31. Rouba-se em até 80% dos municípios, diz Ministro, 17 DE ABRIL DE 2006 – http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI961203-EI6578,00.html
  32. Rouba-se em até 80% dos municípios, diz Ministro, 17 DE ABRIL DE 2006 – http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI961203-EI6578,00.html.
  33. Casos de corrupção reduzem credibilidade de ONGs nacionais, 24/10/2011, http://ciclovivo.com.br/noticia/casos_de_corrupcao_reduzem_credibilidade_de_ongs_nacionais.
  34. FH: ONGs para obter dinheiro para corrupção viraram moda, 21/01/2012,  http://oglobo.globo.com/pais/fh-ongs-para-obter-dinheiro-para-corrupcao-viraram-moda-3285803.

 

Anúncios

1 Comentário (+add yours?)

  1. Celso Eduardo Machado
    jun 10, 2013 @ 00:26:05

    O ser humano, ao exercer uma função social de alguma relevância, passa a falar em nome de um grupo social, e muda. Praticamente todos caem num círculo vicioso: precisa de Poder para satisfazer a Vaidade, para ter poder, precisa de Dinheiro (ou algo que possa agregar outros indivíduos), e para tanto, tem que abrir mão de seus princípios. Como não há limites para Vaidade, Poder e Dinheiro,.a roda não pára de girar.
    Se quiser saber mais sobre o funcionamento recente do Vaticano, há 2 livros de David Yallop: Em nome de Deus (só em sebos, se achar), sobre os 33 dias do pontificado de João Paulo I, e o Poder e a Glória, sobre o de João Paulo II. Tomando esta igreja como exemplo de uso e abuso do poder, se voltar mais, é só acompanhar a atuação desta organização, desde as suas origens. Seu período de maior glória terrena, foi o de maiores descabros morais.

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: