Psicopatia e Sociopatia

O psicopata e o sociopata

 Nesta segunda parte da minha teoria vem o tema mais importante e crucial a ser esclarecido: a existência e a identificação dos psicopatas e dos sociopatas!

Eu comecei a pensar nesta teoria a partir do seguinte questionamento dos meus amigos, parentes e pacientes: “Como pode um político roubar do povo e conseguir colocar a cabeça no travesseiro e dormir com a consciência tranquila?”. A resposta, simples e direta a estas perguntas é: “Eles não têm consciência!” Surpreso? Então vamos analisar melhor esta questão:

A psiquiatria classifica os seres humanos em três níveis de sofrimento mental e de comportamento: 1. Os Neuróticos; 2. Os Psicóticos e 3. Os portadores de Transtornos de Personalidade.

Vou descrever rapidamente sobre os dois primeiros tipos para depois adentrarmos no tema da sociopatia/psicopatia.

 Neurose

Dentro desta classificação de três níveis, a imensa maioria das pessoas se encaixa no diagnóstico da neurose, como dizia Freud: “Sem querer pintar todas as ovelhinhas de preto, somos todos neuróticos”. O que diferencia as pessoas neste sentido da sua neurose é o seu “grau”: de leve a extremamente incapacitante. A Neurose, por definição, é uma “reação exagerada do sistema emocional em relação a uma experiência vivida” (Reação Vivencial). Sendo assim a Neurose é uma maneira da pessoa ser e de reagir à vida, associada a traços de sua personalidade. Essa maneira de ser neurótica significa que a pessoa reage à vida através de reações vivenciais não normais ou saudáveis; seja no sentido dessas reações serem desproporcionais, seja pelo fato de serem muito duradouras, seja pelo fato delas existirem mesmo sem que exista uma causa vivencial aparente.1

O termo neurose (do grego neuron (nervo) e osis (condição doente ou anormal)) foi criado pelo médico escocês William Cullen em 1787 para indicar “desordens de sentidos e movimento” causadas por “efeitos gerais do sistema nervoso”.2

Para fins de desenvolvimento desta teoria vou usar mais o conceito psicanalítico da neurose do que o conceito médico da mesma, já que ela está relacionada diretamente à questão da consciência e dos seus variados conflitos e não dos seus “mecanismos de defesa” derivativos. Isto porque na nona edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-9) havia uma categoria própria de transtornos para “Neuroses”, mas o termo passou a ser usado na décima edição (CID-10) em 1994 apenas descritivamente (não mais “neuroses”, mas “transtornos neuróticos”) e não para todas as categorias que ele tradicionalmente designava.2

Atualmente o CID-10 classifica os seguintes “Transtornos Neuróticos” em sete tipos:

 F40 Transtornos Fóbico-Ansiosos

F41 Outros Transtornos Ansiosos

F42 Transtorno Obsessivo-Compulsivo

F43 Reações ao Estresse Grave e Transtornos de Adaptação

F44 Transtornos Dissociativos [de Conversão]

F45 Transtornos Somatoformes

F48 Outros Transtornos Neuróticos

Ou seja, na presença de uma neurose, cada pessoa vai reagir e sofrer de uma forma em particular, dependendo de diversas causas e interferências: culturais, genéticas e constitucionais. Essa maneira exagerada de reagir leva a pessoa neurótica a adotar uma serie de comportamentos compatíveis com o que está sentindo.1

ansiedade provoca tensão, motivando o indivíduo a tomar alguma atitude para reduzi-la. De acordo com a teoria de Freud, o ego desenvolve um sistema de proteção – os chamados mecanismos de defesa – que consistem nas negações inconscientes ou distorções da realidade.

Estes mecanismos de defesa que geram os transtornos neuróticos são comportamentos que representam as negações inconscientes ou distorções da realidade, mas que são adotados para proteger o ego contra a ansiedade: Negação, Deslocamento, Projeção, Racionalização, Formação de reação, Regressão, Repressão e Sublimação.

Voltando à psicanálise, a ansiedade funciona como um alerta das ameaças contra o ego. Freud descreveu três tipos de ansiedade:ansiedade objetiva surge do medo dos perigos reais; os outros dois tipos, a ansiedade neurótica e a ansiedade moral, derivam da ansiedade subjetiva.

ansiedade neurótica surge diante do reconhecimento dos perigos potenciais inerentes à satisfação dos instintos do id (inconsciente). Não se trata dos instintos propriamente ditos, mas do temor à provável punição em consequência de algum comportamento indiscriminado dominado pelo id. Em outras palavras, a ansiedade neurótica é o medo da punição por expressar os desejos impulsivos.

ansiedade moral surge do medo da consciência. Quando realizamos – ou mesmo pensamos em realizar – algum ato contrário aos valores morais da nossa consciência, é bem provável sentirmos culpa ou vergonha. O nível de ansiedade moral resultante depende do quão desenvolvida é a nossa consciência. As pessoas com menos virtudes apresentam menos ansiedade moral. 3

Minha definição pessoal geral de neurose é a “dificuldade em decidir qual decisão tomar frente a possibilidades opostas e conflitantes”. Estas possibilidades são duas: 1. O que eu quero fazer; e 2. O que eu posso fazer: o que eu quero vem dos meus instintos, desejos, emoções e vontades; o que eu posso vem da cultura, religião e legislação. O ego “eu” fica dividido entre estas forças e a resultante depende do grau da neurose. Este grau da neurose está relacionado ao grau da dificuldade gerada pelos conflitos: uma pessoa que faz uma escolha fácil e fica com medo de ter errado na decisão tem um grau leve de neurose; a que faz uma escolha e se mortifica constantemente pela escolha feita tem um grau intermediário e uma pessoa que não faz a escolha por medo de errar tem um grau elevado de neurose.

Portanto, voltando à pergunta inicial das pessoas (“Como pode um político roubar do povo e conseguir colocar a cabeça no travesseiro e dormir com a consciência tranquila?”), está implícito que quem faz a pergunta tem um certo grau de neurose que justificaria o sofrimento pelo crime cometido. Esta pessoa certamente teria crises de consciência moral, pela culpa gerada pelo erro, e isto não a deixaria dormir tranquila “como dormem os justos”.

Se você, leitor, se identificou com algumas destas descrições, certamente é um simples neurótico; senão, se encaixará em uma das outras tipologias!

Psicose

A Psicose é um quadro psicopatológico clássico, reconhecido pela psiquiatria, pela psicologia clínica e pela psicanálise como um estado psíquico no qual se verifica certa “perda de contato com a realidade”. Nos períodos de crises mais intensas podem ocorrer (variando de caso a caso) alucinações ou delírios, desorganização psíquica que inclua pensamento desorganizado e/ou paranóide, acentuada inquietude psicomotora, sensações de angústia intensa e opressão, e insônia severa. Tal é frequentemente acompanhado por uma falta de “crítica” ou de “insight” que se traduz numa incapacidade de reconhecer o carácter estranho ou bizarro do comportamento. Desta forma surgem também, nos momentos de crise, dificuldades de interação social e em cumprir normalmente as atividades de vida diária. 4

Para o leigo, o psicótico é o popular “louco”; para o psiquiatra, é o esquizofrênico. A palavra esquizofrenia deriva do grego: esquizo = partido e frenos = mente (do grego σχιζοφρενία; σχίζειν, “dividir”; e φρήν, “phren”, “phrenés”, no grego antigo é a parte do corpo que faz a ligação entre o corpo e a alma)

“A psicose propriamente dita começa a partir do ponto em que o paciente relaciona-se com objetos e coisas que não existem no nosso mundo. Modifica seus planos, suas ideias, suas convicções, seu comportamento por causa de ideias absurdas, incompreensíveis, ao mesmo tempo em que a realidade clara e patente significa pouco ou nada para o paciente. Um psicótico pode sem motivo aparente cismar que o vizinho de baixo está fazendo macumba para ele morrer, mesmo sabendo que no apartamento de baixo não mora ninguém. A cisma nesse caso pertence ao mundo psicótico e a informação aceita de que ninguém mora lá é o contato com o mundo real. No nosso ponto de vista são dados conflitantes, para um psicótico não são, talvez ele não saiba explicar como um vizinho que não está lá pode fazer macumba para ele, mas a explicação de como isso acontece é irrelevante, o fato é que o vizinho está fazendo macumba e pronto. O psicótico vive num mundo onde a realidade é outra, inatingível por nós ou mesmo por outros psicóticos, mas vive simultaneamente neste mundo real.” 5

Não existe uma causa única como desencadeadora deste transtorno. Assim como o prognóstico é incerto para muitos quadros, a etiologia das psicoses, principalmente da esquizofrenia, é incerta, ou melhor, de causa multifatorial. Admite-se hoje que várias causas concorrem entre si para o aparecimento, como: quadro psicológico; o ambiente; histórico familiar da doença e de outros transtornos mentais; e mais recentemente, tem-se admitido a possibilidade de uso de substâncias psicoativas poderem ser responsáveis pelo desencadeamento de surtos e afloração de quadros psicóticos.

Sabe-se que a probabilidade de um indivíduo vir a sofrer de esquizofrenia aumenta se houver um caso desta doença na família. “No caso de um dos pais sofrer de esquizofrenia, a prevalência da doença nos descendentes diretos é de 12%. Na situação em que ambos os pais se encontram atingidos pela doença, esse valor sobe para 40%”. No entanto, mesmo na ausência de história familiar, a doença pode ainda ocorrer. Segundo Gottesman, sabe-se que cerca de 81% dos doentes de esquizofrenia não têm qualquer familiar em primeiro grau atingido pela doença e cerca de 91% não têm sequer um familiar afetado. Portanto, a causalidade genética ainda não é comprovada, e as pesquisas têm demonstrado discrepâncias muito grandes quando se trata de investigar a predisposição para a doença. Outro argumento importante é que a concordância em gêmeos monozigóticos (48%) é significativamente maior do que a encontrada em gêmeos dizigóticos (17%). Os estudos indicam a presença de múltiplos genes responsáveis pela esquizofrenia e suas variações. 6

 Transtornos de Personalidade

Chegamos agora ao ponto chave de nossa teoria! A “personalidade” é definida pela totalidade dos traços emocionais e de comportamento de um indivíduo (caráter). Pode-se dizer que é o “jeitão” de ser da pessoa, o modo de sentir as emoções ou o “jeitão” de agir.

Um transtorno de personalidade aparece quando esses traços são muito inflexíveis e mal ajustados, ou seja, prejudicam a adaptação do indivíduo às situações que enfrenta, causando a ele próprio, ou mais comumente aos que lhe estão próximos, sofrimento e incômodo. Geralmente esses indivíduos são pouco motivados para tratamento, uma vez que os traços de caráter pouco geram sofrimentos para si mesmos, mas perturbam suas relações com outras pessoas, fazendo com que amigos e familiares aconselhem ou exijam o tratamento. Geralmente aparecem no início da idade adulta e são crônicos (permanecem pela vida toda) se não tratados.

As causas destes transtornos geralmente são múltiplas, mas relacionadas com as vivências infantis e as da adolescência do indivíduo. O tratamento desses transtornos é bastante difícil e igualmente demorado, pois em se tratando de mudanças de caráter, o indivíduo terá de mudar o seu próprio “jeito de ser” para que o tratamento seja efetivo.

O texto acima citado, do ABC da Saúde, diz que “a procura pelo atendimento é geralmente estimulada pelos amigos e familiares, que são muito mais incomodados pelo transtorno que o próprio indivíduo.” Mas vale a pena lembrar aqui que estes casos se referem apenas aos tipos Narcisista e Antissocial, que não sofrem pessoalmente com o seu comportamento. 7

O CID-10 (Código Internacional de Doenças nº 10) define assim estes transtornos:

F60-F69 Transtornos da personalidade e do comportamento do adulto

Este agrupamento compreende diversos estados e tipos de comportamento clinicamente significativos que tendem a persistir e é a expressão característica da maneira de viver do indivíduo e de seu modo de estabelecer relações consigo próprio e com os outros. Alguns destes estados e tipos de comportamento aparecem precocemente durante o desenvolvimento individual sob a influência conjunta de fatores constitucionais e sociais, enquanto outros são adquiridos mais tardiamente durante a vida.

São exemplos de Transtornos de Personalidade:

F60.0 Personalidade paranoica: Transtorno da personalidade caracterizado por uma sensibilidade excessiva face às contrariedades, recusa de perdoar os insultos, caráter desconfiado, tendência a distorcer os fatos interpretando as ações imparciais ou amigáveis dos outros como hostis ou de desprezo; suspeitas recidivantes, injustificadas, a respeito da fidelidade sexual do esposo ou do parceiro sexual; e um sentimento combativo e obstinado de seus próprios direitos. Pode existir uma superavaliação de sua auto importância, havendo frequentemente auto referência excessiva. Se diferenciam em: expansiva paranoide; fanática; paranoide; querelante e sensitiva paranoide.

F60.4 Personalidade histriônica: Transtorno da personalidade caracterizado por uma afetividade superficial e lábil, dramatização, teatralidade, expressão exagerada das emoções, sugestibilidade, egocentrismo, autocomplacência, falta de consideração para com o outro, desejo permanente de ser apreciado e de constituir-se no objeto de atenção e tendência a se sentir facilmente ferido. Se diferenciam em: histérica e psicoinfantil.

F60.7 Personalidade dependente: Transtorno da personalidade caracterizado por: tendência sistemática a deixar a outrem a tomada de decisões, importantes ou menores; medo de ser abandonado; percepção de si como fraco e incompetente; submissão passiva à vontade do outro (por exemplo de pessoas mais idosas) e uma dificuldade de fazer face às exigências da vida cotidiana; falta de energia que se traduz por alteração das funções intelectuais ou perturbação das emoções; tendência frequente a transferir a responsabilidade para outros. Diferenciam-se em: astênica; inadequada e passiva.

Mas o transtorno que nos interessa para fins desta teoria é a:

F60.2 Personalidade dissocial: Transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais, falta de empatia para com os outros. Há um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. O comportamento não é facilmente modificado pelas experiências adversas, inclusive pelas punições. Existe uma baixa tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência. Existe uma tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade. Estas personalidades se diferenciam em: amoral; antissocial; associal; psicopática e sociopática.

Particularmente as duas últimas: psicopática e sociopática.

Em relação à Psicanálise, a partir de 1896, Sigmund Freud colocou o termo “perversão” ao lado da psicose e da neurose. Historicamente a perversão está em um campo bem amplo, pois engloba comportamento, práticas e fantasias correlacionados à norma social. Para Freud, a neurose seria o “negativo da perversão”. Sendo assim, o pai da Psicanálise apontava para o caráter selvagem, polimorfo e pulsional da sexualidade perversa. Ao contrário da sexualidade neurótica, a perversa não conhecia o recalque, o incesto e a sublimação. A falta de limites decorria em virtude do desvio em relação a uma pulsão, uma fonte (órgão), objeto e alvo. A partir de 1915, Freud  reformulou suas observações. Da descrição das perversões sexuais Freud passou para a organização como um modelo baseado clivagem. Assim,

“Ao lado da psicose, definida como a reconstrução de uma realidade alucinatória, e da neurose, resultante de um conflito interno seguido de recalque, a perversão aparece como uma renegação ou um desmentido da castração, com uma fixação na sexualidade infantil”. 8

 Sociopatia e Psicopatia

Como vimos acima, a definição de sociopatia ou psicopatia se enquadra entre os transtornos de personalidade, sendo que alguns tipos descritos “não se importam com o sofrimento que causam nas outras pessoas e muitas vezes precisam rebaixar e humilhar os outros para que se sintam melhor” (Narcisista) e “são irritados, irresponsáveis e com total ausência de remorsos, mesmo que digam que têm, mais uma vez tentando levar vantagens” (Antissocial).

E mais especificamente, à classificação do Transtorno de Personalidade Antissocial:

“Indivíduos que desrespeitam e violam os direitos dos outros, não se conformando com as normas sociais. São mentirosos, enganadores e impulsivos, sempre procurando obter vantagens sobre os outros. São irritados, irresponsáveis e com total ausência de remorsos, mesmo que digam que têm, mais uma vez tentando levar vantagens. Podem estabelecer relacionamentos afetivos superficiais, mas não são capazes de manter vínculos mais profundos e duradouros.”

Se você pensou em algum político quando leu: “são irritados, irresponsáveis e com total ausência de remorsos, mesmo que digam que têm, mais uma vez tentando levar vantagens”, pode ter acertado para a maioria dos casos pensados. Vamos ver o porquê disso.

Segundo o DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), o Transtorno de Personalidade Antissocial, vulgarmente chamado de Psicopatia ou Sociopatia, é um transtorno de personalidade caracterizado pelo comportamento impulsivo do indivíduo afetado, desprezo por normas sociais e indiferença aos direitos e sentimentos dos outros. Na população em geral, as taxas dos transtornos de personalidade podem variar de 0,5% a 3%, subindo para 45% a 66% entre presidiários. 9

A psicopatia é caracterizada principalmente pela ausência de empatia com outros seres vivos, resultando em descaso com o bem-estar do outro e sérios prejuízos aos que convivem com eles. Esse desvio de caráter costuma ir se estruturando desde a infância. Por isso, na maioria das vezes, alguns dos seus sintomas podem ser observados nesta fase e/ou na adolescência, por meio de comportamentos agressivos que, durante estes períodos, são denominados de transtornos de conduta. A maioria dessas pessoas tem uma família desestruturada ou tiveram uma infância difícil, e quando atingem o fim da adolescência ou início da fase adulta, repetem os comportamentos violentos, sem empatia, interesseiros, egoístas e manipuladores que presenciaram na infância. Conforme se torna adulto o transtorno tende a se cronificar e causar cada vez mais prejuízos na vida do próprio indivíduo e especialmente de quem convive com ele.

O padrão de comportamento antissocial persiste pela idade adulta e estes indivíduos não se conformam às normas pertinentes a um comportamento dentro de parâmetros legais. Eles podem realizar repetidos atos que constituem motivo de detenção (quer sejam presos ou não), tais como destruir propriedade alheia, importunar os outros, roubar ou dedicar-se à contravenção. 

As pessoas com este transtorno desrespeitam os desejos, direitos ou sentimentos alheios. Frequentemente enganam ou manipulam os outros, a fim de obter vantagens pessoais ou prazer (por ex., para obter dinheiro, sexo ou poder). Podem mentir repetidamente, usar nomes falsos, ludibriar ou fingir. Um padrão de impulsividade pode ser manifestado por um fracasso em planejar o futuro. Egocentrismo patológico, incapacidade para lealdade ou manutenção de sentimentos de amor ou afeição, sedução apurada, vida sexual impessoal ou pobremente integrada, pratica comum de calúnias, omissões ou distorções de fatos, incapacidade de seguir algum plano de vida também fazem parte de suas características.

As decisões são tomadas ao sabor do momento, de maneira impensada e sem considerar as consequências para si mesmo ou para outros, o que pode levar a mudanças súbitas de empregos, de residência ou de relacionamentos. Estes indivíduos tendem a ser irritáveis ou agressivos e podem repetidamente entrar em lutas corporais ou cometer atos de agressão física (inclusive espancamento do cônjuge ou dos filhos). 

Os atos agressivos cometidos em defesa própria ou de outra pessoa não são considerados evidências para este quesito. Esses indivíduos também exibem um desrespeito imprudente pela segurança própria ou alheia, o que pode ser evidenciado pelo seu comportamento ao dirigir (excesso de velocidade recorrente, dirigir intoxicado, acidentes múltiplos). Eles podem engajar-se em um comportamento sexual ou de uso de substâncias com alto risco de consequências danosas. Eles podem negligenciar ou deixar de cuidar de um filho, de modo a colocá-lo em perigo e também tendem a ser consistente e extremamente irresponsáveis. 

O comportamento laboral irresponsável pode ser indicado por períodos significativos de desemprego apesar de oportunidades disponíveis, ou pelo abandono de vários empregos sem um plano realista de conseguir outra colocação. Pode também haver um padrão de faltas repetidas ao trabalho, não explicadas por doença própria ou na família. 

A irresponsabilidade financeira é indicada por atos tais como inadimplência e deixar regularmente de prover o sustento dos filhos ou de outros dependentes e também demonstram pouco remorso pelas consequências de seus atos. Eles podem mostrar-se indiferentes ou oferecer uma racionalização superficial para terem ferido, maltratado ou roubado alguém (por ex., “a vida é injusta”, “perdedores merecem perder” ou “isto iria acontecer de qualquer modo”). 

Esses indivíduos podem culpar suas vítimas por serem tolas, impotentes ou por terem o destino que merecem; podem minimizar as consequências danosas de suas ações, ou simplesmente demonstrar completa indiferença. Estes indivíduos em geral não procuram compensar ou emendar sua conduta. Eles podem acreditar que todo mundo está aí para “ajudar o número um” e que não se deve respeitar nada nem ninguém, para não ser dominado.

Critérios diagnósticos pelo DSM-IV-TR (Código: 301.7): Um padrão pervasivo de desrespeito e violação aos direitos dos outros, que ocorre desde a adolescência, como indicado por pelo menos TRÊS dos seguintes nove critérios:

  1. Fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos éticos e legais, indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de reprovação social ou detenção (crimes);
  2. Impulsividade predominante ou incapacidade em seguir planos traçados para o futuro;
  3. Irritabilidade e agressividade, indicadas por histórico constante de lutas corporais ou agressões verbais violentas;
  4. Desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia;
  5. Irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras;
  6. Ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter manipulado, ferido, maltratado ou roubado outra pessoa;
  7. Tendência para enganar, indicada por mentir compulsivamente, distorcer fatos ou ludibriar os outros para obter credibilidade, vantagens pessoais ou prazer;
  8. Incapacidade de conviver com animais domésticos ou repúdio comum a animais em geral;
  9. Dissociabilidade familiar, marcada pelo desrespeito materno e paterno e ridicularização de tudo o que diz respeito ao ambiente familiar de terceiros.

Prevalência

A prevalência geral do Transtorno da Personalidade Antissocial em amostras comunitárias é de cerca de 3% em homens e 1% em mulheres. As estimativas de prevalência em contextos clínicos têm variado de 3 a 30%, dependendo das características predominantes das populações amostradas. Taxas de prevalência ainda maiores estão associadas aos contextos de tratamento de abuso de substâncias e contextos forenses ou penitenciários.

A característica essencial do Transtorno da Personalidade Dissocial é um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que inicia na infância ou começo da adolescência e continua na idade adulta. Uma vez que o engodo e a manipulação são aspectos centrais do Transtorno da Personalidade Dissocial, para receber este diagnóstico o indivíduo deve ter pelo menos 18 anos e ter tido uma história de alguns sintomas de Transtorno da Conduta antes dos 15 anos. 

Transtorno da Conduta envolve um padrão de comportamento repetitivo e persistente, no qual ocorre violação dos direitos básicos dos outros ou de normas ou regras sociais importantes e adequadas à idade. Os comportamentos específicos característicos do Transtorno da Conduta ajustam-se a uma dentre quatro categorias: agressão a pessoas e animais, destruição de propriedade, defraudação ou furto, ou séria violação de regras. 10

E em termos biológicos e anatômicos, qual a relação com os sociopatas? Eis alguns estudos:

Ok, o problema central dos psicopatas é que eles não conseguem sentir emoções. Mas por que isso acontece? “A crença de que tudo é causado por famílias instáveis ou condições sociais pobres nos faz fingir que o problema não existe”, afirma Hare.

Para a neurologia, a coisa é mais objetiva: os “circuitos” do cérebro de um psicopata são fisicamente diferentes dos de uma pessoa normal. Uma descoberta importante foi feita pelo neuropsiquiatra Ricardo de Oliveira-Souza e pelo neurologista Jorge Moll Neto, pesquisador do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos dos EUA. Em 2000, os dois identificaram, com imagens de ressonância magnética, as partes do cérebro ativadas quando as pessoas fazem julgamentos morais. Os participantes da pesquisa tiveram o cérebro mapeado enquanto decidiam se eram certas ou erradas frases como “podemos ignorar a lei quando necessário” ou “todos têm o direito de viver”, além de outras sem julgamento moral, como “pedras são feitas de água”. A maioria dos voluntários ativou uma área bem na testa, chamada Brodmann 10, ao responder às perguntas.

E aí vem o pulo-do-gato: a dupla repetiu o estudo em 2005 com pessoas identificadas como psicopatas, e descobriu que elas ativam menos essa parte do cérebro. Daí a incompetência que os sujeitos com transtorno antissocial têm para sentir o que é certo e o que é errado. Agora, resta saber se essas deficiências vêm escritas no DNA ou se surgem depois do nascimento.

Hoje, se sabe que boa parte da estrutura cerebral se forma durante a vida, sobretudo na infância. Mas cientistas buscam uma causa genética porque a psicopatia parece surgir independentemente do contexto ou da educação. “Nascem tantos psicopatas na Suécia ou na Finlândia quanto no Brasil”, afirma Hilda Morana. “Os pais costumam se perguntar onde foi que erraram.” A impressão é que psicopatas nasceram com o problema. “Eles também surgem em famílias equilibradas, são irmãos de pessoas normais e deixam seus pais perplexos”, afirma Oliveira-Souza.

James Blair vai pela mesma linha: “Estudos com pessoas da mesma família, gêmeos e filhos adotados indicam que o comportamento dos psicopatas e as disfunções emocionais são coisas hereditárias”, afirma. 11

Psicopatia x Sociopatia

Uma questão importante para ser levantada neste momento é a diferenciação entre os termos “Psicopata” e “Sociopata”. Embora os dois títulos se enquadrem como “Personalidade Antissocial” ou “Dissocial”, para fins desta teoria vale a pena ressaltar alguma diferenças importantes.

“Existem infinitas dúvidas referente às diferenças entre o termo “psicopatia” e “sociopatia”. O fato é que, atualmente, ambos os termos se referem ao indivíduo com transtorno de personalidade antissocial. Para alguns especialistas, como Robert Hare, a diferença entre a psicopatia e a sociopatia consiste basicamente na origem do transtorno. Assim como sociólogos, especialistas de crimes e alguns psicólogos acreditam que o distúrbio, quando originado a partir do próprio meio social, é denominado como sociopatia. Por exemplo, aquele indivíduo que “aprendeu” a cometer atitudes antissociais no próprio meio em que vivia, tal como um ambiente com baixo nível socioeconômico e pais violentos. Já o psicopata consiste na combinação de fatores como biológicos, genéticos e socioambiental. Por exemplo, o indivíduo que aparentemente “nasce” psicopata, independente de ter vivido num ambiente com baixo nível socioeconômico.

Para outros especialistas, a psicopatia e a sociopatia são duas manifestações diferentes do transtorno de personalidade antissocial. Tais raciocínios acreditam que os psicopatas nascem com características básicas como impulsividade e ausência de medo, o que faz com que busquem condutas de riscos e perigo, terminando muitas vezes em atitudes antissociais, uma vez que são incapazes de se estabelecerem corretamente nas normas sociais. Já o sociopata, nesta visão, apresenta um temperamento um pouco mais “normal” que os psicopatas.

Em suma, referente ao termo, essas duas variantes da personalidade antissocial tem como causa uma interação variada entre fatores genéticos/biológicos e fatores ambientais, mas a psicopatia tende para fatores genéticos, enquanto que a sociopatia, para o lado socioambiental.” 12

 A resposta a uma pergunta deste nível na revista Mundo Estranho da Editora Abril, traz a seguinte reposta, por Fernanda Salla: Qual a diferença entre psicopata e sociopata?

Resposta: “Nenhuma, pois os dois termos são sinônimos para um tipo específico de transtorno de personalidade. De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o termo oficial para designar um psicopata ou sociopata é personalidade dissocial ou antissocial. “A psicopatia é um termo muito confuso historicamente, sendo que, hoje, se refere a apenas um dos oito transtornos de personalidade existentes”, diz o psiquiatra forense Daniel Martins de Barros, do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Ou seja, a associação que, em geral, fazemos do termo psicopata com um assassino frio, como um serial killer, não passa de mau uso do termo.” 13

Uma resposta dada em um chat (Yahoo Brasil respostas) por um ator desconhecido (Francisco P) para a pergunta “Qual a diferença entre sociopata e psicopata?”, embora não tenha caráter científico, descreve bem os tipos dissociais:

Sociopata: As características dos sociopatas englobam, principalmente, o desprezo pelas obrigações sociais e a falta de consideração com os sentimentos dos outros. Eles possuem um egocentrismo exageradamente patológico, emoções superficiais, teatrais e falsas, pobre ou nenhum controle da impulsividade, baixa tolerância para frustração, baixo limiar para descarga de agressão, irresponsabilidade, falta de empatia com outros seres humanos, ausência de sentimentos de remorso e de culpa em relação ao seu comportamento. Essas pessoas geralmente são cínicas, incapazes de manter uma relação leal e duradoura, manipuladoras, e incapazes de amar. Eles mentem exageradamente sem constrangimento ou vergonha, subestimam a insensatez das mentiras, roubam, abusam, trapaceiam, manipulam dolosamente seus familiares e parentes, colocam em risco a vida de outras pessoas e, decididamente, nunca são capazes de se corrigirem. Esse conjunto de caracteres faz com que os sociopatas sejam incapazes de aprender com a punição ou incapazes de modificar suas atitudes. Quando os sociopatas descobrem que seu teatro já está descoberto, eles são capazes de darem a falsa impressão de arrependimento, falseiam que mudarão “daqui para a frente”, mas nunca serão capazes de suprimir sua índole maldosa. Não obstante eles são artistas na capacidade de disfarçar de forma inteligente suas características de personalidade. Na vida social, o sociopata costuma ter um charme convincente e simpático para as outras pessoas e, não raramente, ele tem uma inteligência normal ou acima da média. 14

Psicopata: O psicopata, por sua vez, superdimensiona suas prerrogativas, possibilidades e imunidades; “esta vez não vão me pegar”, ou “desta vez não vão perceber meu plano”, essas são suas crenças ostentadas. Toda lei ou norma, gera temor e inibição, implicam na possibilidade de castigo. A lei está feita para domar, para obrigar e para condicionar as condutas instintivas dos indivíduos. O psicopata não apenas transgride as normas mas as ignora, considera-as obstáculo que devem ser superados na conquista de suas ambições. A norma não desperta no psicopata a mesma inibição que produz na maioria das pessoas. Para os contraventores não psicopatas, vale o lema “Se quer pertencer a este grupo, estas são as regras. Se cumprir as regras está dentro, se não cumprir está fora”. Mas o psicopata tem a particularidade de estar dentro do grupo, apesar de romper todas as regras, normas e leis, apesar de não fazer um insight, não se dar conta, não se arrepender e não se corrigir. Sua arte está na dissimulação, embuste, teatralidade e ilusionismo. Os psicopatas parecem ser refratários aos estímulos, tanto aos estímulos negativos, tais como castigos, penas, contra argumentações à ação, apelo moral, etc., como também aos estímulos positivos, como é o caso dos carinhos, recompensas, suavização das penas, apelos afetivos. Essa última característica é pouco notada pelos autores. O psicopata não modifica sua conduta nem por estímulos positivos, nem pelos negativos. Para o psicopata a mentira é uma ferramenta de trabalho. Ele desvirtua a verdade com objetivo de conseguir algo para si, para evitar um castigo, para conseguir uma recompensa, para enganar o outro. O psicopata pode violar todo tipo de normas, mas não todas as normas. Violando simultaneamente todas as normas seria rapidamente descoberto e eliminado do grupo. A particular relação do psicopata com outros seres humanos se dá sempre dentro das alterações da ética. Para o psicopata o outro é “uma coisa”, mais uma ferramenta de trabalho, um objeto de manipulação. Essa é a coisificação do outro, atitude que permite utilizar o outro como objeto de intercâmbio e utilidade. Esta coisificação explica, talvez, torturar ou matar o outro quando se trata de um delito sexual, sádico ou de simples atrocidade.14

Fontes:

  1. http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=288
  2. http://pt.wikipedia.org/wiki/Neurose
  3. http://www.psicoloucos.com/Psicanalise/a-ansiedade.html
  4. http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicose
  5. http://www.psicosite.com.br/tra/psi/psicose.htm
  6. http://pt.wikipedia.org/wiki/Esquizofrenia
  7. http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?422
  8. http://clinicalacaniana.com.br/psicanalise/?p=71
  9. http://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_de_personalidade_antissocial
  10. http://www.psiqweb.med.br/site/DefaultLimpo.aspx?area=ES/VerClassificacoes&idZClassificacoes=50
  11. http://super.abril.com.br/ciencia/seu-amigo-psicopata-446474.shtml
  12. http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicopata
  13. http://mundoestranho.abril.com.br/materia/qual-a-diferenca-entre-psicopata-e-sociopata
  14. http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070105100801AAFIkTm

 

 

 

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8 Comentários (+add yours?)

  1. carmina
    abr 30, 2013 @ 18:17:12

    excelente, muito esclarecedor parabéns

    Responder

  2. Saberotocast 13 – Psicopatas | Outro Cast
    jul 08, 2015 @ 16:42:41

  3. Fauston
    out 28, 2015 @ 19:17:03

    Muito esclarecedor.

    Responder

  4. Juliano
    nov 19, 2015 @ 04:15:14

    Dr Maciel boa noite!
    Me perdoe mas vi apenas uma diferenciação entre a sociopatia e a psicopatia. O texto bem escrito insiste mostrar a diferença entre ambos mas a unica que na minha opinião ficou clara foi quando cita que alguns especialistas dizem que o psicopata ja nasce psicopata. Ja o sociopata cria o distúrbio a partir do ambiente. Concordo com o senhor ao mencionar as fontes desta pesquisa. Nenhum livro foi citado e apenas sites.
    Segundo seu texto, muitas das características são iguais, porem muda-se as palavras levando a crer na diferença que não existe ali. Gostaria de que pudesse fazer uma nova pesquisa e levantasse atualmente diferenças e estudos sobre este campo.
    Pesquisar essa diferença na internet infelizmente está sendo muito difícil, pq muitos destes sites trocam as condutas e comportamentos e acaba confundindo mais.
    Forte abraço e parabéns pelo site!

    Responder

    • drpaulomaciel
      abr 24, 2016 @ 14:30:34

      Juliano. você está correto quando fala da dificuldade em diferenciar os dois tipos, mesmo porque esta diferenciação não existe ainda oficialmente falando:

      A resposta a uma pergunta deste nível na revista Mundo Estranho da Editora Abril, traz a seguinte reposta, por Fernanda Salla:
      Qual a diferença entre psicopata e sociopata?

      Resposta: “Nenhuma, pois os dois termos são sinônimos para um tipo específico de transtorno de personalidade. De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o termo oficial para designar um psicopata ou sociopata é personalidade dissocial ou antissocial. “A psicopatia é um termo muito confuso historicamente, sendo que, hoje, se refere a apenas um dos oito transtornos de personalidade existentes”, diz o psiquiatra forense Daniel Martins de Barros, do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Ou seja, a associação que, em geral, fazemos do termo psicopata com um assassino frio, como um serial killer, não passa de mau uso do termo.”

      Por isso eu escrevi este artigo, justamente numa tentativa didática de diferenciar os dois termos. A minha compreensão pessoal é a seguinte: se um indivíduo nasce com o Transtorno da Personalidade Antissocial e tiver uma infância com muitas agressões, tipo violência, drogadição, prostituição, abuso, bulling, etc., caminhará mais para o lado psicopata típico dos filmes americanos de serial killers; mas se tiver uma vida socialmente mais saudável, se desenvolverá mais para o lado sociopata como os filmes de espiões da guerra fria e políticos corruptos.

      Abs

      Responder

  5. Ana Blaauw
    mar 13, 2016 @ 00:35:00

    Maravilhoso! Ajudou demais!

    Responder

  6. Lidiane
    maio 24, 2016 @ 12:35:04

    adorei esse artigo vai me ajudar mto com meu projeto de TCC

    Responder

  7. Inez Martins de Oliveira
    ago 09, 2016 @ 11:26:28

    Obrigada pelo artigo. Sou diretora escolar em Angola e tenho alguns casos de alunos assim, Uns poucos que tenho encaminhado para os psiquiatras.

    Responder

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