2. Os Brancos

branco 

 

Vamos agora estudar a segunda parcela dos chamados “opressores” pelo pensamento da Esquerda, os brancos! O que temos escutado muitas vezes recentemente com o episódio da Copa de 2014 é que a elite é a parte “branca” da sociedade:

“Todas as críticas à Abertura sem graça da Copa do Mundo (responsabilidade Exclusiva da FIFA) se apagam, diante do vexame dado pela Elite Branca Brasileira.” Hildegard Angel. 1

“Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca, teve sempre como ideologia dominante a da elite branca, Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos.” Emir Sader 2

Lula disse, em seu discurso em Recife: “Dilma, você foi no estádio ontem… você viu que no estádio não tinha ninguém com a cara de pobre, a não ser você? Eu fiquei vendo pela televisão e não tinha ninguém de cor, não tinha ninguém pelo menos moreninho.. era a parte bonita da sociedade, aquela que comeu a vida inteira, aquela que conseguiu chegar no estádio ontem”… 3

Isto é verdade? Alguém assistiu ao jogo e pode confirmar que não havia nenhum pardo, moreno ou negro no estádio assistindo ao jogo? Deem uma olhada neste vídeo, logo no início: 4

Será que a raça branca é mesmo a elite brasileira? E o que significa ser da raça “branca”, “preta” ou “amarela”?

Em minha época de ensino fundamental existiam 04 grandes “raças”: branca, negra, amarela e vermelha (esta última era composta pelos índios em geral). Mais tarde elas foram resumidas a 03 tipos: negra, branca e amarela. Já em 2009 o IBGE criou 05 tipos de raças: “Em 2000, encontram-se, novamente, as cinco categorias atualmente utilizadas nas pesquisas, pela ordem em que figuram no questionário – branca, preta, amarela, parda e indígena – as quais também constam no Censo Demográfico 2010.” 5

Já no capitulo intitulado “Autoidentificação, identidade étnico-racial e heteroclassificação” do documento do IBGE lançado em 2013, encontramos uma tabela denominada “Distribuição das pessoas de 15 anos ou mais de idade, por autoclassificação e heteroclassificação, segundo a cor ou raça”, que distingue 15 tipos diferentes de pessoas: “Branca, Morena, Parda, Negra, Morena Clara, Preta, Amarela, Brasileira, Mulata, Mestiça, Alemã, Clara, Italiana, Indígena e Outras”.

Observem que nesta lista se misturam definições completamente incongruentes e incompletas, gerando uma confusão ainda maior quando os tipos se classificam por “auto” e “hetero” classificação!

O Censo do IBGE de 2010 classificou 82.277.333 brasileiros como “pardos”. O que é uma pessoa parda? Diz o documento do IBGE:

“Oficialmente, nas estatísticas públicas, foi por ocasião do primeiro Recenseamento do Brasil, realizado em 1872, que se cristalizou um sistema de classificação da cor no País, com a utilização das seguintes categorias: branco, preto, pardo e caboclo. Em 1890, data do segundo Recenseamento do País, trocou-se o termo pardo por mestiço na classificação.”

“Em 1940 foi incorporada a categoria “amarela” na classificação para dar conta da imigração japonesa acontecida, basicamente, de 1908 a 1929. No Censo Demográfico 1940, aceitavam-se como respostas à classificação racial os termos de branco, preto e amarelo. Há de se ressaltar, assim, que este censo é o único na história estatística brasileira a não operar com a categoria parda nem qualquer outra referida à mestiçagem. Percebe-se uma mudança radical de perspectiva, pois o que se valoriza não são mais os tipos raciais originários, mas a ‘cor’, isto é, as tonalidades de pele. Os Censos Demográficos 1950 e 1960 reincorporaram o grupo pardo à categorização de cor, como unidade de coleta e análise, sendo os primeiros que orientavam explicitamente, nas instruções de preenchimento, a respeitar a resposta da pessoa recenseada, constituindo a primeira referência explícita ao princípio de autodeclaração.” 6

Neste ponto surge um novo problema que é intitulado pelo IBGE como “As linhas fronteiriças da cor e as identidades no Brasil: um problema epistemológico, estatístico e político”:

“As fronteiras que demarcam cores distintas definem diferentes possibilidades de pertencer a um grupo social por cor no Brasil. Estas se traduzem em linhas de cores que expressam a miscigenação constituidora do País. Tais linhas dialogam com elementos raciais, pautados por uma fenotipia, que constroem o pardo, o moreno, o mulato, o crioulo, o cafuzo, o caboré, o cabra, o fula, o cabrocha, o sarará, o preto-aça, o guajiru, o saruê, o grauçá, o banda-forra, o salta-atrás, o terceirão, o carió – hoje denominados de carijó, de curiboca ou de cariboca.

As linhas de cor estão marcadas pela lógica do dégradé resultante do processo de miscigenação produzido pelos descendentes de africanos, europeus e indígenas, sem, contudo, considerar as misturas e as negociações de identidades concorrenciais, ocorridas entre tais descendentes e os asiáticos – japoneses, chineses, coreanos, libaneses, sírios, entre outros – ou ainda, as miscigenações mais contemporâneas que se dão entre esses segmentos populacionais e os imigrantes bolivianos, peruanos, equatorianos e chilenos presentes, particularmente, nos estados das Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil. É com este ponto de vista reflexivo que constatamos que a apreensão da realidade, a partir da percepção ou da influência de um sinal diacrítico em detrimento de outro, pode nos levar ao reconhecimento de um brasileiro diferente de outro. Neste contexto, Araujo expõe que: “a percepção social da cor e a escolha e/ou atribuição de categorias de cor é uma operação complexa que envolve não apenas uma apreensão de características fenotípicas, aqui imbuídas de valor e carregadas de significado, mas, que as categorias compõem um sistema, e que esta operação se processa num contexto de interação social”.” 7

Que confusão! Alguém sabe o que é um “caboré”, um “fula”, um “guajiru”, ou um “banda-forra”? E o que resulta de uma mistura de coreano com boliviano ou um chileno com um coreano??? O documento do IBGE explica que “O termo cabrito se refere ao filho mestiço de branco e mulato, sendo, portanto, mais claro do que o mulato, mas ainda não sendo branco.” Os pardos são os antigos mestiços que se confundem historicamente e estavam divididos entre caboclos, cafuzos e mulatos; agora a “percepção” os divide como “morenos, pardos, morenos claros, brasileiros, mulatos, mestiços, e outros”…

Gostei do termo “dégradé” usado pelo IBGE… Imaginem quantos “tons de cinza” existem do branco puro até o negro puro! Ou seriam “tons de marrom”?

Teríamos como rastrear então tudo isso em termos de genética? Não, porque os estudos científicos concluíram que:

“A grande variabilidade dos traços físicos traz um problema: é impossível definir raças fechadas onde os traços seriam estritamente próprios de um determinado grupo. De fato, a grande maioria das características físicas são quantitativas. Assim, definir uma raça se fundamentando na pigmentação da pele é um processo delicado já que todas as nuances existentes na espécie humana, e mesmo dentro de determinados grupos (daí a discussão, na América Latina e nos Estados Unidos sobre as diferentes tonalidades de “negro”, ou a complicada classificação, desde a colonização das Américas, a fim de hierarquizar os indivíduos mestiços de grupos étnicos distintos em função da cor de sua pele).

Tanto a biologia, as abordagens das “ciências humanas” antropológicas, estudos comparativos de civilizações, etnológicos, quanto as análises políticas e sociológicas, tiveram de abandonar essa noção.

De um lado o avanço dos trabalhos na genética forçou o abandono da noção, quando estabeleceu que as diferenças entre humanos são individuais e não de raça (ou de grupo). Efetivamente, os indivíduos são todos diferentes e as características que produzem essas diferenças são encontradas em todas as populações humanas.

Como disse o geneticista André Langaney (1992): “No início das pesquisas em genética, os cientistas, que tinham em mente as classificações raciais herdadas do século passado, pensavam que iriam encontrar os genes dos Amarelos, dos Negros, dos Brancos… Pois bem, nada disso, não foram encontrados. Em todos os sistemas genéticos humanos conhecidos, os repertórios de genes são os mesmos.” 8

Com a conclusão científica oficial de que as raças (subespécies) humanas não são genéticas, o IBGE aceitou o conceito: “Assim, hoje há amplo consenso de sua ineficácia teórica como conceito biológico, tendo sido definitivamente erradicado pela genética”, mas deu continuidade à ideia das raças por questões sociológicas: “mas, ao mesmo tempo, multiplicam-se as constatações de sua persistência como realidade simbólica extremamente eficaz nos seus efeitos sociais.” E conclui: “Se o conceito de raça não corresponde a nenhuma realidade cientifica – do ponto de vista da genética – ele, sim, representa uma realidade social, desde que remete a uma organização perceptiva comum de referências à diversidade humana.”

Mas, então, se a raça não é genética, como defini-la? O IBGE encontra uma solução: “Com efeito, sua força é precisamente verificada pelo fato de que este conceito se apoia sobre uma marca “natural”, visível, transmissível de maneira hereditária, pregnante à percepção imediata, dando a possibilidade, assim, de gerar grupos sociais reais ou categorias que podem ser qualificadas como raciais.” 9

Ou seja, o que define uma raça é a “percepção imediata” dela mesma!

E para resolver esta questão, o IBGE adentra questões profundas de filosofia, sociologia, fisiologia e psicologia para tentar explicar a noção de “percepção”:

“Porque toda percepção é uma percepção orientada e informada, o que uma pessoa vê, enxerga e integra como figura perceptiva, por exemplo, não é, simplesmente, a imagem óptica que se forma na retina, mas o produto de uma seleção dos componentes desta a partir de um arcabouço mental configurado pelos seus conhecimentos, suas ideias, sua ideologia, crenças, conceitos e, fundamentalmente, seus preconceitos.” 10

Entendeu? Não? Nem eu… E por isso mesmo que esta noção de percepção pode causar graves distorções políticas, sociais e jurídicas:

Cotas na UnB: gêmeo idêntico é barrado:

Filhos de pai negro e de mãe branca, os irmãos gêmeos univitelinos (idênticos) Alex e Alan Teixeira da Cunha, de 18 anos, não tiveram a mesma sorte ao se inscrever no sistema de cotas para o vestibular do meio do ano da Universidade de Brasília (UnB): Alan foi aceito pelos critérios da universidade e Alex não.

Ao contrário da maioria das universidades que possuem cotas, a seleção de alunos para o sistema de cotas na UnB não leva em conta o critério socioeconômico e sim a cor do vestibulando. Para concorrer, os candidatos obrigatoriamente se dirigem até um posto de atendimento da universidade e tiram fotos no Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe/UnB), responsável pela aplicação da prova.

Essas fotos são anexadas na ficha de inscrição e passam pela avaliação de uma banca, que vai decidir quem é e quem não é negro. Caso o vestibulando não seja aceito para concorrer no sistema de cotas do vestibular, ele automaticamente é transferido para a concorrência universal do processo seletivo. 

“Resolvemos nos inscrever pelas cotas porque elas existem e têm que ser usadas. Além disso, a nota de corte para os candidatos cotistas é mais baixa que a nota de corte dos candidatos do sistema universal. Já que posso usar esse recurso, resolvi aproveitar”, disse Alex, que entrou com um recurso na UnB para que a universidade reavalie a sua condição de negro. 

Alan é contra o sistema de cotas raciais e diz que o que aconteceu com ele e com o irmão é o melhor exemplo para mostrar que o método não funciona. “Somos gêmeos idênticos e eu fui aceito, ele não. Acho que as cotas deveriam ser para candidatos carentes, que não têm condições de pagar uma boa universidade”, disse.

A UnB informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o recurso do candidato está sendo avaliado pela banca responsável pela análise das fotografias e que o resultado final será anunciado no dia 6 de junho.” 11

Quando o IBGE fala em “percepção de raça”, o que dizer de uma banca que avalia a raça ou a cor de um aluno através de uma fotografia e decide “quem é e quem não é negro”? E se for pardo? Ou indígena?

O Art. 3º da Lei Nº 12.711/2012 diz que “em cada instituição federal de ensino superior, as vagas de que trata o art. 1o desta Lei serão preenchidas, por curso e turno, por autodeclarados pretos, pardos e indígenas, em proporção no mínimo igual à de pretos, pardos e indígenas na população da unidade da Federação onde está instalada a instituição, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).” 12

Além de todas estas dificuldades, a lei ainda define que a classificação de raça é “autodeclarada”!

Como podemos criar leis baseadas em critérios tão frágeis e confusos?

Toda esta confusão acontece porque os pensamentos da Esquerda estão embasados no conceito do Comunismo (do latim communis – comum, universal), que como vimos é uma ideologia política e socioeconômica que pretende promover o estabelecimento de uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida, baseada na propriedade comum e no controle dos meios de produção. A ideia de uma “sociedade igualitária” faz com o que o Estado comunista vise “homogeneizar” o povo sob sua tutela, acabando com todas as divisões e protegendo a todos, inclusive as minorias. 13

E é por isso que a Lei Nº 12.711/2012 diz que “as vagas serão preenchidas por autodeclarados pretos, pardos e indígenas, “em proporção no mínimo igual à de pretos, pardos e indígenas na população da unidade da Federação onde está instalada a instituição, segundo o último censo do IBGE.”

Oficialmente, dos 190.732.694 de brasileiros, o IBGE classifica as raças atualmente em 05 tipos, que em 2010 perfizeram um total de: branca, 91.051.646; parda: 82.277.333; preta: 14.517.961; amarela: 2.084.288; indígena: 817.963 e sem declaração de raça: 6.608 habitantes.

O problema que isto gera é que como o governo socialista considera apenas como “elite opressora” os brancos brasileiros, a soma das raças fica assim: “brancos”: 91.051.646; “pardos + negros + indígenas”: 82.277.333 + 14.517.961 + 817.963 = 97.613.257 (Os “amarelos ficam de fora, porque não foram oprimidos pelos brancos)! Total nacional: “brancos” = 48,2% e “raças oprimidas” = 51,8%. Bingo!

Para as escolas públicas (59 universidades federais e 38 institutos federais de educação, ciência e tecnologia, em 2012), 50% das matrículas por curso e turno estarão garantidas para as minorias oprimidas: metade para estudantes de escolas públicas com renda familiar bruta igual ou inferior a um salário mínimo e meio per capita e metade para estudantes de escolas públicas com renda familiar superior a um salário mínimo e meio. Em ambos os casos, também será levado em conta percentual mínimo correspondente ao da soma de pretos, pardos e indígenas no estado, de acordo com o último censo demográfico do IBGE. O prazo para colocar 50% das vagas nas escolas nas Cotas vai até 2016, de maneira progressiva a cada ano. O mínimo que a Lei exige para 2013 é de 12,5% das vagas nas Cotas. Em 2014 o mínimo será de 25%.

Na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), que já reserva 45% das vagas para cotistas desde 2003, são 20% das vagas para alunos de escolas públicas, 20% para quem se autodeclara preto, pardo ou indígena, e mais 5% de vagas para portadores de deficiência e filhos de policiais militares. No vestibular de 2013 na UERJ a nota exigida pelos cotistas foi bem menor do que para os alunos que concorreram nas 55% das vagas restantes. Para Engenharia Mecânica, por exemplo, pela ampla concorrência a nota de corte foi de 80 pontos, contra 43 na disputa entre os alunos de escola publica e de 38 para os cotistas. 14

Exemplso de “notas de corte” no vestibular de 2013 da UERJ, segundo os cursos, para ampla concorrência, escola pública e cotas raciais, respectivamente: Medicina: 85,25; 73,25 e 76,25. Engenharia Mecânica: 84,75; 41,50 e 40,25. Engenharia Civil: 80,00; 43,00 e 38,00. Engenharia Química: 79,00; 46,50 e 45,00. Direito: 78,75; 53,00 e 52,25. Jornalismo: 75,75; 54,00 e 48,50. 15

No critério racial não haverá separação entre pretos, pardos e índios.  No entanto, o MEC incentiva que universidades e institutos federais localizados em estados com grande concentração de indígenas adotem critérios adicionais específicos para esses povos, dentro do critério da raça, no âmbito da autonomia das instituições.

Este mesmo critério foi usado na Lei das Cotas para Concursos Públicos (administração pública federal, autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista controladas pela União):

 Segundo levantamento de 2012 da Secretaria-Geral da Presidência da República, cerca de 34% dos servidores da Presidência se declaram negros ou pardos, proporção inferior a de autodeclarados pretos e pardos (51,28%), conforme o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 16

De onde veio a ideia da cota racial em concursos?

De acordo com a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, o projeto de lei enviado ao Congresso foi baseado em um estudo do governo que analisou o perfil das pessoas que ingressaram no serviço público nos últimos 10 anos. Segundo a titular da Igualdade Racial, em 2004, 22% dos funcionários públicos eram negros. Já em 2013, o índice atingiu cerca de 30% do quadro funcional. Ela espera a participação chegue a representar o mínimo de 50%.” 17

Observe que a ministra Luiza Bairros espera que a participação “chegue a representar o mínimo de 50%”, já que o total de raças oprimidas é de 51,28%!

O IBGE assim classifica estas raças de oprimidas por causa da história brasileira:

Dessa maneira, a noção de raça ainda permeia o conjunto de relações sociais, atravessa práticas e crenças e determina o lugar e o status de indivíduos e grupos na sociedade. Nesse sentido, a pessoa pode ser identificada, classificada, hierarquizada, priorizada ou subalternizada a partir de uma cor/raça/etnia ou origem a ela atribuída por quem a observa.” 18

No entanto, o próprio documento do IBGE descreve isto com certo cuidado:

“Deve-se ter os devidos cuidados nessa discussão sobre o que define o pertencimento – por exemplo, quem é índio? etc. – desde que ela “… possui uma dimensão meio delirante ou alucinatória, como de resto toda discussão onde o ontológico e o jurídico entram em processo público de acasalamento. Costumam nascer monstros desse processo. Eles são pitorescos e relativamente inofensivos, desde que a gente não acredite demais neles. Em caso contrário, eles nos devoram”.” 19

A partir deste ponto, devemos questionar em que momento da nossa história a minoria branca passou a ser a “elite opressora” das “raças oprimidas”?

Diz Renato Rovai: “O Brasil é um país complexo e muito difícil de explicar, mas a sua elite não. Ela é previsível e está sempre no mesmo lugar. As elites do mundo não costumam ser muito diferentes, mas a brasileira é das piores. Todas as ditaduras e a escravidão longínqua que tivemos são obras da nossa elite. Que se julga o Brasil. Que se acha a dona do país. Que é altamente corrupta, mas que faz de conta que o que lhe move na política é a defesa do interesse público.” Está aí: a elite são os brancos escravagistas de outrora…” 20

Mas, e atualmente, quantos brancos fazem parte da elite opressora? Se olharmos para a cúpula do PT, quantos dos seus políticos são negros? Vejam: Lula da Silva, Dilma Rousseff, José Genoíno, José Dirceu, Antônio Palocci, Aloizio Mercadante, Delúbio Soares, Luiz Guishiken… porque estes “brancos” não fazem parte da elite, já que estão ricos, estão no poder e são altamente corruptos, muitos confirmados pelo julgamento do Mensalão?

Eu compreendo que a base de todo o discurso do PT neste esforço social é “reparar danos sociais e implantar a igualdade social, causadas pela opressão das elites brasileiras”. Dentro deste contexto já foram criadas diversos tipos de cotas, entre elas: Cotas Raciais, Cotas de Gênero Sexual e Cotas Socioeconômicas. Os defensores dos sistemas de cotas raciais justificam sua implantação afirmando que eles são necessários para corrigir erros históricos como a escravidão dos negros e para reverter o racismo histórico contra determinadas classes étnico/raciais. A cota de gênero já implantada que merece maior destaque é a que obriga aos partidos políticos e coligações a terem o mínimo de 30% de candidatos de cada gênero sexual em suas chapas que concorram aos cargos legislativos nas eleições municipal, estadual e federal. E as cotas socioeconômicas merecem destaque as isenções de pagamento de impostos, de pagamento de inscrições para concursos, vestibulares e outras isenções destinadas às pessoas de baixa renda, como já vistos acima.

Teoricamente o conceito das cotas feriria um princípio fundamental da Constituição Federal, que é o da “igualdade social”: art. 5º da Constituição Federal, “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

Mas o STF decidiu por unanimidade em 26/04/2012 que o conceito das cotas é constitucional, baseada nos conceitos de “direito formal” e de “direito material”. 21

No trabalho “O princípio da igualdade e as cotas raciais no Brasil”, André Meira escreve:

“Pode-se situar historicamente a origem do direito à igualdade na Revolução Francesa. Através dela, a burguesia conseguiu finalmente derrubar os privilégios feudais do clero e da nobreza, dando origem a uma sociedade que não mais admitia a discriminação com base no nascimento. O artigo 1º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão afirmava que os homens nasciam livres e iguais em direito. Assim, o princípio da igualdade surgia como um caráter essencialmente negativo, objetivando impedir privilégios e perseguições. Tratava-se, portanto, de uma igualdade nitidamente formal que partia do pressuposto de que todos os indivíduos tinham as mesmas possibilidades de evoluir dentro da sociedade, desde que o Estado não privilegiasse nem perseguisse qualquer grupo. Celso Ribeiro de Bastos definiu muito bem esta situação, afirmando que se tratava de uma igualdade “de ponto de partida”.

Contudo, com o passar do tempo e o aumento das demandas sociais por melhores condições de vida e de trabalho, o conceito de igualdade foi aperfeiçoado, passando a enfatizar uma igualdade fática entre os indivíduos, não meramente jurídico-formal. Com isso, desenvolveu-se, por exemplo, o Direito do Trabalho e o Direito do Consumidor, que objetivam, através da proteção à parte mais fraca da relação jurídica, estabelecer uma real situação de igualdade, inexistente na sociedade. Trata-se aqui da igualdade material que, deve-se ressaltar, foi bastante promovida em nossa atual constituição, que “reforça o princípio com muitas outras normas sobre a igualdade, buscando a igualização dos desiguais pela outorga de direitos substanciais”.

De modo geral, a principal inspiração para a criação de tais políticas públicas é, sem tese, a promoção de uma igualdade fática ou material.” 22

Como isto é um consenso jurídico, não vou entrar mais no mérito da questão, apenas lembrando que “qualquer ação afirmativa, que busca transpor as desigualdades e a igualdade material (utopicamente), deve ser aplicada por um determinado tempo, ou seja, não é um instituto que deva ser aplicado com um finalidade definitiva. Juntamente a isso, há de se entender que as ações afirmativas, como o sistema de cotas, devem possuir ações conjuntas, atacando o problema desde a sua raiz, pois nenhum problema social foge da deficiência das estruturas de base, como educação, distribuição de renda, falta de oportunidade, e outros.” 23

Este também é o consenso do STJ:

 “Trata-se de uma medida temporária, tomada a serviço da própria igualdade. As políticas de ação afirmativa não podem se tornar benesses permanentes, e nem é isso que o movimento negro quer”, disse o relator, o ministro Ricardo Lewandowski. Para ele, não há dúvidas sobre a constitucionalidade de políticas de ação afirmativa que tenham como objetivo corrigir desigualdades sociais, inclusive aquelas baseadas na cor da pele. De acordo com o ministro, “se a raça foi utilizada para construir hierarquias, deverá também ser usada para desconstruí-las”. 24

Paulo Maciel

Fontes: 

  1.  http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/06/hildegard-angel-o-que-dilma-deveria-ter-dito-elite-brasileira/
  2. http://www.cartamaior.com.br/?/Blog/Blog-do-Emir/O-dedo-do-Lula/2/27163
  3. http://www.youtube.com/watch?v=45Rp6QiLHpY&hd=1
  4. http://www.youtube.com/watch?v=iCi53Uyvgcg
  5. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/caracteristicas_raciais/pcerp_classificacoes_e_identidades.pdf
  6. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/caracteristicas_raciais/pcerp_classificacoes_e_identidades.pdf
  7. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/caracteristicas_raciais/pcerp_classificacoes_e_identidades.pdf
  8. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ra%C3%A7as_humanas
  9. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/caracteristicas_raciais/pcerp_classificacoes_e_identidades.pdf
  10. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/caracteristicas_raciais/pcerp_classificacoes_e_identidades.pdf
  11. http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL43786-5604-619,00.html
  12. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12711.htm
  13. http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunismo
  14. http://blogdoenem.com.br/lei-de-cotas-enem-2013/
  15. http://vestibular.uol.com.br/noticias/redacao/2013/01/23/com-metade-da-nota-cotista-entra-nos-cursos-mais-concorridos-da-uerj.htm
  16. http://www.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-sanciona-lei-que-cria-cotas-para-concursos,1508933
  17. http://g1.globo.com/concursos-e-emprego/noticia/2013/11/entenda-projeto-de-lei-que-estabelece-cotas-para-negros-em-concursos.html
  18. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/caracteristicas_raciais/pcerp_classificacoes_e_identidades.pdf
  19. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/caracteristicas_raciais/pcerp_classificacoes_e_identidades.pdf
  20. http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2014/06/13/quem-e-essa-turma-vai-tomar-cu/
  21. http://www.conjur.com.br/2012-abr-26/supremo-tribunal-federal-decide-cotas-raciais-sao-constitucionais
  22. http://periodicoalethes.com.br/media/pdf/3/o-principio-da-igualdade-e-as-cotas-raciais-no-brasil.pdf
  23. http://pt.wikipedia.org/wiki/Cota_racial
  24. http://www.conjur.com.br/2012-abr-26/supremo-tribunal-federal-decide-cotas-raciais-sao-constitucionais

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