5. Os ladrões 2

bancos

 

Para concluir este estudo exaustivo de nossa atual economia, temos que compreender que atualmente vivemos em dois mundos: um real e um virtual, tipo Matrix! O mundo real da economia é o mundo do patrimônio, como sempre foi, desde o início da nossa história; o mundo virtual é o atual mundo econômico, que cria todo um jogo para sobreviver neste caos planetário. Eu costumo dizer que “a economia mundial é como o jogo Banco Imobiliário: um finge que tem dinheiro e o outro finge que acredita”. Como é necessário aceitar as “regras do jogo” por todos os participantes, acaba existindo um consenso global de como as coisas funcionam no mundo econômico (atual e antigo). Vamos dar um passeio pelo mundo dos grandes ladrões internacionais, já que 5% da humanidade detém 80% das riquezas do mundo.  Um breve resumo desta história podemos ler aqui:

PADRÃO-OURO: antigo e obsoleto sistema através do qual as moedas tinham o ouro como padrão de referência.

Por exemplo, de 1935 até 1967, 1 dólar valia 0,88 g de ouro puro (“1 fine ounce troy per US$ 35.00”), ou seja, poderíamos trocar US$ 1,00 por 0,88 g de ouro no Tesouro Americano. Essa conversibilidade, no entanto, foi extinta em 1971, quando De Gaulle, não aceitando o dólar como padrão internacional, pois seria submeter a França aos EUA, começou a trocar suas reservas por ouro, e acabando com o pouco lastro que os EUA possuíam. Aí então Nixon decidiu mudar subitamente as regras do jogo, repudiando unilateralmente o compromisso assumido com os demais países de trocar seus dólares por ouro.

O interesse que ainda existe no padrão-ouro é que era usado, antigamente, para explicar a inflação. Vejamos como.

Suponhamos que um dólar seja uma moeda com 0,88 g de ouro. Se, precisando de mais dinheiro (como nas guerras), o governo cunhar moedas com 0,44 g cada, poderá, com o mesmo ouro, ter o dobro de moedas que tinha antes, ou seja, dobraria a sua “fortuna”. Entretanto, como os comerciantes faziam as contas em gramas de ouro e não em moedas de 1 dólar, os preços também dobrariam, ou seja, haveria inflação.

Para compreender melhor por que o padrão-ouro foi extinto (embora alguns ainda raciocinem com ele), precisamos fazer um breve retrospecto da História da Moeda.

Com a necessidade de trocar o que sobrava pelo que faltava, o homem criou desde cedo uma mercadoria de referência, para facilitar as transações. Assim, o boi foi uma moeda romana, e um lote de terra podia valer 30 bois (“Boi” em latim é “pecu”, de onde vieram os termos “pecunia” = dinheiro, “pecuniário”, “peculato” etc.). Outra moeda que os romanos chegaram a usar para pagar os seus soldados foi o sal (donde a palavra “salário”).

Entretanto, o ouro logo se impôs como a mercadoria ideal para ser usada como moeda, pois era: Indestrutível: um boi morre, uma moeda não. Inalterável: não se gasta com facilidade. Homogênea: duas moedas são iguais entre si; bois são sempre diferentes. Portátil: pode ser carregada no bolso. Divisível: é fácil fabricar meia moeda, para servir de troco. Escassa: a quantidade total de ouro não aumenta muito com o tempo, pois do contrário provocaria inflação (haveria dinheiro sobrando). [Segundo Heródoto (Livro I, XCIII), “Todas as jovens, na Lídia, se entregavam à prostituição. Com isso, formavam o dote e continuavam no negócio até se casarem, cabendo-lhes o direito de escolher o esposo. De todos os povos dos quais temos conhecimento, foram os Lídios os primeiros a cunhar moedas de ouro ou de prata.” Isto se deu no séc. VIII a.C.]

Carregar ouro no bolso, no entanto, além de pesado, era arriscado, pois as estradas viviam cheias de assaltantes (a riqueza era muito concentrada naqueles tempos). Os comerciantes começaram, então, a confiar seu ouro aos ourives e joalheiros, que possuíam cofres seguros. Em troca, recebiam um pedaço de papel chamado “Certificado de Custódia de Ouro”, como ainda hoje se faz nas Bolsas de Mercadorias (Commodities). Como esses Certificados eram nominais, poderiam até ser roubados, pois os ladrões não conseguiriam trocá-los novamente por ouro. Essa moeda de papel com lastro ouro passou a ter uso generalizado: era a moeda fiduciária (“moeda de confiança”).

Entrementes, com o passar do tempo, os ourives foram percebendo que só uns 10% do ouro custodiado era de fato movimentado pelos seus proprietários, ficando o restante permanentemente em seus cofres. Surgiu, então, a “brilhante” idéia de emprestar a juros esses 90% restantes, emitindo assim mais Certificados. Apareceu, desse modo, o papel-moeda, também uma moeda fiduciária que, embora sem lastro total, era garantida pelo ourives, nos quais todos depositavam confiança (em latim esta palavra é “fiducia”, donde o termo “fiduciário”). O papel-moeda, da mesma forma que a moeda-papel, poderia ser convertido em ouro a qualquer instante, sob solicitação, desde que não chegassem todos ao mesmo tempo. [Em 1981, os bancos mantiveram 2,2% dos depósitos em Caixa, recolheram 21% ao governo (por lei) e emprestaram a juros os restantes 76,8%.  (V. IBGE, Balanço consolidado dos Bancos)]

Embora no começo esses papéis sem lastro fossem sendo emitidos lenta e receosamente, acabou por virar rotina, pois propiciavam enormes lucros para os ourives, agora já travestidos em banqueiros.

Com o desenvolvimento do Estado, após a Renascença, os Governos passaram a controlar os Bancos, pois o poder político destes chegava a ser maior que o do próprio rei ou imperador, como ocorreu com os Rothschild’s. [Os primeiros Bancos públicos datam de 1609]

O lastro-ouro, por sua vez, embora impedisse os governos de emitir papel-moeda indiscriminadamente, tinha um grande inconveniente: se o país crescesse e precisasse de mais dinheiro para as suas operações comerciais e industriais, teria que obter mais ouro, quer exportando seus bens, explorando suas minas ou invadindo militarmente outros países ou regiões, como ocorreu no Brasil após 1500. Caso não o conseguisse, ficaria com sua economia asfixiada.

O tiro de misericórdia nesse sistema foi dado com a Crise de 1929, quando todos correram para os Bancos para trocar suas cédulas por ouro, o que era evidentemente impossível. Daí por diante, as moedas foram se tornando inconversíveis, apenas os Governos podendo emiti-las. Não tinham mais lastro e deveriam ser encaradas como dinheiro por força de lei. Nos EUA, chegou mesmo ser crime possuir ouro.

Desse modo, uma cédula, hoje em dia, não passa de um autêntico cheque sem fundos emitido pelo Governo, que deve ser aceito por todos porque ele assim o determinou. Não é sem razão que Galbraith afirmou, certa feita, que “Se alguém estiver planejando fazer uma revolução ou uma guerra, precisará apenas de três coisas: um bom pretexto, um exército treinado e uma oficina gráfica. . .” [A História da Moeda pode ser encontrada em Galbraith (185) e (186, Cap. 6.). Notemos que, a partir da criação da moeda legal, esta deixa de ser uma mercadoria ou bem, para se transformar em simples declaração de crédito ao portador (cédulas) ou nominal (cheque e dinheiro eletrônico)]

O quadro abaixo traça um resumo da evolução da moeda até os dias futuros.” 1

 

CRONOLOGIA DA MOEDA
Estágio Tipo de moeda
Tribal Não existem moedas; há apenas o escambo: troca de mercadorias por mercadorias diretamente
Agrícola Boi, sal, fumo etc.
Mercantil Moeda metálica: ouro, prata, cobre. Padrão ouro
Pré-industrial Moeda metálica.
Moeda fiduciária: moeda-papel com lastro total (Certificado de Custódia de Ouro)
Industrial Moeda fiduciária: papel-moeda (lastro parcial)
Moeda escritural: cheque bancário lastreado em papel-moeda
Monopolista Moeda legal (sem lastro): cédulas inconversíveis
Moeda escritural
Pós-industrial (futuro) Extinção da moeda, que se reduzirá a meras informações armazenadas em discos magnéticos de computador. As operações se realizarão via cartões de crédito, de compras, terminais bancários, computadores domésticos, transferência eletrônica de fundos etc. É o chamado “dinheiro eletrônico”.

 

Esta história é longa, mas vou reservar outro espaço para discutir o tema. O que importa aqui, por enquanto, é sabermos que estamos vivendo em um mundo com duas economias simultâneas: 1. O salário que cada um recebe e o valor de R$ 70,00 do Bolsa Família que recebemos em nossa conta bancária é o dinheiro do mundo real; 2. O dinheiro que os países imprimem e os Títulos da Dívida Pública que os governos emitem; os juros cobrados; os índices de controle da economia: Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),  SELIC (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), valor de câmbio do Dólar,  etc.

E este tipo de manipulação do mercado econômico começou com os EUA, a partir de uma cartada decisiva de Nixon em 15/08/1971 que deu o golpe final do modelo econômico real. Para entender melhor isto, leia abaixo:

Quais as chances de o dólar deixar de ser a moeda de reserva internacional?

Moedas utilizadas como reservas internacionais foram importantes no período compreendido entre a Conferência de Gênova, em 1922, e abolição unilateral do padrão ouro-câmbio feita por Nixon em agosto de 1971.

Aqueles países que queriam auferir algumas receitas adicionais podiam fazer com que seus bancos centrais comprassem ativos que rendessem juros.  Esta opção era oficialmente melhor do que apenas estocar ouro.  Sendo assim, os bancos centrais compravam os títulos emitidos pelo governo dos EUA.  E, de 1925 a 1931, eles compravam os títulos emitidos pelo governo britânico.  Estes títulos geravam renda para seus investidores.  O ouro não gerava renda.

O preço do ouro não se alterou durante este período — 1925 a 1931 — porque os EUA adotaram como política oficial converter seus estoques de ouro em dólar a um valor de US$20 a onça de ouro.  Ou seja, qualquer governo estrangeiro que apresentasse uma nota de US$20 ao governo americano tinha o direito de ganhar em troca uma onça de ouro.  Como tal política só valia para o câmbio entre governos estrangeiros, e não para os cidadãos americanos, o regime passou a ser chamado de padrão ouro-câmbio.

Portanto, os EUA tinham uma moeda lastreada em ouro.  A consequência desse arranjo era que o governo americano não podia inflacionar sua moeda de forma mais intensa, pois, quanto mais dólares ele jogasse no mundo, mais ouro seria demandado de seus cofres.  Quanto mais os EUA inflacionassem, maior seria a fuga de ouro para os outros países.

Com o advento da Segunda Guerra Mundial, este regime foi suspenso.  Mas voltaria novamente após a guerra, agora a um valor de US$35 por onça.  Criado na conferência de Bretton Woods de 1944, ele passou a existir oficialmente em 1946.  De 1946 até a semana anterior a 15 de agosto de 1971, qualquer país ou banco central poderia converter US$35 em uma onça de ouro sob demanda.

Já no final da década de 1950, alguns países começaram de fato a fazer isso.  Os estoques de ouro dos EUA haviam chegado a um máximo em 1958.  E então, a partir daí, o ouro começou a ser demandado pelos outros países, e começou a fluir para fora dos EUA.

O status de ‘moeda de reserva internacional’ do dólar americano após a Segunda Guerra Mundial era baseado no poder da economia dos EUA, mas era também baseado no fato de que o governo americano havia prometido restituir sua moeda em ouro a um valor de US$35 a onça.  O ouro era a âncora do dólar, que era a moeda de reserva mundial.  Os bancos centrais estrangeiros, em vez de pedir a restituição de dólares em ouro, podiam também utilizar estes dólares para comprar títulos do Tesouro americano e, com isso, auferir receitas.

Qualquer governo estrangeiro podia pedir para o seu banco central criar dinheiro do nada (sua moeda nacional) e então utilizar este dinheiro para comprar dólares, os quais eram imediatamente utilizados para comprar títulos do Tesouro americano.  No entanto, por causa do acordo de Bretton Woods, havia limites na capacidade de um país fazer isso.  Estes limites tinham a ver com a taxa de câmbio entre a moeda do país e o dólar americano.  A taxa de câmbio estava relativamente fixada.  As moedas de cada país tinham um valor atrelado dólar (e este valor tinha de ser mantido pelo governo deste país), e o dólar tinha um valor fixo em ouro.

Desta forma, uma inflação monetária em massa não podia ser feita pelos países membros do Fundo Monetário Internacional (o qual também havia sido criado na conferência de Bretton Woods).  Afinal, quem inflacionasse, teria dificuldades de sustentar o valor de sua moeda em relação ao dólar.  Isto manteve a taxa de inflação de preços, bem como a de inflação monetária, relativamente estável de 1946 a 1971.  Era contra as regras do FMI um país tentar desvalorizar sua moeda com o intuito de estimular suas indústrias exportadoras.

No entanto, um país estava livre para inflacionar: os EUA.  E ele fez isso livremente.  Os dólares que os EUA criavam iam parar nas reservas dos outros países, os quais podiam então inflacionar suas moedas em cima destes dólares.  Na década de 1960, alguns países — e a França, com mais intensidade — passaram a demandar a restituição destes dólares em ouro.  Isso gerou uma enorme pressão sobre o governo americano, que havia criado muito mais dólares do que a quantidade de ouro em suas reservas.  Para evitar a perda total de seu estoque de ouro, o governo americano simplesmente tomou a decisão unilateral de abolir este regime de conversão em agosto 1971.  Naquela data, todo o sistema de Bretton Woods foi para o lixo.  E nunca mais voltou.

A partir daí, qualquer país estava livre para inflacionar o tanto que quisesse, sem restrições.  E este é o sistema vigente até hoje.  Qualquer país está livre para inflacionar sua moeda para reduzir seu valor perante o dólar e, com isso, estimular suas exportações.  Não há limites internacionais para isso.

Do início da Primeira Guerra Mundial até 1971, o dólar americano era uma das principais moedas do mundo.  Após a Inglaterra sair do padrão-ouro em 1931, o dólar aumentou sua estatura internacional.  No pós-guerra, por ser a única conversível em ouro e por dar acesso aos títulos do Tesouro americano (e aos seus juros), o dólar se tornou a moeda mais desejada internacionalmente.  O dólar era confiável.  Os títulos do Tesouro americano eram confiáveis.  Isso passou a representar uma enorme vantagem para o Federal Reserve (o Banco Central americano), pois, como dito, ele agora podia inflacionar livremente, e os governos estrangeiros teriam de inflacionar em conjunto com a inflação do dólar para manter o câmbio relativamente inalterado.

À medida que o Fed expandia a base monetária americana, todos os outros bancos centrais também tinham de expandir suas moedas para manter a paridade com o dólar.  Era o sonho keynesiano tornado real.

A tradição do dólar como moeda de reserva internacional vem sendo mantida até hoje.  Porém, houve uma alteração na lógica econômica por trás desta hegemonia: em vez de se basear no ouro, ela agora é fortemente mercantilista.

O dólar é a moeda de reserva internacional por dois motivos.  Primeiro, os países membros da OPEP aceitam dólares em troca de petróleo.  E a precificação da OPEP é a principal unidade de conta para todos os mercados de petróleo.  Isso representa um tremendo subsídio para o Tesouro dos Estados Unidos.  É também um subsídio para o Fed.  Tal arranjo permite que o Fed tenha muito mais liberdade para expandir a base monetária, pois, como todos os países estrangeiros têm de comprar dólares para comprar petróleo, a demanda por dólares é garantida, e isso faz com que a expansão monetária do Fed não gere grandes repercussões sobre o valor internacional do dólar.

O segundo motivo é o mercantilismo.  Os governos estrangeiros querem inflacionar continuamente, pois não querem que suas indústrias exportadoras (um lobby poderoso em praticamente todos os países do mundo) percam mercado em decorrência de uma moeda doméstica apreciada.  Se são necessários mais dólares para se adquirir uma moeda em processo de valorização, isso faz com que as receitas da indústria exportadora deste país sejam menores.  Políticos são mercantilistas.  Eles querem subsidiar o setor exportador de suas economias.  Como consequência, governos estrangeiros criam moeda doméstica, compram dólares e em seguida compram títulos do Tesouro americano (os quais formam as reservas internacionais destes países).  Isso mantém o câmbio desvalorizado.

O status de moeda de reserva internacional do dólar está ligado à capacidade do governo dos EUA de controlar os grandes países exportadores de petróleo do Oriente Médio.  A indústria bélica americana vende aviões e armas para estes regimes feudais exportadores de petróleo.  Isso significa que esses regimes são dependentes do governo americano.  Eles têm de comprar peças de reposição para suas armas.  Eles têm de pagar por cursos de treinamento e outras tecnologias, os quais são fornecidos pelos EUA.  E eles têm obviamente de pagar em dólares.

Logo, como estes países têm de pagar em dólares para os americanos, o dólar é a moeda na qual eles vendem seu petróleo.  Como consequência deste arranjo — o fato de o dólar ser a principal moeda do mercado de petróleo —, há uma demanda contínua por dólares em todo o mundo, pois é com o dólar que se compra petróleo.  Tamanha demanda faz com que a depreciação internacional do dólar seja bastante contida.

Se a OPEP algum dia abandonar o dólar e adotar o euro como unidade de conta, o dólar irá se desvalorizar em relação ao euro.  Mas o euro certamente não é mais estável do que o dólar.  E, como os países da OPEP entendem a natureza do poder, eles mantêm o dólar como sua unidade de conta.

O status do dólar como moeda internacional de reserva praticamente nada tem a ver com as políticas monetárias do Banco Central americano.  O Fed pode, de certa forma, fazer o que bem quiser, pois, enquanto o governo americano — por meio de sua indústria bélica — mantiver o domínio da exportação de armas de alta tecnologia e de suas peças de reposição, ele não tem de se preocupar com o status de reserva internacional do dólar.  Países do Oriente Médio compram armas em dólares; por isso, eles vendem petróleo em dólares.  Consequentemente, todos os países do mundo têm de comprar dólares para comprar petróleo.  Isso é uma enorme fonte de demanda para o dólar.

As pessoas falam das políticas monetárias do Fed como se elas tivessem grande importância sobre o valor internacional do dólar.  Têm um pouco, mas não muito.  O dólar americano continuará sendo a moeda de reserva do mundo, não obstante o fato de o Tesouro americano estar pagando juro quase zero em seus títulos de curto prazo.  Tais títulos são adquiridos pelos outros países não porque eles querem auferir receitas, mas sim porque as políticas do mercantilismo estão plenamente atuantes em todo o mundo.  Nenhum político quer ver sua moeda se apreciando continuamente enquanto ele estiver no cargo.  O setor exportador e toda a indústria nacional acabariam com sua carreira.

A OPEP decide.  Se seus países continuarem utilizando o dólar, então ele continuará sendo a moeda de reserva internacional.” 2

O cara mais lúcido a respeito da economia mundial que encontrei até hoje neste mundo global é Matthias Chang, que como o Neo de Matrix está tentando acordar os povos em coma induzido pela manipulação global dos bancos:

O Sistema Moeda Fiduciária inteiro está falido: A Queda do Dólar como Moeda de Reserva Mundial

Já tem algum tempo desde a última vez que escrevi um artigo sobre a crise financeira atual. Eu não escrevo por escrever, como os outros, porque eles têm compromissos com seus clientes, que pagam caras taxas de assinatura exigem que seu dinheiro seja valorizado.

As principais questões e tendências econômicas não mudam diariamente, nem mesmo mensalmente. Uma tendência econômica pode levar alguns anos para chegar a um resultado, isso se não houver algum fator importante que possa afetá-la, por isso não há qualquer necessidade de comentar mais sobre ela nem sobre os resultados.

Os desdobramentos da decisão de Bernanke de não encerrar os QE são os mais significativos porque confirmam a nossa análise de que a crise bancária não tenha sido resolvida de forma significativa após cinco anos de impressão de dinheiro e de uma enorme inflação. O sistema monetário fiduciário tem apenas um destino – o colapso total. Isso também significa o fim do dólar dos EUA como moeda de reserva global.

Não há soluções à mão.

Bernanke está totalmente desacreditado e a continuação de seu mandato como Presidente do FED só iria acelerar a percepção de que o FED e os bancos centrais falharam. Daí, a necessidade de mudar a “liderança”, mas mantendo as mesmas políticas com algumas mudanças cosméticas para enganar as massas ignorantes. É análogo à transição da segunda presidência de Bush para a de Obama e todo o teatro da propaganda de “mudança”. Na verdade, Obama é Bush 2 com esteroides! Yellen será Bernanke em esteroides. Por que estamos tão certos desse resultado num futuro próximo?

Os motivos são os seguintes:

Antes da crise financeira global de 2008, eu escrevi vários artigos expondo os bancos “Too Big To Fail” (TBTF) globais como estupradores financeiros e predadores, e que iriam causar estragos incalculáveis ​​ao sistema financeiro.

Após a crise, eu também avisei que esses bancos globais TBTF eram insolventes e os ativos tóxicos nos seus balanços excederiam US$ 20 trilhões no mínimo. Todo o sistema de moeda fiduciária está falido. A impressão de dinheiro de papel higiênico aos trilhões não faz o sistema solvente. É evidente uma admissão de que o sistema está completamente quebrado.

O Humpty-Dumpty bancário caiu do muro e se quebrou em mil pedaços! A confirmação disso é o fato de que todos os bancos centrais liderados pelo FED têm um único objetivo – criar uma enorme inflação. Como pode um mercado de ações de uma nação falida estar em crescimento constante?

O FED e os bancos centrais em todo o mundo não estão interessados ​​em resolver o problema do desemprego porque o desemprego recorde não provocaria o colapso do sistema de moeda fiduciária. Pode provocar uma enorme agitação social, mas que pode ser reprimida por uma força policial militarizada, apoiado por militares aguerridos como está acontecendo nos EUA.

Nestas circunstâncias, é preciso fazer a pergunta de um trilhão de dólares – Por que todos os bancos centrais estão querendo criar inflação através da emissão de moeda sem lastro?

A resposta: o sistema monetário fiduciário é a economia, estúpido!

Ela costumava ser o Petrodólar quando este era o eixo da economia global. No entanto, quando o mercado de derivativos decolou e se tornou um casino global de US$ 800 trilhões, o dólar de papel higiênico se tornou a moeda na negociação financeira global e na especulação.

Todos os bancos TBTF cresceram os olhos e as garantias foram seguradas e re-seguradas inúmeras vezes, e isso se transformou numa piada de pirâmide invertida.

As garantias foram empacotadas em CDOs, etc., classificadas como AAA pelas agências de classificação de crédito corruptas e comercializadas. Não precisamos repetir essa velha história. O ponto ao qual queremos chegar é que não são apenas as garantias sucateadas, mas eles estão se apoiando em uma montanha de dívidas na casa dos trilhões. Portanto, quando as garantias estão prejudicadas, os bancos TBTF estão em um buraco do qual não podem sair. O Fed e outros bancos centrais não têm escolha, a não ser salvar os bancos TBTF para evitar uma falha sistêmica. Se todas as garantias de lixo tivessem de ser descarregadas de uma só vez em plena vista do escrutínio público, haveria uma corrida a todos os bancos. Então, foi necessário um esforço de resgate com discrição. Os bancos TBTF foram autorizados a descarregar as garantias de lixo pouco a pouco pelos vários esquemas do FED, culminando com os US$ 85 bilhões por mês e nas compras de títulos do Tesouro e hipotecas por parte do FED.

Além disso, recentemente garantias “cunhadas” foram usadas para substituir as sucateadas de forma a limpar os balanços dos bancos TBTF. Afirmei anteriormente que a quantidade mínima de ativos tóxicos precisam ser varridos era de US$ 20 trilhões. Após cinco anos, o Fed apenas arranhou a superfície. É discutível quantos trilhões de dólares o FED realmente tem bombeado no sistema diretamente e indiretamente. Quanto e por quanto tempo mais pode o FED continuar a bombear dólares de papel higiênico no sistema sem criar de um enorme desconfiança no dólar? Quando o déficit no balanço do FED atingir US$ 7 trilhões, ou talvez US$ 10 trilhões? É uma incógnita.

Com certeza, haverá um momento em que outros US$ 100 bilhões serão criados em cima do estoque de dólares de papel higiênico e aí a balança vai desequilibrar e colapsar todo o sistema. É um ardil-22 para o FED. Se ele para de criar fiduciário dinheiro sem lastro, o sistema monetário entraria em colapso imediatamente. Se ele continua com mais criação de dinheiro, apenas adia o fim do jogo inevitável e o torna ainda mais devastador. Este é o preço que todos temos de pagar por permitir um sistema de moeda fiduciária para manter influência por tanto tempo.

O mundo foi enganado ao aceitar o maior esquema de pirâmide da história do sistema bancário e financeiro – a pirâmide do dólar com moeda de reserva global.

Este sistema foi criado como um castelo de areia de dívidas, especificamente Obrigações do Tesouro dos Estados Unidos. O mundo não precisa de uma moeda de reserva global. O comércio global pode ser feito em qualquer moeda, de acordo com as necessidades e os recursos de cada país.

Por que deveria haver um privilégio especial dado a um único país de ter sua moeda como a única moeda de reserva, para fins de comércio? Não faz sentido, pois é o resultado de políticas imperialistas dos EUA, sob o pretexto da Guerra Fria. O golpe foi baseado na propaganda de que o dólar americano deveria ter a preferência e os Bônus do Tesouro dos EUA seriam os “ativos mais seguros” no caso de um de guerra entre o ocidente imperialista e o bloco soviético. Nos disseram que esse acordo era necessário para que pudéssemos desfrutar da proteção da poderosa superpotência, os EUA!

No entanto, quando o bloco soviético desmoronou ninguém questionou a necessidade de perpetuar o sistema.

Outra rodada foi propagada. Os EUA foram o pivô na nova era da globalização, porque o mercado dos EUA era o maior mercado consumidor/exportador. Todo mundo foi pego nessa teia de mentiras. O mercado dos EUA era um mercado construído sobre uma montanha de dívidas. Adicionando insulto à injúria, os consumidores norte-americanos pagaram pelas mercadorias produzidas por milhões de pessoas quebrando suas costas com dólares americanos de papel higiênico!

Alguns dos chamados especialistas em moeda afirmaram que nenhuma outra moeda poderia substituir o papel higiênico dos EUA como moeda de reserva global, porque nenhum outro país tem um mercado de títulos como o mercado de títulos dos EUA, dominado pelos títulos do Tesouro dos EUA. Que afirmação idiota!

Se um país não tem dívida, não há necessidade de emissão de quaisquer títulos. Um título é um IOU. Um título é uma mera promessa de papel de pagamento de uma dívida.

E quem diz e continua a perpetuar o mito de que a dívida dos EUA é a melhor e a mais seguro é ignorante e mal informado!

Por que alguém iria querer trabalhar e produzir bens que são vendidos e pagos com dólares de papel higiênico e, em seguida, usar o excesso dos dólares de papel higiênico para dar ao governo dos EUA, que paga a dívida com a simples impressão de mais dólares de papel higiênico?

Então, você ainda acha que o mundo precisa de papel higiênico como moeda de reserva?3

Os Estados Unidos entendem o aumento de consumo pela população como “enriquecimento”. E o governo de Lula entrou pelo mesmo conceito, o que está levando a um grave problema econômico para o Brasil:

 “A CNI condena o modelo de estímulos ao consumo

Ao divulgar anteontem as suas projeções para a economia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou o modelo econômico que privilegia o consumo. Há muito tempo vimos alertando para o risco dessa política de estimular o consumo doméstico a ponto de a indústria interna não poder acompanhá-lo, o que leva ao aumento das importações. Esse modelo parecia agradar até agora ao setor manufatureiro, mas levou paulatinamente a um processo de desindustrialização que se amplifica a cada ano.

Se o governo estimula a demanda, cabe à indústria oferecer produtos a preços cada vez mais atraentes e com um conteúdo tecnológico mais avançado. Para responder a esses dois requisitos, a indústria doméstica chegou à conclusão de que devia importar, tanto os componentes produzidos no exterior a uma preço muito baixo quanto produtos acabados que respondam à última modernização. Isso, no entanto, leva a indústria nacional a se transformar apenas em montadora, deixando de lado a busca da inovação e aceitando o princípio de que grandes empresas no exterior estão mais aptas para oferecer o mais recente avanço tecnológico.

Com o tempo desaparecem as empresas que produzem componentes, enquanto a indústria final não se anima a realizar investimentos para criar inovações importantes, sem em processos, seja em produtos. Pouco a pouco, a indústria brasileira está se marginalizando e se vendo expulsa do mercado internacional, que, embora marginal, é importante para ela.

A CNI continua pessimista para 2012, prevendo que o PIB da indústria terá crescimento de 2,3%, com o PIB nacional crescendo 3% e o consumo das famílias aumentando 4% – que, numa economia equilibrada, não deveria ser superior ao aumento do PIB nacional. Continuará a haver, assim, um descasamento entre oferta e demanda que, na visão do Banco Central, representa um dos fatores mais relevantes na criação de pressões inflacionárias.” 4

Em relação a esta questão do estímulo do consumismo, um português chamado James Petras escreveu recentemente um artigo falando dos escândalos da Copa e mostra uma visão global do governo do PT e do Lula:

“A luta dos trabalhadores triunfa sobre o espectáculo

Durante décadas críticos sociais lamentaram a influência do desporto e de espectáculos de entretenimento que “distraíam” trabalhadores da luta pelos seus interesses de classe.

Segundo aqueles analistas, a “consciência de classe” era substituída pela consciência de “massa”. Argumentavam eles que indivíduos atomizados, manipulados pelos mass media, eram convertidos em consumidores passivos que se identificavam com heróis milionários do desporto, com protagonistas de novelas e celebridades do cinema.

O culminar desta “mistificação” – a ilusão em massa – era os campeonatos mundiais observados por milhares de milhões por todo o mundo, patrocinados e financiados por corporações bilionárias: as World Series (baseball), a Copa do Mundo (futebol) e a Super Bowl (futebol americano).

Hoje, o Brasil está a viver a refutação desta linha de análise cultural-política. Os brasileiros têm sido descritos como “loucos por futebol”. Suas equipes venceram o maior número de Copas Mundiais. Seus jogadores são cobiçados pelos proprietários das equipes mais importantes da Europa. Dizem que seus torcedores “vivem e morrem pelo futebol” … Ou assim nos diziam.

Mas foi no Brasil que os maiores protestos na história da Copa do Mundo tiveram lugar. Já um ano antes dos jogos, programados para Junho de 2014, houve manifestações em massa de até um milhão de brasileiros. Apenas nas últimas semanas, proliferaram greves de professores, polícia, trabalhadores da construção e empregados municipais. O mito dos espectáculos de mass media a hipnotizar as massas foi refutado – pelo menos no Brasil dos dias de hoje.

Para entender porque o espectáculo de massa foi um fracasso de propaganda é essencial entender o contexto político e económico no qual foi lançado, bem como os custos e benefícios e o planeamento táctico de movimentos populares.

O contexto político e económico: A Copa do Mundo e as Olimpíadas

Em 2002, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Lula da Silva, venceu as eleições presidenciais. Seus dois mandatos (2003 – 2010) foram caracterizados por um caloroso abraço do capitalismo de livre mercado juntamente com programas populistas de [alívio da] pobreza. Ajudado por influxos em grande escala de capital especulativo, atraído por altas taxas de juro, e pelos altos preços das commodities para as suas exportações agro-minerais, Lula lançou um programa maciço quanto à pobreza proporcionando cerca de US$60 por mês a 40 milhões de brasileiros pobres, os quais constituíram parte da base de massa eleitoral de Lula. O Partido dos Trabalhadores reduziu o desemprego, aumentou salários e apoiou empréstimos com juros baixos ao consumidor, estimulando um “boom do consumidor” que levou a economia em frente.

Para Lula e seus conselheiros, o Brasil estava a tornar-se uma potência global, atraindo investidores de classe mundial e incorporando os pobres no mercado interno.

Lula foi louvado pela Wall Street como um “esquerdista pragmático” e como um estadista brilhante pela esquerda!

De acordo com esta visão grandiosa (e em resposta a um amontoado de bajuladores presidenciais, de Norte e a Sul), Lula acreditou que a ascensão do Brasil à proeminência mundial exigia que “hospedasse” a Copa do Mundo e as Olimpíadas e embarcou numa campanha agressiva… O Brasil foi escolhido.

Lula enfeitava-se e pontificava: o Brasil, como hospedeiro, alcançaria o reconhecimento simbólico e os prémios materiais que uma potência global merecia.

A ascensão e a queda das grandes ilusões

A ascensão do Brasil foi baseada em fluxos de capital estrangeiro condicionados pelo diferencial (favorável) de taxas de juro. E quando as taxas mudam, o capital flui para fora. A dependência do Brasil da alta procura pelas suas exportações agro-minerais baseou-se no prolongado crescimento económico com dois dígitos na Ásia. Quando a economia da China arrefeceu, a procura e os preços caíram e, assim, os ganhos do Brasil com exportações.

O “pragmatismo” do Partido dos Trabalhadores significou aceitar as estruturas políticas, administrativas e regulamentares herdadas dos regimes neoliberais anteriores. Estas instituições eram permeadas por responsáveis corruptos ligados a empreiteiros de construção notórios por derrapagens de custos e longos atrasos em contractos com o estado.

Além disso, a “pragmática” máquinas eleitoral do Partido dos Trabalhadores foi construída sobre comissões debaixo da mesa e subornos. Somas vastas foram desviadas dos serviços públicos para bolsos privados.

Inchado pela sua própria retórica, Lula acreditou que a emergência económica do Brasil na cena mundial era um “negócio feito”. Ele proclamou que os seus faraónicos complexos desportivos – os milhares de milhões de dinheiro público gastos em dúzias de estádios e infraestrutura custosa – “pagar-se-iam por si mesmos”.

O fatal “efeito demonstração”: A realidade social derrota a grandeza global

A nova presidente do Brasil, Dilma Rousseff, protegida de Lula, concedeu milhares de milhões de reais para financiar os maciços projectos de construção o seu antecessor: estádios, hotéis, auto-estradas e aeroportos para acomodar uma prevista inundação de torcedores estrangeiros de futebol.

O contraste entre a disponibilidade imediata de quantias maciças de fundos públicos para a Copa do Mundo e a perene falta de dinheiro para deteriorados serviços públicos essenciais (transporte, escolas, hospitais e clínicas) foi um enorme choque para os brasileiros e uma provocação para a acção em massa nas ruas.

Durante décadas, a maioria dos brasileiros, que dependiam de serviços públicos para transporte, educação e cuidados médicos (as classes superiores e média podem permitir-se serviços privados), foi dito que “não havia fundos”, que os “orçamentos tinham de ser equilibrados”, que um “excedente orçamental era necessário para cumprir acordos com o FMI e atender o serviço da dívida”.

Durante anos fundos públicos foram desviados por nomeados políticos corruptos para pagar campanhas eleitorais, levando a um transporte asqueroso, superlotado, frequentemente avariado, e a atrasos nas viagens diárias em autocarros abafados e a longas filas nas paragens. Durante décadas, escolas estiveram em ruínas, professores corriam de escola em escola para compensar os seus miseráveis salários mínimos levando a uma educação de baixa qualidade e desprezada. Hospitais públicos eram sujos, perigosos e superlotados, médicos mal pagos frequentemente aceitavam pacientes privados nas horas vagas, medicamentos essenciais eram escassos nos hospitais públicos e super-caros nas farmácias.

O público foi ultrajado pelo contraste obsceno entre a realidade de clínicas dilapidadas com janelas partidas, escolas superlotadas com goteiras e transporte de massa não confiável para o brasileiro médio e os enormes novos estádios, hotéis luxuosos e aeroportos para os torcedores e visitantes estrangeiros ricos.

O público foi ultrajado pelas óbvias mentiras oficiais: a afirmação de que “não havia fundos” para professores quando milhares de milhões de reais ficaram instantaneamente disponíveis para construir hotéis de luxo e atraentes camarotes nos estádios para torcedores ricos do futebol.

O detonador final para o protesto em massa nas ruas foi o aumento nas tarifas de autocarros e comboios para “cobrir perdas” – depois de aeroportos e auto-estradas públicas terem sido vendidas a baixo preço a investidores privados que elevaram as portagens e comissões.

Os manifestantes que marchavam contra o agravamento das tarifas de autocarros e comboios foram apoiados amplamente pelas dezenas de milhares de brasileiros que denunciavam as prioridades do governo: Milhares de milhões para a Copa do Mundo e migalhas para a saúde pública, educação, habitação e transporte!

Desatento às exigências populares, o governo avançou na tentativa de acabar seus “projectos de prestígio”. No entanto, a construção de estádio ficou atrás do programado por causa da corrupção, incompetência e má administração. Empreiteiros de construção, que foram pressionados, reduziram padrões de segurança e pressionaram trabalhadores mais duramente, levando a um aumento de mortes e lesões nos estaleiros de obras. Trabalhadores da construção entraram em greve protestando pela aceleração e deterioração da segurança do trabalho.

Os esquemas grandiosos do regime Rousseff provocaram uma nova cadeia de protestos. O Movimento das Pessoas sem Teto ocupou lotes urbanos próximos a um novo estádio exigindo “habitação social” para o povo ao invés de novos hotéis cinco estrelas para estrangeiros ricos adeptos do desporto.

A escalada dos custos com os complexos desportivos e o aumento das despesas governamentais atearam uma onda de greves sindicais para exigir salários mais altos superiores aos objectos do regime. Professores e trabalhadores da saúde foram apoiados pelos trabalhadores fabris e empregados assalariados em greve em sectores estratégicos, tais como o transporte e os serviços de segurança, capazes de desestabilizar gravemente a Copa do Mundo.

A adopção pelo PT dos espectáculos desportivos grandiosos, ao invés de enfatizar o “arranque do Brasil como potência global”, pôs em destaque o amplo contraste entre os dez por cento ricos e seguros nos seus condomínios de luxo no Brasil, em Miami e em Manhattan, com acesso a clínicas privadas de alta qualidade e escolas privadas exclusivas para seus rebentos, com a massa de brasileiros médios, fincados durante horas em auto-carros cheios de suor e superlotados, em encardidas salas de espera para conseguir meras aspiras de médicos não existente e em dilapidar os futuros dos seus filhos em salas de aula dilapidadas sem professores adequados e a tempo inteiro.

A elite política, especialmente o círculo em torno da presidência Lula-Rousseff, caiu vítima das suas próprias ilusões de apoio popular. Eles acreditaram que pagamentos de subsistência (cabazes alimentares) para os muito pobres lhes permitiria gastar milhares de milhões de dinheiro público em espectáculos de desporto para entreter e impressionar a elite global. Eles acreditaram que a massa de trabalhadores estaria tão fascinada pelo prestígio de abrigar a Copa do Mundo no Brasil que ela passaria por alto a grande disparidade entre despesas do governo para grandes espectáculos da elite e a ausência de apoio para atender as necessidades quotidianas dos trabalhadores brasileiros.

Mesmo sindicatos, aparentemente ligados a Lula, que alardeavam o seu passado de liderança dos metalúrgicos, romperam as fileiras quando perceberam que “o dinheiro era para fora” – e que o regime, pressionado pelos prazos finais de construção, podia ser pressionado a elevar salários a fim de ter o trabalho feito.

Os brasileiros, sem dúvida, são voltados para o desporto. Eles seguem entusiasticamente sua equipe nacional. Mas eles também são conscientes das suas necessidades. Não se contentam e aceitar passivamente as grandes disparidades sociais reveladas pela actual corrida louca para encenar a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil. A vasta despesa do governo com os jogos tornou claro que o Brasil é um país rico com uma multidão de desigualdades sociais. Eles perceberam que há vastas somas disponíveis para melhorar serviços básicos da vida diária. Perceberam que, apesar da sua retórica, o “Partido dos Trabalhadores” estava a jogar um jogo esbanjador de prestígio para impressionar uma audiência capitalista internacional. Perceberam que têm poder estratégico para pressionar o governo e tratar de algumas das desigualdades em habitação e em salários através da acção de massa. E eles agarraram-na. Perceberam que merecem desfrutar a Copa do Mundo em habitações públicas adequadas e a preços acessíveis e viajar para o trabalho (ou para um jogo ocasional) em auto-carros e comboios decentes. A consciência de classe, no caso do Brasil, triunfou sobre o espectáculo de massa. O “Pão e circo” cedeu aos protestos em massa.” 5

Depois de todos estes questionamentos a respeito da “elite” dos ladrões, nacionais e internacionais, o que dizer, então, das barbaridades escritas a respeito do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, ameaçado de morte e acusado violentamente por brancos partidários do PT?

Desde que o julgamento do mensalão foi concluído, em novembro de 2013, Joaquim Barbosa tornou-se alvo de uma série de constrangimentos orquestrados por seguidores dos petistas condenados por envolvimento no maior escândalo de corrupção da história de nosso país:

“Os ataques anônimos da patrulha virtual petista, porém, não chegavam a preocupar Barbosa até que atingiram um nível inaceitável. Da hostilidade recorrente, o jogo sujo evoluiu para uma onda de atos criminosos, incluindo ameaças de morte e virulentos ataques racistas.

Os mais graves surgiram quando Joaquim Barbosa decretou a prisão dos mensaleiros José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino. Disparadas por perfis apócrifos de simpatizantes petistas, as mensagens foram encaminhadas ao Supremo.

Em uma delas, um sujeito que usava a foto de José Dirceu em seu perfil no Facebook escreve que o ministro “morreria de câncer ou com um tiro na cabeça” e que seus algozes seriam “seus senhores do novo engenho, seu capitão do mato”. Por fim, chama Joaquim de “traidor” e vocifera: “Tirem as patas dos nossos heróis!”

Em uma segunda mensagem, de dezembro de 2013, o recado foi ainda mais ameaçador: “Contra Joaquim Barbosa toda violência é permitida, porque não se trata de um ser humano, mas de um monstro e de uma aberração moral das mais pavorosas (…). Joaquim Barbosa deve ser morto”. 6

“O homem que desejava atentar contra a vida do presidente do Supremo usava um computador de Natal (RN) e o codinome de Sérvolo Aimoré-Botocudo de Oliveira. Os agentes federais descobriram que o nome verdadeiro do criminoso é Sérvolo de Oliveira e Silva – um autêntico representante da militância virtual petista, mas não um militante qualquer. Além de admirador de José Dirceu e Delúbio Soares e um incentivador do movimento “Volta, Lula”, o cidadão que alimenta o desejo de ver uma bala na cabeça do presidente do STF é secretário de organização do diretório petista de Natal e membro da Comissão de Ética do partido no Rio Grande do Norte.

Também é conselheiro do vereador petista Fernando Lucena na Câmara de Natal e atua como agitador sindical nas greves e movimentos da CUT no estado. Procurado, o presidente do PT em Natal, Juliano Siqueira, admitiu que o investigado é seu secretário.

“Quando eu vi como trataram o julgamento do caso no STF, realmente me irritei. Quando falei do tiro na cabeça, eu estava lembrando do PC Farias. A burguesia brasileira age assim. Mas eu sou do candomblé, não tenho coragem de matar ninguém. Até porque, vamos pensar: se eu quisesse matar mesmo, apesar de ele merecer, eu não iria fazer uma ameaça de morte na internet. A única coisa de que me arrependo foi ter xingado a mãe dele”, afirma.” 7

Depois de localizar Sérvolo de Oliveira e Silva, a Polícia Federal começou a buscar a identidade de outro agressor de Joaquim Barbosa, que escrevia pelo codinome de “Antonio Granado”, que incitava pela Internet os militantes a atentar contra a vida do ministro. Em maio de 2014 a PF encontrou Dimas Antônio Granado de Pádua, petista que escreveu em 18 de dezembro de 2013 em seu Facebook:

“Contra Joaquim Barbosa toda a violência é permitida, porque não se trata de um ser humano, mas de um monstro e de uma aberração moral das mais pavorosas. Que Deus abençoe Genoíno, mas se algo acontecer com ele em virtude de seu estado de saúde e das condições precárias em que se encontra no presídio da papuda, Joaquim Barbosa deve ser morto. Ponto final. Estou ameaçando a um monstro que é uma ameaça ao meu país. Joaquim Barbosa é um monstro e como monstro dever ser tratado.” 8

Localizado, Granado, que tem 56 anos e “se diz ativista de direitos humanos em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo”, como revela a Veja, se defendeu: “Às vezes eu escrevo por impulso, ne exponho, mas o que posso fazer?”, justificou o militante, dizendo que não foi ele quem escreveu o texto publicado, querendo dizer que sua conta no face poderia ter sido invadida. Só que a Polícia Federal varreu a cinta do ativista no face e encontrou outras pérolas agressivas, como esta de 2011, antes dos protestos das ruas: “Tentem derrubar Dilma e se preparem para morrer, porque nós vamos pegá-los. E, se sentirem que estão sendo ameaçados, ótimo, porque é uma ameaça mesmo”. * De acordo com reportagem da Veja, a PF deve indiciar Sérvolo e Dimas por crime de ameaça, que pode render até seis meses de cadeia para cada um. 9

Alguns membros “brancos” militantes do PT, partido que tanto preza e valoriza os negros (o que é algo digno e justo), ameaçam de morte um juiz e o discriminam pela sua cor, dizendo que seus algozes seriam “seus senhores do novo engenho, seu capitão do mato”. 10

Outro militante branco a difamar Joaquim Barbosa foi o jornalista Ricardo José Delgado Noblat, em seu “Blog do Noblat”:

“Joaquim foi descoberto por um caça talentos de Lula, incumbido de caçar um jurista talentoso e… negro.

“Jurista é pessoa versada nas ciências jurídicas, com grande conhecimento de assuntos de direito”, segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.

Falta a Joaquim “grande conhecimento de assuntos de direito”, atesta a opinião quase unânime de juristas de primeira linha que preferem não se identificar. Mas ele é negro.

Havia poucos negros que atendessem às exigências requeridas para vestir a toga de maior prestígio. E entre eles, disparado, Joaquim era o que tinha o melhor currículo.

Não entrou no STF enganado. E não se incomodou por ter entrado como entrou.

Quando Lula bateu o martelo em torno do nome dele, falou meio de brincadeira, meio a sério: “Não vá sair por aí dizendo que deve sua promoção aos seus vastos conhecimentos. Você deve à sua cor”. 11

“Em seu texto, intitulado “Quem o ministro Joaquim Barbosa pensa que é?”, Noblat diz que o presidente do STF, devido a seu cargo e às suas decisões no processo do mensalão, não tem o direito “tratar mal seus semelhantes, a debochar deles” e a “humilhá-los”. Além disso, cita que “para entender melhor Joaquim” é preciso acrescentar “a sua cor”. “Há negros que padecem do complexo de inferioridade. Outros assumem uma postura radicalmente oposta para enfrentar a discriminação”, diz trecho do texto.

Noblat também destacou que Barbosa não teria sido escolhido ministro do STF pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apenas por seus conhecimentos jurídicos, mas por sua “cor”. “Joaquim foi descoberto por um caça-talentos de Lula, incumbido de caçar um jurista talentoso e… negro”, escreveu o jornalista. Devido a isso, o MPF entendeu que, além de difamar e injuriar especificamente Barbosa, Noblat praticou um crime contra toda a raça negra.”

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, acusou o jornalista Ricardo Noblat por crimes de injúria, difamação e preconceito racial, em representação enviada ao Ministério Público Federal. Segundo o ministro, Noblat atacou sua honra e praticou o crime de racismo num texto publicado em seu blog e no jornal “O Globo” em agosto do ano passado.

O MPF concordou com Barbosa e enviou à Justiça Federal do Rio de Janeiro, na quarta-feira (19), uma denúncia criminal contra o jornalista. No processo, o MPF pede que Noblat seja condenado por crimes contra a honra do ministro e pelo delito racial. Somadas, as penas podem chegar a 10 anos e 4 meses de prisão. 12

Um último questionamento, acerca do famoso “Bolsa Família”:

“Pobreza recua no Brasil, mas fim da miséria é questionável

Apesar de expressivos avanços no combate à extrema pobreza, erradicar a miséria do Brasil e transformá-lo num país de classe média será mais complexo e demorado do que o discurso do governo sugere, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

Há duas semanas, à frente de uma placa com o slogan “O fim da miséria é só um começo” – provável lema de sua campanha à reeleição –, a presidente Dilma Rousseff anunciou a ampliação das transferências de renda às famílias mais pobres que constam do Cadastro Único do governo.

Com a mudança, os mais pobres receberão repasse complementar para que a renda per capita de suas famílias alcance ao menos R$ 70 ao mês – patamar abaixo do qual são consideradas extremamente pobres pelo governo. A alteração, diz o governo, permitirá que 2,5 milhões de brasileiros se somem a 22 milhões de beneficiários do Bolsa Família que ultrapassaram a linha da pobreza extrema nos últimos dois anos.

Para que o programa seja de fato universalizado, porém, o governo estima que falte registrar 2,2 milhões de brasileiros miseráveis ainda à margem das políticas de transferência de renda, o que pretende realizar até 2014.

Especialistas em políticas antipobreza ouvidos pela BBC Brasil aprovaram a expansão do programa, mas fazem ressalvas quanto à promessa do governo de erradicar a miséria.

Para Otaviano Canuto, vice-presidente da Rede de Redução da Pobreza e Gerenciamento Econômico do Banco Mundial, o Bolsa Família – carro-chefe dos programas de transferência de renda do governo – é bastante eficiente e tem um custo relativamente baixo (0,5% do PIB nacional).

Canuto diz que o plano e outros programas de transferência de renda ajudam a explicar a melhora nos índices de pobreza e desigualdade no Brasil na última década, ainda que, somados, tenham tido peso menor do que a universalização da educação – “processo que vem de antes do governo Lula” – e a evolução do mercado de trabalho, com baixo desemprego e salários reais crescentes.

Apesar do progresso, estudiosos dizem que, mesmo que o Cadastro Único passe a cobrir todos os brasileiros que hoje vivem na pobreza, sempre haverá novas famílias que se tornarão miseráveis.

Há, ainda, questionamentos sobre o critério do governo para definir a pobreza extrema – renda familiar per capita inferior a R$ 70, baseado em conceito do Banco Mundial que define como miserável quem vive com menos de US$ 1,25 por dia.

Adotado em junho de 2011 pelo governo, quando foi lançado o plano Brasil Sem Miséria (guarda-chuva das políticas federais voltadas aos mais pobres), o valor jamais foi reajustado. Se tivesse acompanhado a inflação, hoje valeria R$ 76,58.

Em onze das 18 capitais monitoradas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), R$ 70 não garantem sequer a compra da parte de uma cesta básica destinada a uma pessoa. Em São Paulo, seriam necessários R$ 95,41 para a aquisição.

Em 2009, o então economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Neri, defendeu em artigo que a linha de miséria no país fosse de R$ 144 por pessoa. Essa linha, segundo o autor, que hoje preside o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão ligado à Presidência), atende necessidades alimentares mínimas fixadas pela Organização Mundial da Saúde.

O economista Francisco Ferreira, também do Banco Mundial, considera positivo que o Brasil tenha definido uma linha de pobreza, mas afirma que o valor deveria ser ajustado ao menos de acordo com a inflação e que está “muito baixo” para o país.

Segundo Ferreira, o Banco Mundial estabeleceu a linha de miséria em US$ 1,25 ao dia para uniformizar seus estudos, mas cada país deveria definir próprios critérios. “Não me parece adequado que o Brasil adote a mesma linha aplicável a um país como o Haiti, por exemplo.”

Tiago Falcão, secretário de Superação da Pobreza Extrema do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), reconhece que mesmo que o Bolsa Família chegue a todos os brasileiros pobres sempre haverá novas famílias que cairão abaixo da linha da miséria.

“Buscamos a superação da miséria do ponto de vista estrutural, para que não existam brasileiros que não sejam atendidos por nenhuma política pública. E estamos tentando encurtar o prazo de resgate dos extremamente pobres.”

Falcão diz que a linha de R$ 70 responde a compromisso internacional do governo assumido com as Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDM), que previam a redução à metade da pobreza extrema no país até 2015. Tendo como referência a linha do Banco Mundial, diz Falcão, o governo se “propôs um desafio muito mais complexo, que é a superação da extrema pobreza”.

“Era uma meta ambiciosa para o Brasil e, por outro lado, factível. Hoje consideramos que acertamos ao definir a linha de R$ 70”.

O secretário diz, no entanto, que se trata de um piso de “carências básicas” que, uma vez definido, poderá ser aumentado levando em conta as disparidades regionais e o quão solidária a sociedade quer ser com os mais pobres.

Para Alexandre Barbosa, professor de história econômica do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, o governo deveria levar em conta outros critérios além da renda em sua definição de miséria. Em 2011, Barbosa coordenou um estudo do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) intitulado “O Brasil Real: a desigualdade para além dos indicadores”.

O estudo, que contou com apoio da ONG britânica Christian Aid, afirma que as políticas de transferência de renda melhoraram a vida dos mais pobres, mas não alteraram a estrutura social brasileira. Barbosa é especialmente crítico à ideia de que, com a redução na pobreza, o Brasil está se tornando um país de classe média, tese defendida pela presidente.

“Considerar classe média alguém que recebe entre um e dois salários mínimos, que mora em zona urbana sem acesso a bens culturais nem moradia decente, que leva três horas para se deslocar ao trabalho? Essa é a classe trabalhadora que está sendo redefinida.”

Para o professor, a transferência de renda deveria integrar um conjunto mais amplo de ações do governo com foco na redução da desigualdade. Entre as políticas que defende estão reduzir os impostos indiretos sobre os mais pobres, fortalecer cooperativas e agregar valor à produção industrial, para que os salários acompanhem os ganhos em eficiência.

Falcão, do MDS, diz que o governo já tem atacado a pobreza por vários ângulos. Segundo ele, o Cadastro Único – “uma inovação em termos de política social ainda pouco compreendida no Brasil” – revolucionou a formulação de políticas públicas para os mais pobres.

O cadastro hoje inclui 23 milhões de famílias (ou cerca de 100 milhões de pessoas, quase metade da população) e é atualizado a cada dois anos com informações sobre sua situação socioeconômica.

Segundo o secretário, o cadastro tem orientado programas federais de expansão do ensino integral, fortalecimento da agricultura familiar e qualificação profissional, que passaram a atender prioritariamente beneficiários do Bolsa Família.

Para Canuto, vice-presidente do Banco Mundial, manter o Brasil numa trajetória de melhoria dos indicadores sociais não dependerá apenas de políticas voltadas aos mais pobres. Ele diz que o “modelo ultraexitoso” que permitiu a redução da pobreza na última década, baseado no aumento do consumo doméstico e da massa salarial, está próximo do limite.

De agora em diante, afirma Canuto, os avanços terão que se amparar em maiores níveis de investimentos, que reduzam o custo de produzir no Brasil.

“É preciso pensar no que é necessário para que, daqui a uma geração, os benefícios de transferência condicionada de renda não sejam mais necessários. Para isso, o foco tem que ser em boa educação, acesso à saúde, emprego de qualidade, melhoria da infraestrutura e espaço para o desenvolvimento do talento empresarial.” 13

 

Paulo Maciel

 

Fontes:

 

  1. http://www.amattos.eng.br/public/livro_inflacao/Glossario/padrao-ouro.htm
  2. http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1673
  3. http://www.varekai.org/disclosure/2013/11/03/o-sistema-moeda-fiduciaria-inteiro-esta-falido-a-queda-do-dolar-como-moeda-de-reserva-mundial/
  4. http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,a-cni-condena-o-modelo-de-estimulos-ao-consumo-imp-,811673
  5. http://www.diarioliberdade.org/opiniom/outras-vozes/49047-a-luta-dos-trabalhadores-triunfa-sobre-o-espect%C3%A1culo.html
  6. http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/nao-faltava-mais-nada-pf-descobre-que-autor-de-ameaca-de-morte-ao-ministro-joaquim-barbosa-e-membro-de-uma-comissao-de-etica-do-pt/
  7. https://www1.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/MostraMateria.asp?page=&cod=963686
  8. http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/pf-identifica-um-dos-autores-de-ameacas-de-morte-a-joaquim-barbosa
  9. http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/pf-identifica-um-dos-autores-de-ameacas-de-morte-a-joaquim-barbosa
  10. http://www.thaisagalvao.com.br/2014/05/18/policia-federal-localizou-o-outro-militante-que-ameacou-joaquim-barbosa-de-morte/
  11. http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2013/08/19/joaquim-barbosa-fora-do-eixo-por-ricardo-noblat-507449.asp#.UhH90SOXvSY.twitter
  12. http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/03/joaquim-barbosa-ricardo-noblat-racismo.html
  13. [http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/03/130307_abre_pobreza_brasil_jp_jf.shtml]

 

 

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