Leonardo Boff e a crise brasileira

Leonardo_Boff

 

Leonardo Boff escreve algumas ponderações interessantes em seu artigo “Dentro da sexta-feira santa política um vislumbre de ressurreição”, de 23/03/2016, onde acho oportuno fazer alguns apontamentos e reflexões:

“O Brasil entrou num processo de crise. Deste caos deve irromper uma nova ordem que possa dar horizonte e esperança ao país. Precisa-se definir novas estrelas-guia que nos orientem face à crise atual. A crise tem a função de acrisolar, purificar e tornar a todos mais maduros.”

Creio que o maior lucro que vamos tirar de toda essa crise é um amadurecimento coletivo da consciência política, fazendo o povo aprender que precisa participar do processo político mais ativamente e não apenas votar e deixar seus representantes fazerem o que bem entendem com o poder que têm.
Neste sentido, a “Democracia Representativa” é uma grande distorção do conceito democrático, onde os cidadãos gregos em 500 a.C. votavam diretamente questões políticas importantes, onde eles tinham igual voz e direito a voto (Democracia Direta). Na democracia direta o povo, através de plebiscito, referendo ou outras formas de consultas populares, pode decidir diretamente sobre assuntos políticos ou administrativos de sua cidade, estado ou país; aqui não existem intermediários (deputados, senadores, vereadores). A falha da Democracia Direta na Grécia Antiga reside no fato de que as mulheres, os estrangeiros (metecos), os escravos e as crianças não participavam das decisões políticas da cidade, gerando uma democracia era bem limitada (cerca de 40 mil cidadãos apenas).
Já na Democracia Indireta (ou Representativa), o povo participa apenas através do voto, elegendo seus representantes (deputados, senadores, vereadores) que tomam decisões em nome daqueles que os elegeram, ou seja “50% mais 1”. Em primeiro lugar, isso cria um falso conceito de maioria; por exemplo, nas eleições de 2014, Dilma obteve 51,64% dos votos e Aécio, 48,36%: A diferença de votos foi de apenas 3,4 milhões!
Em segundo lugar, porque muitas vezes os políticos eleitos não são “pessoas honestas que se corrompem com o poder”, mas sim “pessoas corruptas que chegam ao poder”, justificando o conceito da sociopatia na política, a “Ponerologia” (o “Estudo do Mal”, termo criado pelo psiquiatra polonês Andrzej M. Łobaczewski).

“A questão toda se resume: quem possui a proposta político-social que supere a crise e crie uma convivência minimamente pacífica? Não será através de fórmulas já testadas e gastas que virá a superação da crise dando centralidade a políticas e a grupos de poder à custa do sacrifício da maioria da população.”

Esta é a grande questão analisada pela minha teoria política: a patologia mundial criada pela Guerra Fria entre EUA e URSS, alimentadas pela “luta de classes” imaginada por Marx, levou centenas de milhões de pessoas à morte por fome, guerra ou prisão. E o Brasil, por sua posição estratégica para a América Latina, foi alvo por quase 100 anos do interesse desses dois países, alimentando as ideologias da Direita e da Esquerda, através de treinamentos de guerrilheiros em Cuba com patrocínio da URSS e apoio aos políticos conservadores por parte da CIA e do governo americano, que acabou desembocando na luta entre a Ditadura Militar e a Ditadura Comunista. Esta luta ideológica ainda não acabou e está se fortalecendo cada vez mais, polarizando o Brasil e aumentando a tensão entre as pessoas e suas crenças, o que levou o Lula a dizer na campanha da Dilma do segundo mandato: “Essa campanha está correndo o risco de ser uma campanha violenta”; “A elite brasileira está conseguindo fazer o que nós nunca conseguimos: despertar o ódio de classes. Ela está conseguindo fazer com que o ódio tome conta de uma campanha.” Por isso o sentimento que alimenta o país atualmente é o do ódio, onde cada lado quer que o outro seja sumariamente eliminado ou execrado…

“A nossa esperança é que este padecimento se ordene a uma radiante transformação. O corrupto seja punido e o que politicamente se fez errado seja corrigido. Importa definir um rumo, … uma nova ordem de convivência onde não seja tão difícil tratarmos a natureza com compaixão e nossos próximos com humanidade e com cuidado.”

O único caminho possível que vejo para este futuro de “convivência pacífica” em nosso país é acabarmos definitivamente com o conceito ideológico da “luta de classes”, pararmos de acreditar que a Verdade está na Direita OU na Esquerda e que o Bem está nas mãos dos Conservadores OU dos Revolucionários! Temos que aprender, mesmo que seja com muito suor e sofrimento, que os políticos devem ser apenas funcionários públicos, eleitos e pagos para serem administradores da coisa pública, sem serem defensores das ideologias doutrinárias que já vimos aqui.

Precisamos acabar de uma vez por todas a ideia escrita por Boff quando fala em “riscos de ruptura da ordem democrática e de passagem de uma democracia do direito e das leis para uma democracia da direita e sem leis”, sugerindo que só a Esquerda Socialista é democrática, boa e legal, enquanto a Direita Capitalista é má e ilegal…

Os governos deveriam apenas administrar de forma competente os trabalhadores, os empregadores e o meio ambiente, harmonizando os interessantes de todos em prol de uma nação saudável e feliz!

E quanto ao conceito da Ponerologia, todos os corruptos, sejam eles políticos, empresários capitalistas ou revolucionários populistas, deveriam ser constantemente identificados, julgados e punidos exemplarmente, para inibir suas constantes e eternas investidas psicopáticas pela ambição ao Poder!

Paz na Terra às pessoas de boa vontade!

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