Meritocracia na Direita e na Esquerda

Merito

O texto “Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira” de Renato Santos de Souza (UFSM/RS) foi muito bem escrito e desenvolvido, mas tem um erro fundamental, que desconstrói toda a sua teoria básica: a ideia de que a teoria do merecimento pertence única e exclusivamente à Classe Média Brasileira: “A minha resposta, então, ao enigma da classe média brasileira aqui colocado, começava a se desvelar: é que boa parte dela é reacionária porque é meritocrática; ou seja, a meritocracia está na base de sua ideologia conservadora.”

 Em segundo lugar, todo discurso que utiliza este tipo de linguagem: “reacionária”, “conservadora”, “desigualdade social”, etc. é um discurso de cunho socialista, que tem um viés social predominante e que tenta destruir a assim chamada “burguesia”.

 Marilena Chauí é uma filosofa totalmente Marxista e no seu conceito de justiça social não existem as classes A, B, C, D e E; existe apenas a classe operária se autogovernando, como queria Marx. No vídeo em questão, onde Marilena diz em alto e bom tom que “Eu odeio a classe média”, ela frisa que a “classe média é igual a uma pequena burguesia” e conclui que “não existe uma nova classe média; existe uma nova classe operária”! Diz ela também: “A perspectiva de que dispor de um conjunto de bens de consumo de massa e dispor de um conjunto de direitos sociais significa mudar de classe? Não! Significa que a classe conquistou os seus direitos e o seu lugar”. E também: “O que surge no Brasil é uma nova classe trabalhadora muito complexa, muito diferente daquilo que tradicionalmente a gente conhece. Ela é majoritariamente, o sujeito político da próxima década”. E termina o seu discurso escatológico com as seguintes palavras:

 “Eu odeio a classe média! A classe média é o atraso de vida; a classe média é estupidez; é o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista, é uma coisa fora do comum a classe média. Então eu me recuso admitir que os trabalhadores brasileiros, porque eles galgaram direitos, viraram classe média. A classe média é uma abominação política, porque ela é fascista; ela é uma abominação ética, porque ela é violenta; e ela é uma abominação cognitiva porque ela é ignorante! Fim!”

 Estas palavras, que fizeram Renato de Souza escrever: “fiquei perplexo e tendi a rejeitar a tese quase impulsivamente”, também gerou um comentário do Lula, logo após o final da apresentação: “Depois de anos que lutei para chegar à classe média, vem essa mulher e esculhamba com a classe média…”

 Loucuras e brincadeiras à parte, o conceito do “merecimento” não tem nenhuma relação exclusiva com a classe média brasileira, como diz o autor da ideia, mas sim a uma noção ancestral do ser humano!

 Vamos, então, avaliar a questão histórica do conceito do mérito, que recentemente adquiriu a ideia da Meritocracia na política considerada de Direita:

 A “Meritocracia” (mérito, a partir da palavra latina Mereo “ganhar” e do grego cracy, a partir do antigo kratos, κράτος “força, poder”) é uma filosofia política que sustenta que o poder deve ser atribuído a indivíduos quase que exclusivamente de acordo com o mérito. O avanço de tal sistema é baseado no talento intelectual medido através de exame e/ou a realização da capacidade demonstrada no campo em que é aplicada.

A definição mais comum de meritocracia conceitua o mérito em termos de competência testada e de capacidade, e muito provavelmente, como a medida por testes de desempenho padronizados ou QI. No governo ou outros sistemas de gestão, a meritocracia, num sentido administrativo, é um sistema de governo ou outra administração (tais como administração de empresas), em que os compromissos e as responsabilidades são atribuídos aos indivíduos com base em seus “méritos”, ou seja, a inteligência, credenciais, e educação, determinados por meio de avaliações ou exames.

Os defensores da meritocracia não concordam necessariamente com a natureza do “mérito”; no entanto, eles tendem a concordar que o “mérito” em si deve ser uma consideração primária durante a avaliação.

Em um sentido mais geral, a meritocracia pode referir-se a qualquer forma de governo baseado na conquista. Assim como as palavras “utilitarista” e “pragmática”, a palavra “meritocrática” também desenvolveu uma definição mais ampla, e pode ser usada para se referir a qualquer governo dirigido por “uma classe dominante ou influente de pessoas educadas ou capazes.”

Isso está em contraste com o uso original, condenatório do termo criado por Michael Young em 1958, que o definiu como um sistema em que “o mérito é equiparado à inteligência mais o esforço, seus possuidores são identificados mais comumente em uma idade adiantada e selecionados por uma educação intensiva e não há uma obsessão com a quantificação, teste de pontuação, e as qualificações”.

A meritocracia, no seu sentido mais amplo, pode ser qualquer ato geral do juízo sobre a base de vários méritos demonstrados; tais atos são frequentemente descritos em sociologia e psicologia. Assim, o mérito pode se estender além da inteligência e educação para qualquer talento mental ou física ou a ética de trabalho.

Na retórica, a demonstração do próprio mérito sobre o domínio de um determinado assunto é uma tarefa essencial mais diretamente relacionada com o Ethos aristotélica prazo. A concepção aristotélica equivalente de meritocracia é baseada em estruturas aristocráticas ou oligárquicas, em vez de no contexto do Estado moderno.

 Etimologia

Embora o conceito do merecimento já existe há séculos, o termo “meritocracia” foi cunhado pela primeira vez na década de 1950. Ele foi usado pelo político e sociólogo britânico Michael Young em seu ensaio satírico de 1958, “A Ascensão da Meritocracia”, que imaginou o Reino Unido sob o domínio de um governo que favorecia a inteligência e a aptidão (mérito) acima de tudo, sendo a combinação da raiz de origem latina “mérito” (de “mereō”) e do sufixo do grego antigo “cracy” (que significa “poder”, “regra”). Neste livro, o termo tinha conotações negativas distintamente como Young questionou tanto a legitimidade do processo de seleção utilizados para tornar-se um membro desta elite e os resultados de ser governado por um grupo tão estreitamente definida. O ensaio, escrito na primeira pessoa por um narrador fictício histórico em 2034, entrelaça a história da política do pré e do pós-guerra da Grã-Bretanha com os futuros eventos fictícios no curto (1960 em diante) e longo prazo (2020 em diante).

O ensaio foi baseado na tendência dos governos então vigentes em seu esforço para a inteligência, a ignorar as deficiências e os fracassos dos sistemas de ensino para utilizar corretamente os membros dotados e talentosos em suas sociedades.

O narrador ficcional de Young explica que, por um lado, o maior contribuinte para a sociedade não é a “massa impassível” ou da maioria, mas a “minoria criativa” ou membros da “elite inquieta”. Por outro lado, ele afirma que há vítimas do progresso, cuja influência é subestimada e que, a partir de tal adesão obstinada à ciência natural e à inteligência, surge a arrogância e a complacência. Este problema é encapsulado na frase “Cada seleção de um é a rejeição de muitos”.

Ele também foi usado por Hannah Arendt em seu ensaio, “crise na educação”, que foi escrito em 1958 e refere-se ao uso de meritocracia no sistema educacional Inglês.

 Embora a meritocracia como termo seja uma palavra recentemente cunhada (em 1958), o conceito de um governo baseado em exames padronizados tem origem nos trabalhos de Confúcio, junto com outros filósofos legalistas e confucionistas. A primeira meritocracia foi implementada no segundo século antes de Cristo, pela dinastia Han, que introduziu os primeiros exames do serviço civil do mundo que avaliam o “mérito” dos funcionários. A meritocracia como um conceito espalhou da China para a Índia britânica durante o século XVII, e, em seguida, para a Europa continental e nos Estados Unidos. Com a tradução de textos de Confúcio durante o Iluminismo, o conceito de meritocracia atingiu os intelectuais do Ocidente, que o viam como uma alternativa ao regime antigo tradicional da Europa. Nos Estados Unidos, o assassinato do presidente Garfield em 1881 predispôs a substituição do “sistema de despojos” americano para a meritocracia.

Nos política dos Estados Unidos, o “sistema de despojos” (também conhecido como um “sistema de patrocínio”) era uma prática em que um partido político, depois de vencer uma eleição, dava empregos públicos para os seus apoiantes, amigos e parentes como uma recompensa para o trabalho em direção à vitória e, como um incentivo para continuar a trabalhar para o partido (conhecido como “fisiologismo” no Brasil), em oposição a um sistema de mérito, onde os cargos públicos eram concedidos com base em alguma medida de mérito, independente da atividade política.

O termo foi derivado da frase “ao vencedor pertencem os despojos” pelo senador nova-iorquino William L. Marcy, referindo-se à vitória do Democrata Jackson na eleição de 1828, com o termo “despojo” significando os bens ou benefícios tirados do perdedor em uma competição, eleição ou a vitória militar. Sistemas de despojos similares são comuns em outros países que tradicionalmente se baseiam na organização tribal ou outros grupos de parentesco e localismo em geral.1

 Em 1883, a Lei de Reforma do Serviço Civil Pendleton foi aprovada, estipulando que os empregos públicos deviam ser concedidos com base no mérito através de exames competitivos, ao invés de laços com políticos ou filiação política.  

A forma mais comum de triagem meritocrática encontrada hoje é o diploma universitário. O ensino superior é um sistema de triagem meritocrática imperfeito por vários motivos, como a falta de padrões uniformes em todo o mundo, falta de escopo (nem todas as profissões e os processos estão incluídos), e falta de acesso (algumas pessoas talentosas nunca tiveram uma oportunidade de participar por causa das despesas, sobretudo nos países em desenvolvimento).

 Tempos antigos: China e na Grécia

De acordo com o consenso acadêmico, o exemplo mais antigo de uma meritocracia administrativa, com base em concursos públicos, remonta à China antiga. O conceito foi originado, pelo menos no sexto século a.C., quando foi defendida pelo filósofo chinês Confúcio, que “inventou a noção de que os governantes devem fazê-lo por causa do mérito, sem um estatuto herdado. Isso pôs em marcha a criação dos exames imperiais e burocracias abertas apenas para aqueles que passassem por testes. “

Como as dinastias Qin e Han desenvolveram um sistema meritocrático a fim de manter o poder sobre um grande e imenso império, tornou-se necessário para o governo manter uma complexa rede de funcionários. Funcionários potenciais poderiam vir de um fundo rural e as posições do governo não se restringiram à nobreza. A posição era determinada pelo mérito, através dos concursos públicos, e a educação tornou-se a chave para a mobilidade social. Após a queda da dinastia Han, o sistema de nove posições foi estabelecida durante o período dos Três Reinos.

 De acordo com a Enciclopédia Princeton em História Americana:

Um dos exemplos mais antigos de um sistema de serviço público baseado no mérito existia na burocracia imperial da China. Rastreando desde 200 a.C., a dinastia Han adotou o Confucionismo como a base de sua filosofia política e estrutural, que incluiu a ideia revolucionária de substituir a nobreza de sangue pela virtude e honestidade, e, assim, chamar pessoas para cargos administrativos baseando-se exclusivamente no mérito. Este sistema permitia que qualquer pessoa que passasse em um exame pudesse se tornar um oficial do governo, uma posição que traria riqueza e honra para toda a família. Em parte devido à influência chinesa, o primeiro serviço civil europeu não se originou na Europa, mas sim na Índia pela British-run East India Company… uma companhia de gestores contratados e empregados promovidos com base em concursos, a fim de prevenir a corrupção e o favoritismo.

Tanto Platão quanto Aristóteles defendiam a meritocracia. Platão em sua “A República”, argumentando que o mais sábio deve governar, e, portanto, os governantes devem ser reis filósofos.

 Do século 17: espalhou para a Europa

O conceito da meritocracia propagou-se da China para a Índia britânica durante o século XVII, e em seguida para a Europa continental e os Estados Unidos.

Com a tradução de textos de Confúcio durante o Iluminismo, o conceito de meritocracia alcançou os intelectuais no Ocidente, que o viram como uma alternativa ao regime antigo tradicional da Europa.  Voltaire e François Quesnay escreveram favoravelmente à ideia, com Voltaire alegando que os chineses tinham “aperfeiçoado a ciência moral” e Quesnay defendendo um sistema econômico e político modelado pelos chineses.

A primeira potência europeia a implementar um serviço público meritocrático bem sucedido foi o Império Britânico, em sua administração da Índia: “Gestores de empresas contratados e funcionários promovidos com base em concursos, a fim de prevenir a corrupção e o favoritismo”. Administradores coloniais britânicos defenderam a propagação do sistema para o resto da comunidade, sendo que o mais “persistente” foi Thomas Taylor Meadows, cônsul da Grã-Bretanha, em Guangzhou, na China. Meadows argumentou com sucesso em suas “Anotações desconexas sobre o Governo e o Povo da China”, publicado em 1847, que “a longa duração do império chinês é única e completamente devida ao bom governo, que consiste apenas no avanço dos homens de talento e mérito”, e que os britânicos deviam reformar suas funções públicas, tornando a instituição meritocrática. Esta prática foi posteriormente adotada no final do século XIX pelo continente britânico, inspirado no “sistema mandarim chinês.”

 Século 19: Estados Unidos

Nos Estados Unidos, a burocracia federal usou o Sistema de espólios de 1828 até que o assassinato do presidente dos Estados Unidos James A. Garfield por um decepcionado pretendente ao cargo em 1881 provou seus perigos. Dois anos mais tarde, em 1883, o sistema de nomeações para a burocracia federal dos Estados Unidos foi reformulado pela Lei de Reforma do Serviço Civil Pendleton, parcialmente baseado no serviço público meritocrático britânico que havia sido estabelecido anos antes. O ato estipulou que os trabalhos do governo deveriam ser concedidos com base no mérito, através de exames competitivos, em vez de laços com políticos ou filiação política. Ele também tornou ilegal demitir ou rebaixar funcionários do governo por motivos políticos.

Para reforçar o sistema de mérito e do sistema judicial, a lei também criou nos Estados Unidos a Comissão do Serviço Civil. Na meritocracia americana moderna, o presidente pode distribuir apenas um certo número de postos de trabalho, que devem ser aprovados pelo Senado.

 Austrália

A Austrália começou a estabelecer as universidades públicas na década de 1850 com o objetivo de promover a meritocracia, proporcionando formação avançada e credenciais. O sistema educacional foi criado para atender homens urbanos da classe média, mas de diversas origens sociais e religiosas. Era cada vez mais aberto a todos os graduados da rede pública de ensino, as de área rural e regional, e em seguida, para as mulheres e, finalmente, para as minorias étnicas. Ambas as classes médias e as classes trabalhadoras têm promovido o ideal de meritocracia dentro de um forte compromisso de “camaradagem” e de igualdade política.

Vemos então que o conceito do mérito, na política, visava originalmente selecionar os funcionários públicos pelas suas competências pessoais (através de estudos, provas, concursos, dons e potencialidades) e não pelos sistemas de fisiologismo até hoje aplicados em todo o mundo. Mas que, a partir de Michael Young adquiriu um conceito irônico e negativo, atualmente usado pelas políticas de Esquerda para desmerecer a sua real implicação.2

 Fora do contexto político, o mérito sempre foi valorizado nos pensamentos religiosos de todos os tempos, como citados nestas frases, tanto no aspecto negativo, quanto positivo:

 “E será que, se o injusto merecer açoites, o juiz o fará deitar-se, para que seja açoitado diante de si; segundo a sua culpa, será o número de açoites.” Dt 25:2

“Tu lhes darás recompensa, Senhor, conforme a obra das suas mãos.” Lamentações 3:64

“Porque, segundo a obra do homem, ele lhe paga; e faz a cada um segundo o seu caminho.” Jó 34:11

“O qual recompensará cada um segundo as suas obras” Romanos 2:6

“E, apartando-se dali falavam uns com os outros, dizendo: Este homem nada fez digno de morte ou de prisões.” Atos 26:31

“A esmola oferecida a uma pessoa merecedora de tal benefício e que não possa retribuí-lo, com a ideia de cumprir um dever e em tempo e lugar adequados, é sattvica.” Krishna, Canto XVII Os Três Motivos de Agir. Bhagavad Gita

“O Buda ensina que o culpado merece castigo, e o digno de favor deve ser favorecido. Porém também ensina que não se deve fazer sofrer nenhum ser vivente, mas ter o coração cheio de amor e compaixão. Estes dois ensinamentos não são contraditórios, por que quem recebe castigo por seus crimes, não sofre por maldade do juiz e sim em consequência de sua culpa. Suas más ações lhe acarretaram o mal que lhe inflige o executar da lei.” O Evangelho de Buda – Pregação de Buda, II – A Aniquilação

“Aquela é uma nação que já passou; colherá o que mereceu e vós colhereis o que merecerdes, e não sereis responsabilizados pelo que fizeram.” “Al Bácara” (A Vaca) 2ª Surata, 134.

“E temei o dia em que retornareis a Deus, e em que cada alma receberá o seu merecido, sem ser defraudada.” “Al-Fátiha” (A Abertura) 1ª Surata, 281.

“Dize-lhes: Quereis que vos inteire de quem são os mais desmerecedores, por suas obras?” “Al Cahf” (A Caverna) 18ª Surata, 103

 Esta lista poderia se estender indefinidamente, percorrendo os milhares de anos de história e doutrina religiosas de nossa humanidade… mas como os socialistas acreditam na famosa frase de Marx “a religião é o ópio do povo”, vou parar por aqui a comparação entre o merecimento das boas e más obras humanas.

Voltando ao tema do Renato de Souza, ele começa seu texto citando o vídeo de Marilena Chauí e conclui que ela está falando única e exclusivamente da Classe Média Brasileira: “A minha resposta, então, ao enigma da classe média brasileira aqui colocado, começava a se desvelar: é que boa parte dela é reacionária porque é meritocrática; ou seja, a meritocracia está na base de sua ideologia conservadora.”

Já vimos aqui que, historicamente, esta conclusão não procede, já que ela tem por base um conceito positive de competência professional para exercer um cargo público, ou de capacitação moral para merecer bençãos e salvação spiritual!

Mas a distorção deste conceito ancestral tornou a ideia do merecimento como uma distorção criada pelo Capitalismo e ainda mais, pelo Neoliberalismo!

Vamos agora analisar algumas conclusões do Renato de Souza sobre a meritocracia sob o ponto de vista de Marilena Chauí:

 A primeira coisa que chama a atenção é o fato de que Renato usa as palavras de Marilena como verdades incontestáveis; ou seja, o que ela falou é uma verdade e eu só preciso entender a razão da existência desta verdade. Embora ele mesmo reconheça de que “Não dá para pensar em um país menos desigual sem uma classe média forte: igualdade na miséria seria retrocesso, na riqueza seria impossível”, ainda assim, ele busca uma explicação para a verdade dita por Marilena. E continua em sua compreensão pessoal: “o engrossamento da classe média tem sido visto como sinal de desenvolvimento do país, de redução das desigualdades, de equilíbrio da pirâmide social, ou mais, de uma positiva mobilidade social, em que muitos têm ascendido na vida a partir da base. A classe média seria como que um ponto de convergência conveniente para uma sociedade mais igualitária”. Mas, para dar vazão à verdade ditada pela Marilena, Renato conclui: “Para a esquerda, sobretudo, ela indicaria uma espécie de relação capital-trabalho com menos exploração”.

 Mas ele esquece o que Marilena pensa da Classe Média: “Não existe uma nova classe média; existe uma nova classe operária”!

Então, tentando entender a “sabedoria” nas palavras de Marilena, Renato tem um insight de genialidade quando observa as reações dos médicos alopatas em relação ao programa do PT “Mais médicos”: “Então adveio aquela abominável reação de grande parte da categoria médica – justamente uma categoria profissional com vocação para classe média – ao Programa Mais Médicos, e me sugeriu uma resposta. Aqueles episódios me ajudaram a desvendar a espuma.”

Finalmente, Renato encontrou a resposta que justificava a verdade marxista de Marilena: “É um feito se formar médico no Brasil, e talvez por isto esta formação, mais do que qualquer outra, seja uma celebração do mérito. Sendo assim, supõe-se, não se pode aceitar que qualquer um que não demonstre ter tido os mesmos méritos, desfrute das mesmas prerrogativas que os profissionais formados aqui. Então, aquela reação episódica, e a meu ver descabida, da categoria médica, incompreensível até para o resto da classe média, era, na verdade, um brado pela meritocracia.”

Pronto, estava criada uma nova teoria política e econômica: a classe média brasileira é “um atraso de vida; é estupidez; é reacionária, conservadora, ignorante, petulante, arrogante, terrorista; é uma abominação política porque é fascista; uma abominação ética porque é violenta; e é uma abominação cognitiva porque é ignorante!” Fim!

Tão simples assim… mas isto não vale só a classe médica brasileira; isto vale para toda a classe média do país, inclusive para a própria Marilena, que ganha R$ 23.508,00 por mês como professora titular da USP, segundo a revista Veja, ou o próprio autor Renato Santos de Souza, que se define nos sites e blogs como Engenheiro Agrônomo, Mestre em Economia, Doutor em Administração e Professor da Universidade Federal de Santa Maria – RS.3

 Enfim, se você está lendo este texto pelo seu computador ou celular particulares, você provavelmente pertence à classe média; por isso eu lhe pergunto: Você se considera uma “abominação social, estúpido, reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante e terrorista” apenas por fazer parte da classe média brasileira? Se a sua resposta for “NÃO”, toda a teoria do Rento cai por terra!

 Dando continuidade ao seu insight filosófico, Renato continua escrevendo:

“Assim, boa parte da classe média é contra as cotas nas universidades, pois a etnia ou a condição social não são critérios de mérito; é contra o bolsa-família, pois ganhar dinheiro sem trabalhar além de um demérito desestimula o esforço produtivo; quer mais prisões e penas mais duras porque meritocracia também significa o contrário, pagar caro pela falta de mérito; reclama do pagamento de impostos porque o dinheiro ganho com o próprio suor não pode ser apropriado por um Governo que não produz, muito menos ser distribuído em serviços para quem não é produtivo e não gera impostos. É contra os políticos porque em uma sociedade racional, a técnica, e não a política, deveria ser a base de todas as decisões: então, deveríamos ter bons gestores e não políticos. Tudo uma questão de mérito.”

 Aqui não vemos apenas um problema da “classe média”, mas de todo o pensamento dialético Direita x Esquerda: as teorias da Direita pressupõem um “Estado mínimo” e as da Esquerda esperam um “Estado participativo”.

A “Esquerda” favorece o controle estatal da economia e a interferência ativa do governo em todos os setores da vida social, colocando o ideal igualitário acima de outras considerações de ordem moral, cultural, patriótica ou religiosa. Já a “Direita” favorece a liberdade de mercado, defende os direitos individuais e os poderes sociais intermediários contra a intervenção do Estado e coloca o patriotismo e os valores religiosos e culturais tradicionais acima de quaisquer projetos de reforma da sociedade.

Com isto, fica claro que a visão do Renato é apenas uma visão de Esquerda, tentando encontrar argumentos que justifiquem a fala da Marilena. Não que ele não tenha razão em algumas críticas a respeito da ideia da “meritocracia”, tão propalada atualmente pelos adeptos do neoliberalismo… apenas que existe uma tendência ideológica de “demonizar” o conceito do mérito, porque ele vai de encontro ao pensamento socialista do igualitarismo total e absoluto! Se fôssemos viajar na teoria da Marilena, seríamos todos operários com maior poder de compra, trabalhando felizes pelo sentido marxista: “O trabalho é a essência da expressão da vida humana”!

 Não vou discorrer sobre a questão das diferenças entre as classes médias europeia, americana e brasileira, para não estender demasiadamente o tema. Posso deixar isto para outra ocasião, porque percebo que o Renato está apenas tentado justificar e confirmar a teoria da Marilena…

E, para provar sua teoria, Renato escreve que “as classes brasileiras alta e baixa (os nossos ricos e pobres) também não são meritocráticas”: “A classe alta é patrimonialista; um filho de rico herda bens, empresas e dinheiro, não precisa fazer sua vida pelo mérito próprio, portanto, ser meritocrata seria um contrassenso”; esta teoria podia ser verdadeira na época das monarquias e do feudalismo, onde a estrutura social era extremamente rígida e determinada, na maioria das vezes, pelo nascimento. Mas atualmente temos outra realidade completamente diferente! Como exemplo, veja esta reportagem: “Para ficar rico no Brasil, a hora é agora! A previsão é do especialista em mercado de luxo Claudio Diniz, autor do livro “O Mercado de Luxo no Brasil: Tendências e Oportunidades”. Segundo o consultor, uma pessoa ficará milionária a cada 27 minutos no país, em 2013. Levantamento do Credit Suisse mostra que, atualmente, a cada 50 minutos um brasileiro sobe para este patamar. “No ano que vem, serão 271 novos milionários por dia no Brasil e as chances de ficar rico são maiores aqui do que na Índia, China e Rússia”, prevê Diniz. Estima-se que já existam 317 mil ricaços no Brasil e que este número deverá chegar a 815 mil em 2017.”4

 E esta: “Geração Champagne: quem são os novos ricos brasileiros. Nascem 23 novos milionários (definição: detentor de pelo menos um milhão de reais, equivalentes a quase 400 mil euros) por dia, quase um por hora, no Brasil, desde 2007, anuncia a revista Forbes.”5

 E não tem como dizer que estes novos ricos não se classificam como “merecedores” de suas riquezas!

E o que dizer de pessoas como Samuel Klein (Casas Bahia), Guilherme Leal (Natura), Antonio Saraiva (Habib´s), Marcel Telles (3G), Luiza Trajano (Magazine Luiza) e Flavio Augusto da Silva (Wise Up)?

Quem quiser, que leia a história destas pessoas no site em questão, que conclui com as seguintes palavras: “Se analisarmos a vida dessas e de outras figuras de sucesso, encontraremos uma característica fundamental: a capacidade de se levantar em momentos de frustração e fracasso. Muitas vezes, o “Não” é a melhor oportunidade para conseguir um “Sim”, desde que se reveja o que foi feito e se trabalhe com afinco pelos objetivos traçados. A mensagem final é que todos podem vencer, desde que com muita disposição para trabalhar. Não se trata apenas de se tornar um milionário (ou bilionário, como alguns dos exemplos acima), mas acima de tudo conseguir transformar dificuldades em vitórias pessoais. Obrigado e até a próxima.”6

 Finalizando a questão do mérito no caso dos ricos, quem nunca ouviu a expressão: “Pai rico, filho nobre, neto pobre”?

Quantas famílias ricas na primeira metade do século XX já não o são mais agora em 2014? Quantas famílias souberam vencer os conflitos internos de poder, gestão e sucessão, mas, principalmente, evitar os males de valores, atitudes e hábitos mesquinhos e arrogantes, do tipo “ter o rei na barriga”? O analista desta questão escreve ainda: “Pai rico + filho nobre implica neto pobre. Ou seja, um pai rico que não souber educar (financeiramente inclusive) seu filho, que não transmita valores de preservação, responsabilidade, pé no chão, merecimento, obrigatoriamente terá filhos nobres e, consequentemente, netos pobres.” Ou seja, uma pessoa pode, sim, nascer em família rica, mas permanecer rico seria uma questão de competência, ou seja, de merecimento!7

 Além disso, de onde o autor tirou a ideia de que os pobres não crêem na meritocracia? Ele mesmo se desmente, ao escrever: “Para a classe pobre o mérito nunca foi solução; ela vive travada pela falta de oportunidades, de condições ou pelo limitado potencial individual.”

Os exemplos citados de novos ricos mostram que muitas pessoas, inclusive grandes bilionários antigos como Onásis e Matarazzo fizeram suas fortunas do nada! Quando eu pedia dinheiro para meu pai, ele sempre dizia “você pensa que eu sou o Matarazzo?”. Esta era uma frase comum dos pais de família brasileiros do início do século 20 para reclamar dos excessos de gastos de sua prole. Alto e elegante, Francesco Matarazzo tornou-se sinônimo de homem rico e um exemplo do “imigrante que deu certo”. Os produtos das Indústrias Reunidas Francesco Matarazzo (IRFM) eram praticamente onipresentes no dia a dia dos brasileiros. Seu conglomerado, nos anos 1930, só faturava menos que o Governo Federal, o Departamento Nacional do Café e o estado de São Paulo. O empresário foi um dos homens mais ricos da América do Sul na sua época e, quando morreu, tinha um patrimônio estipulado em 20 bilhões de dólares se os valores fossem corrigidos para os padrões atuais. Matarazzo, no entanto, começou como um simples mascate e dono de uma loja de secos e molhados em Sorocaba, interior de São Paulo, depois de sofrer um prejuízo.  Quando veio ao Brasil, em 1881, fugindo da crise econômica na Itália, a tonelada de banha de porco que trazia como capital inicial para começar um negócio foi parar no fundo mar com a embarcação que levava toda a carga do navio.8

 Mas, se fôssemos alegar que “são muito poucos que conseguem ficar bilionários vindo do nada”, não estaríamos justamente confirmando a ideia do merecimento?

Neste ponto, Renato confirma o pensamento socialista: “E ela sabe que não existem soluções pela via do mérito individual para as dezenas de milhões de brasileiros que vivem em condições de pobreza, e que seguramente dependem das políticas públicas para melhorar de vida.” Bingo! Para os pobres, que têm um “limitado potencial individual”, somente com a ajuda do Estado podem se fazer parte da classe média tão almejada pelas classes C e D, que não existem na cabeça da Marilena!

E, por fim, Renato confirma também a ideia inata e ancestral do merecimento: “Aliás, tenho certeza de que todos nós educamos nossos filhos e tentamos agir no dia a dia com base na valorização do mérito. Nós valorizamos o esforço e a responsabilidade, educamos nossas crianças para serem independentes, para fazerem por merecer suas conquistas, motivamo-as para o estudo, para terem uma carreira honrosa e digna, para buscarem por méritos próprios o seu lugar na sociedade.”

Poderíamos terminar aqui os nossos questionamentos (que já foram longe demais), mas o Renato continua sua dissertação, buscando destruir o valor do merecimento e abalizar a teoria marxista da Marilena: “Então, o que há de errado com a meritocracia, como pode ela tornar alguém reacionário?”

 A justificativa que se segue é a base do pensamento socialista: “Bem, como o mérito está fundado em valências individuais, ele serve para apreciações individuais e não sociais. A menos que se pense, é claro, que uma sociedade seja apenas um agregado de pessoas. Então, uma coisa é a valorização do mérito como princípio educativo e formativo individual, e como juízo de conduta pessoal, outra bem diferente é tê-lo como plano de governo, como fundamento ético de uma organização social. Neste plano é que se situa a meritocracia, como um fundamento de organização coletiva, e aí é que ela se torna reacionária e perversa.”

 Ou seja, em um pensamento socialista, a meritocracia é um abuso, um erro, uma abominação, porque privilegia o indivíduo que vence pelos esforços próprios, em detrimento da igualdade social de toda a população. Apenas isto…

Assim, como conclui o Renato, “vou gastar as últimas linhas deste texto para oferecer algumas razões para mostrar porquê a meritocracia NÃO é um fundamento perverso de organização social”: 

 a) A meritocracia, que propõe uma ordem social baseada nas diferenças de predicados pessoais (habilidade, conhecimento, competência, etc.), não causa uma destruição dos valores sociais universais (direito à vida, justiça, liberdade, solidariedade, etc.). Eu me pergunto como e porquê uma sociedade meritocrática atentaria contra estes valores ou poderia obstruir o acesso de muitos a direitos fundamentais? Será que o Renato está confundindo pessoas que cresceram social e economicamente por mérito próprio com psicopatas que pisarão e escravizarão naqueles que estão abaixo deles? Será que ele está querendo dizer que todos os empresários são psicopatas corporativos? Como um novo rico atentaria ao direito à vida, à justiça e à solidariedade? Multibionários como Bill Gates não investem bilhões de dólares em projetos sociais?

 b) Realmente, neste ponto eu concordo, quando Renato escreve que “a meritocracia exacerba o individualismo e a intolerância social, supervalorizando o sucesso e estigmatizando o fracasso, bem como atribuindo exclusivamente ao indivíduo e às suas valências as responsabilidades por seus sucessos e fracassos.” Aqui entra a ideologia de “matar um leão por dia” e o discurso dos “vencedores x perdedores” do capitalismo selvagem, aspecto que considero extremamente patológico e desumano. Mas gera também no “fracassado” a inveja e o ódio de classes, tão valorizado por Lula e pelos socialistas que desejam a morte das “elitas brancas, dos burgueses e dos exploradores dos pobres”! 

 c) A meritocracia NÃO “esvazia o espaço público, o espaço de construção social das ordens coletivas, e tende a desprezar a atividade política, transformando-a em uma espécie de excrescência disfuncional da sociedade, uma atividade sem legitimidade para a criação destas ordens coletivas.” A meritocracia apenas se refere ao fato de que uma pessoa conquista seu lugar no mundo por seus méritos próprios, sem criar uma revolta e um ataque aos projetos sociais de um governo. Normalmente os socialistas confundem meritocracia com egoísmo, vaidade e voracidade, o que é real nas pessoas patológicas, mas não em todos que têm méritos próprios!

Renato tenta ainda justificar a sua teoria escrevendo: “Supondo uma sociedade isenta de jogos de interesse e de ambiguidades de valor, prevê uma ordem social que siga apenas a racionalidade técnica do merecimento e do desempenho, e não a racionalidade política das disputas, das conversações, das negociações, dos acordos, das coalisões e/ou das concertações, algo improvável em uma sociedade democrática e pluralista.” Mas eu pergunto, aonde em nosso país existe esta sociedade “insenta de jogos de interesse e de ambiguidades de valor”? Qual partido mais que o PT fez no Brasil tantas “políticas das disputas, das conversações, das negociações, dos acordos, das coalisões e/ou das concertações”? Este ponto não deveria nem ter sido escrito, quanto mais comentado!

 d) NÃO é a meritocracia que “esconde, por trás de uma aparente e aceitável “ética do merecimento”, uma perversa “ética do desempenho”; quem faz isto é uma sociedade de consumo que vai de acordo com as expectativas do mercado! E o Renato comprova, justamente, que o que eleva uma pessoa socialmente nestes casos não é o seu mérito real, mas os interesses das massas, que normalmente, pelos exemplos citados, não fazem parte da “classe média”, mas das classes D e E: se o povo gosta de funk, futebol e cerveja, que isto movimente a economia e a cultura; se o povo não lê Mário Quintava nem ouve Vila Lobos, porque eles seriam estimulados pelo mercado consumista? Ele mesmo confirma isto, dizendo: “Na música popular nem é preciso exemplificar, a distância entre merecimento e desempenho de mercado é abismal. Então, neste mudo em que vivemos, valor e resultado, merecimento e desempenho nem sempre caminham juntos, e talvez raramente convirjam.” Reconhecer a perversidade de um mercado de consumo, portando, NÃO destrói o crescimento individual por mérito pessoal” 

 e) Nem sempre a “meritocracia escamoteia as reais operações de poder”. Os fatores de “avaliação e desempenho” só são cruciais na meritocracia quando se trata de uma disputa por determinado lugar ou posição entre duas ou mais pessoas. E mesmo que se considere o caso das cotas nos vestibulares, por exemplo, os que forem aprovados com médias mais baixas que os não cotizados ainda assim estarão utilizando o critério da meritocracia, porque tiveram melhor desempenho que os não aprovados! E se uma pessoa não chegar em um lugar público por mérito próprio mas por interferência do governo, ainda aqui haverão “relações de poder” definindo quem deve ou não ocupar tal posição. Concordo quando Renato escreve que “os poderes econômico e político, não raras vezes, estão por trás dos critérios avaliativos e dos “bons” desempenhos”, mas neste caso não se aplica apenas ao capitalismo, já que no socialismo muitos cargos e posições sociais e políticas são ocupados por “indicação” do superior.

 f) A meritocracia NÃO “é a única ideologia que institui a desigualdade social com fundamentos “racionais”, e legitima pela razão toda a forma de dominação”. A desigualdade social não é criada por um “fundamento racional”; ela sempre existiu, desde os tempos dos impérios milenares até a atualidade. A origem da meritocracia, como já vimos, foi uma forma de desalojar do poder os escolhidos pelo fisiologismo político e depois se estendeu a outras áreas sociais. As desigualdades sociais das castas criadas pelos hindus, por exemplo, têm fundamentos culturais mas não depende da meritocracia; as desigualdades de cor tiveram respaldo científico na Europa do século XIX, sem levar em conta as questões de méritos individuais; as desigualdades raciais tiveram justificativa para o extermínio dos judeus na Alemanha de Hitler, sem incluir o mérito como base da seleção racial e religiosa!

 g) A meritocracia NÃO “substitui a racionalidade baseada nos valores, nos fins, pela racionalidade instrumental, baseada na adequação dos meios aos resultados esperados”. E a meritocracia NÃO dá preferência a um Paulo Coelho em vez de um Mário Quintana; quem faz isto é o mercado de consumo, que induz, seduz e cede aos desejos da população consumista!

Além disso, dizer que o fato dos “estudantes geralmente não estudarem para aprender, mas para passar em provas” é um problema criado pela meritocracia, seria o mesmo que dizer que sem a meritocracia todos os estudantes estudariam para aprender e que os cursos de pós-graduação e professores universitários produziriam conhecimentos e publicariam artigos e livros apenas para fazerem a diferença no mundo e para terem um significado na pesquisa e na vida intelectual do país… Isto, sim, poderia ser chamado de ingenuidade… Os socialistas costumam acreditar que todos os oprimidos são pessoas boas, bem intencionadas, honestas e compassivas… mas esta ideia utópica acaba quando estas pessoas chegam no poder, e acontece o que temos visto nestes 12 anos de PT no poder: corrupção, má administração, mentiras e decepção!

 h) Por fim, a meritocracia NÃO “dilui toda a subjetividade e complexidade humana na ilusória e reducionista objetividade dos resultados e do desempenho”. Justamente o contrário, é a meritocracia que inclui “toda a subjetividade e complexidade humana” na questão do desempenho individual e é o Estado Socialista que “iguala tudo por baixo”, tornando toas as pessoas em simples “operários consumidores”. E o verso “cada um de nós é um universo” do Raul Seixas NÃO é “uma verdadeira aberração para a meritocracia”: para ela, cada um de nós é único e complexo e deve ser respeitado por esta singela, em todos os seus potenciais de expressão, quer sejam culturais, sociais ou espirituais!

E justamente pela “natureza humana ser subjetiva e complexa e suas interações sociais serem intersubjetivas”, na meritocracia há espaço para todas as subjetividades e complexidades, respeitando-se todo o espaço para o próprio ser humano, como indivíduo único e inigualável e não apenas parte de uma massa de manobras de um Estado aparentemente humano, mas que abaixo da espuma esconde um grande desejo de poder e de controle, sem que ninguém se diferencie acima dos outros e que ameace o poder totalitário da sua “benevolência”!

Para finalizar, o sonho dos governos socialistas é que todos os povos fossem como os Sete Anões da Branca de Neve, que acordassen felizes e fossem cantando para a mina de pedras preciosas, cantando:

 “A nossa enxarpe, a nossa pá,

Nós usamos pra cavar 

Cavando a nossa mina 

Noite e dia sem parar 

 

Não vamos ficar ricos não 

Nós nunca temos essa missão 

De cavar… cavar 

É nossa distração 

 

Cavando a nossa mina 

Noite e dia sem parar 

Brilhantes e outras pedras 

Poderemos encontrar 

Se temos forte vai haver 

Milhões de pedras pra escolher 

E com tanta pedra pra escolher 

O que é que se vai fazer?”

 

Paulo Maciel

10/04/2015

 

Fontes:

 

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